Capítulo 8: Segredo

Di era Qin, aku berdiri megah, menguasai seluruh jagat raya. Kini memerintahkan Leng Ling. 2857kata 2026-03-15 14:50:03

Quando Ying Zheng terminou sua toalete, Zhao Ji saiu preguiçosamente de seus aposentos, trajando um vestido escarlate como fogo, o qual realçava ainda mais a alvura sedosa de sua pele. Contudo, havia no canto de seus olhos um leve traço de algo dissonante.
Zhao Ji, instintivamente, friccionou o canto dos olhos; de súbito, suas pálpebras se viraram, e seu semblante se suavizou em um ar de deleite. A mão que minutos antes massageava seus olhos recolheu-se, sem deixar vestígios, para dentro das mangas. Com um leve estalar de dedos oculto sob o tecido, ela fez voar para longe um pequeno objeto negro.
Só então Zhao Ji deixou transparecer um ar de despreocupação, erguendo lentamente o rosto para receber a morna luz do sol de inverno. No entanto, sua expressão satisfeita congelou no mesmo instante, pois sua visão captou duas figuras: Ying Zheng e Qingxi, a donzela que, empunhando a espada, permanecia respeitosamente atrás dele.
— Zheng’er, acordaste cedo hoje — disse Zhao Ji com um sorriso um tanto forçado. Pelo espanto ainda não dissipado no semblante de Ying Zheng, ela percebeu que seus gestos haviam sido todos notados pelo filho.
— Mãe também se levantou cedo — replicou Ying Zheng, aproximando-se.
— O que aprenderá hoje, Zheng’er? — perguntou Zhao Ji, num esforço de mudar de assunto.
— Estratégia militar — respondeu Ying Zheng.
— Com Meng Ao? — indagou Zhao Ji.
Como jovem rei de Qin, Ying Zheng tinha muitos saberes a assimilar, sendo especialmente importantes os ensinamentos dos legalistas, estrategistas militares e diplomatas; ao mesmo tempo, precisava familiarizar-se, ainda que não a fundo, com os preceitos do Tao, do Confucionismo e do Moísmo, pois tais escolas, assim como as anteriores, figuravam entre as mais influentes da centena de escolas do pensamento.
— Sim, com o General Meng Ao — confirmou Ying Zheng, mas seus olhos, sem querer, desviaram-se para o solo atrás de Zhao Ji, como se buscassem algo.
— Então, Zheng’er, deves dedicar-te com afinco — advertiu Zhao Ji, demonstrando cuidado.
— Zheng’er, o que procuras? — Zhao Ji, desejando expressar ainda mais zelo, percebeu subitamente que o olhar do filho recaía sobre um lugar inusitado. Seu coração apertou-se sem motivo, mas fingiu tranquilidade ao indagar:
— Nada — respondeu Ying Zheng, recolhendo o olhar. — Não encontrei.
De fato, a habilidade em se desfazer de provas era notável.
— Já que hoje tens afazeres, não te demores em meu Palácio Xing Le. Não convém deixar o General Meng esperando — recomendou Zhao Ji.
— Assim farei — assentiu Ying Zheng.
— Lembra-te: se à noite estiveres livre, venha até aqui. Iremos visitar tua avó — lembrou Zhao Ji, como se subitamente algo lhe ocorresse.
— O verdadeiro objetivo de mãe não é minha avó, não é? — Ying Zheng retrucou.
— Se visitamos a mais velha, é justo visitar a mais nova também. O que foi? Não queres ir, Zheng’er? — Zhao Ji cruzou os braços e o fitou.
— Acho que terei outros compromissos à noite — hesitou Ying Zheng.
— Desmarque-os — replicou Zhao Ji, fixando nele o olhar.
— Não parece adequado simplesmente desmarcar assim — Ying Zheng mostrava-se embaraçado.
— E há alguém capaz de te constranger? — Zhao Ji duvidou da justificativa do filho.
— Sim, há — respondeu Ying Zheng.
— Quem? Em Qin, quem ousaria te causar embaraço? — Zhao Ji estava ansiosa, determinada a descobrir quem ousaria desafiar seu filho.
— Melhor que mãe não saiba — naquele instante, Ying Zheng assumiu o papel de um ator consumado. Na verdade, ele já o era por natureza.
— Quem é? Lü Buwei? Ou talvez alguém do Palácio Zhiyang? — insistiu Zhao Ji.
— Não — negou Ying Zheng.
— Quem é, então? Diga-me, Zheng’er, mãe resolverá por ti — Zhao Ji se empenhou em proteger o filho.
— Mesmo mãe, diante dessa pessoa, sentir-se-ia em apuros. Melhor deixar assim — respondeu Ying Zheng, resignado.
— Impossível, não creio que neste reino haja alguém contra quem mãe e filho não possam lidar — Zhao Ji teimou. Quanto mais relutava Ying Zheng, mais ela desejava saber a identidade do sujeito.
— Essa pessoa és tu, mãe — suspirou Ying Zheng profundamente.
