Capítulo 6: Dezesseis Anos

Di era Qin, aku berdiri megah, menguasai seluruh jagat raya. Kini memerintahkan Leng Ling. 2882kata 2026-03-13 14:46:27

No Palácio Xingle, a música e a dança jamais cessavam; mesmo a presença de Ying Zheng não era capaz de interromper tal espetáculo. Contudo, nem Zhao Ji nem seu filho se deixavam envolver, naquele instante, pela graça e elegância das bailarinas.

— O tempo passa depressa demais — murmurou Zhao Ji de súbito, fitando o filho em silêncio, de modo que, nos olhos de Ying Zheng, quase podia vislumbrar a própria sombra.

— De que fala, mãe? — indagou Ying Zheng, sem compreender.

— Já estamos em novembro — respondeu Zhao Ji.

— Sim, e este novembro está mais frio que o habitual — disse Ying Zheng, aquecendo as mãos junto ao braseiro e sentindo o calor tênue que dele emanava.

— Novembro de dezesseis anos atrás era ainda mais gélido — recordou Zhao Ji.

— Refere-se ao inverno em HD? — Ying Zheng, ao pensar de imediato naquele tempo de dezesseis anos passados, só podia associá-lo à cidade de HD, onde Zhao Ji vivera então. Para Zhao Ji, as memórias de HD superavam em muito as de Xianyang; e para Ying Zheng não era diferente, pois, dos seus quinze anos, nove se desenrolaram em HD, ainda que tais lembranças não fossem exatamente felizes para ele.

— Num piscar de olhos, mais de uma década se foi, e novamente chegou novembro. Logo, em dois meses, meu filho celebrará dezesseis anos — suspirou Zhao Ji, sem que se soubesse se lamentava a iminente maioridade de Ying Zheng ou o fato de sua própria juventude já contar com dezesseis anos a mais.

— Dezesseis anos... — repetiu Ying Zheng, pensativo. Exceto ele próprio, quem na terra de Qin apreciaria que atingisse tal idade? Tal reflexão lhe atravessou a mente.

— Sabes, meu filho, que no Palácio Huayang chegou uma jovem princesa da capital de Chu? — perguntou Zhao Ji, como se de súbito se recordasse de algo, com um sorriso enigmático nos lábios.

— Disso ainda não ouvira falar — respondeu Ying Zheng, após breve pausa.

— Em breve saberás, e, se não me engano, poderá até encontrar-te com tal princesa — Zhao Ji sorriu, com um quê de ironia.

— Mãe, quer dizer...? — Ying Zheng teve um lampejo de compreensão. Na sua outra vida de lembranças, embora não recordasse a existência de uma rainha consorte do rei Zheng, sabia que seu filho mais velho, Fusu, possuía sangue real de Chu. Ao ouvir Zhao Ji, tudo parecia encaixar-se.

— Já não percebeste? — disse Zhao Ji, uma centelha de expectativa nos olhos.

— Creio que sim, mas ignoro se pensei exatamente o mesmo que vós, mãe — respondeu Ying Zheng.

— Então, o que te veio à mente? — insistiu Zhao Ji.

— E o que pensaste tu, mãe? — devolveu Ying Zheng.

— Assim? — Zhao Ji hesitou.

— Que tal escrevê-lo? Eu inscrevo minha resposta na palma esquerda de Qingxi, e vós, mãe, na direita; veremos então se pensamos igual — sugeriu Ying Zheng.

— Uma ideia encantadora — Zhao Ji bateu palmas e riu. Gostava de tais jogos, sobretudo por serem partilhados com quem lhe era mais caro: seu próprio filho.

Em breve, as damas de companhia trouxeram tinta e pincel. Qingxi ajoelhou-se entre Ying Zheng e Zhao Ji, resignada, estendendo ambas as mãos. Por um instante, pensou se sua escolha não fora equivocada: no palácio, não vivia com mais liberdade do que na rede de assassinos Luo Wang.

Quando a ponta fria do pincel tocou a pele delicada de sua mão, a antiga assassina Luo Wang retesou instintivamente o corpo, sentindo um comichão que lhe parecia penetrar até os ossos; contudo, surpreendeu-se ao perceber que a sensação era distinta entre a mão esquerda e a direita.

— Ora, vejamos agora a resposta de meu filho — disse Zhao Ji, ansiosa.

Ao cruzar os braços de Qingxi, mãe e filho depararam-se, simultaneamente, com as inscrições um do outro.

“Rainha.” Em grafias distintas, a mesma palavra.