— Ora, eu pensando que fosse alguém... mas é... — Zhao Ji não conseguiu concluir a frase. Só então se deu conta de que fora ludibriada desde o início.
Ao perceber, um ímpeto de frustração lhe subiu ao peito, mas não lhe restava senão sufocá-lo. Sentiu um incômodo no peito e, após alguns suspiros, lançou um olhar pouco amistoso ao filho, que agora mantinha uma expressão absolutamente inocente.
— Ah, Zheng’er, tua arte de enganar está cada vez mais refinada — disse Zhao Ji, e não pôde evitar soltar uma risada.
Durante todo o tempo, Qingxi, atrás de Ying Zheng, observava tudo, perplexa. Seu instinto de assassina alertara desde o princípio que Ying Zheng mentia para Zhao Ji, mas... não era para ser assim! Qingxi se viu perdida em pensamentos, sentindo que toda a experiência transmitida pelos antecessores não bastava para situações como aquela.
Nesse momento, recordou-se do que Ying Zheng lhe dissera outrora: saber demais nunca traz bons frutos.
“Será que acabo de descobrir mais um segredo?” Pensando nisso, a assassina da teia de espiões sentiu-se ainda mais apreensiva quanto ao seu futuro.
Após o desjejum, Ying Zheng partiu acompanhado de Qingxi. Havia alguém à sua espera no Palácio de Xianyang.
Meng Ao, o mais experiente dos generais de Qin, ainda jovem, deixara sua terra natal com a família, vindo de milhares de li de distância, do Estado de Qi, para Qin, buscando uma oportunidade de restaurar a honra de seu clã.
Em Qi, o saber militar que dominava era inútil. Desde que a espinha dorsal daquele Estado fora quebrada, mesmo com o empenho de Tian Dan para reerguê-lo, Qi jamais recuperara sua alma.
Para um discípulo da arte militar como Meng Ao, um Estado sem guerras era um verdadeiro inferno.
Quando Qi rendeu-se à passividade, a guerra deixou de ser necessária, e tampouco a guerra escolheria Qi como palco, pois era grande e rica demais. Nenhum Estado ousaria atacá-la enquanto Qin, ao lado, mantivesse olhar de lobo faminto.
Vendo-se sem futuro em Qi, Meng Ao abandonou a pátria e começou do zero em Qin, o país mais admirado pelos estrategistas militares.
Quarenta anos se passaram, e de um jovem, Meng Ao transformou-se em um ancião de cabelos brancos, tornando-se o primeiro nome entre os militares de Qin.
Posto em tal posição, Meng Ao não se empenhava de bom grado em ser instrutor do rei no estudo da estratégia militar. Contudo, era uma ordem do falecido monarca e, por isso, cumpria-a. Fora ensinar a arte da guerra e as técnicas marciais ao rei, nenhuma outra questão lhe despertava o interesse.
Outro, em seu lugar, já teria aproveitado a ocasião para recomendar ao rei os jovens de sua família, pois ser companheiro de estudos do monarca em tenra idade era uma vantagem inestimável para a carreira de qualquer um. Meng Ao, porém, recusou tal atalho; se seus descendentes fossem talentosos, não precisariam de tais subterfúgios, e se não fossem, tais favores só lhes trariam desgraça.
— General Meng, perdoe a demora — a chegada de Ying Zheng interrompeu as reminiscências de Meng Ao.
— Majestade, chegaste em boa hora — respondeu Meng Ao, levantando-se e saudando-o.
— O que me ensinará hoje, general? — perguntou Ying Zheng, lançando o olhar sobre o mapa atrás de Meng Ao.
No estudo da estratégia militar, o domínio do mapa era o primeiro passo.
— Majestade, hoje falarei sobre a Batalha do Grande Rio, ocorrida há três anos — informou Meng Ao.
— Três anos atrás? A Batalha do Grande Rio? — Ying Zheng expressou surpresa.
Três anos antes, Meng Ao liderara o exército contra o Estado de Wei, sendo derrotado pelo Marquês de Xinling. Tal revés precipitou, inclusive, a coalizão de cinco Estados contra Qin. Essa derrota não trazia boas lembranças nem para Qin, nem para o general.
— Para compreender como vencer uma guerra, é preciso antes saber como se perde. Somente assim é possível evitar os riscos da derrota e, por fim, alcançar a vitória. Não sou um gênio na arte militar, mas os anos de batalha me ensinaram muito; triunfei e fracassei. Contudo, jamais conhecera derrota tão amarga quanto aquela de três anos atrás — recordou Meng Ao.
— Por isso mesmo, tornou-se a lição mais profunda. Para mim, foi uma vergonha; para Vossa Majestade, a experiência mais valiosa — declarou Meng Ao, deixando transparecer expectativa.
Ele acreditava que Ying Zheng compreenderia o sentido de suas palavras.
— Somente quem encara o fracasso com coragem é verdadeiramente forte. Quanto à derrota na Batalha do Grande Rio, a culpa não foi toda do venerável general; foi o falecido rei quem se precipitou — ponderou Ying Zheng.
— Majestade, como assim? — Meng Ao, impactado, indagou.