— Vejo que realmente cresceste, meu filho — suspirou Zhao Ji. — Já compreendes o que é uma mulher.

Ao ouvir tais palavras, Ying Zheng sentiu o rosto corar ligeiramente. Em sua idade, àquela época, já não era mais jovem; e no palácio, as tentações abundavam por todos os lados. Ao ser abordado assim por Zhao Ji, pensamentos indecifráveis lhe vieram ao espírito.

— E o que pensas sobre isso? — perguntou Zhao Ji.

— Os pais decidem, os casamenteiros propõem; tudo depende da vontade de minha mãe — respondeu Ying Zheng, com prudência.

— Irás mesmo atender ao que eu desejar? — redarguiu Zhao Ji.

— Creio que... não — replicou Ying Zheng, sob o olhar expectante da mãe.

— Não? — Zhao Ji franziu o cenho, tornando-se mais grave. Se o filho não lhe desse uma boa explicação, ela não hesitaria em criar-lhe dificuldades.

— Sim. Mãe não aprovaria tal escolha — respondeu Ying Zheng.

No atual palácio do rei de Qin, três mulheres ostentavam o título de “Grande Rainha”: Zhao Ji; Huayang, mãe adotiva do falecido rei Zhuangxiang; e Xia Ji, mãe biológica dele. No tempo em que Yiren (o futuro rei Zhuangxiang) era refém em HD, foi por artifícios de Lü Buwei que chegou a ser adotado por Huayang, ganhando então o nome de Zichu e, entre dezenas de irmãos, tornando-se herdeiro do príncipe An Guojun.

Assim se compôs o cenário de três mulheres dominando o palácio. Xia Ji, por ser originária de Han, naturalmente favorecia Chang'an Jun Chengjiao, que possuía sangue real de Han. Huayang, por sua vez, sem posição definida, apoiava sempre o rei de Qin, fosse quem fosse.

Por causa de Chengjiao, Zhao Ji hostilizava Xia Ji. Seguindo tal lógica, seria de esperar que Zhao Ji mantivesse boas relações com Huayang; mas, na verdade, detestava-a ainda mais. O motivo era difuso. Por isso, ao saber que Huayang trouxera uma jovem princesa de Chu, Zhao Ji não pôde deixar de estar alerta. Não desejava mais uma estrangeira de Chu em sua casa.

Além disso, dentro de dois meses, Ying Zheng completaria dezesseis anos, estando próxima a idade de resolver-se seu matrimônio. Para desgosto de Zhao Ji, não havia escolha mais adequada do que a princesa de Chu. A própria Huayang era de sangue real de Chu; Zhao Ji, embora de nobre origem, não podia rivalizar com tal linhagem.

— E então, meu filho? — perguntou Zhao Ji, impaciente.

— Não havendo opção melhor, resta esperar para ver que tipo de pessoa é essa princesa de Chu — respondeu Ying Zheng.

Mas, somando suas lembranças de outra vida, Ying Zheng já podia imaginar: a mãe de Fusu, certamente, seria uma mulher de natureza suave e gentil.

— Será que não existe outra alternativa além dela? — lamentou Zhao Ji, inconformada.

— Talvez não. Quem sabe, porém, se a princesa de Chu for feia? — Ying Zheng brincou.

— Impossível. A visão de Huayang é refinada — replicou Zhao Ji. Detestava a rainha, mas, como mulher, admitia: Huayang possuía atributos invejados por todas — beleza e inteligência. Na juventude, entre as inúmeras concubinas do príncipe An Guojun, foi Huayang quem conquistou maior favor; sua beleza era sua maior arma. Com tal exemplo, Zhao Ji não acreditava que a princesa de Chu pudesse ser de aparência comum.

— Então, resta-nos aguardar com expectativa — disse Ying Zheng, com um leve sorriso.

— Assim falando, eu mesma fico curiosa para conhecê-la — confidenciou Zhao Ji.

A resposta de Ying Zheng agradou-lhe; mesmo que não tivesse aceitado sua sugestão, ao menos fora franco. Para Zhao Ji, a sinceridade valia mais que a obediência: a obediência afasta, enquanto a sinceridade aproxima e revela.

Mãe e filho prosseguiram na conversa, sem dar-se conta do tempo. Entre eles, os assuntos eram muitos, pois compartilhavam recordações comuns, e tal memória ocupava a maior parte de suas vidas.

A noite avançou sem que percebessem. Como o Palácio de Xianyang distava do Xingle, Ying Zheng decidiu pernoitar ali, afinal, nada o impelia a regressar.