Capítulo 5 - Humilhação

Menantu Tak Diundang, Pahlawan Perang di Zaman Kekacauan Menyebrangi Kehidupan Dunia 3342kata 2026-03-12 14:43:04

Ao perceber tal pensamento, o peito de Ye Chen encheu-se de furor.

Diz-se que, após a morte, as almas se convertem em espíritos vingativos para reclamar suas dívidas; contudo, neste instante, tal rumor mostrava-se infundado.

Era como se Ye Chen estivesse envolto por uma barreira invisível: mesmo que o inimigo estivesse ao alcance da mão, nada podia fazer senão assistir, impotente, ao momento em que suas obras, fruto de tanto empenho e sacrifício, eram tomadas por outrem, que, sem esforço algum, colhia os louros e a admiração de todos.

Essas pinturas não foram criadas para receber elogios alheios, mas sim para servir de amparo ao próprio espírito de Ye Chen. Nos últimos dois anos, devido às inúmeras ações de Ye Mu, seu ânimo caíra a um abismo sombrio.

Chegou a procurar os mais renomados médicos da cidade, os quais diagnosticaram-lhe a “doença do lírio”. As ervas medicinais só conseguiam atenuar os sintomas, sem jamais curar a raiz do mal; o médico recomendara-lhe afastar-se de tudo que lhe era nefasto ou, ao menos, aprender a curar-se por si mesmo.

Ye Chen sabia, no fundo, que a causa de sua desventura eram Ye Mu e Liu Ruyan.

Dominado por um apego profundo, permitiu-se afundar, passo a passo, nas águas turvas do sofrimento. Antes de abandonar definitivamente a casa dos Ye, Ye Chen costumava recolher-se em seu aposento, buscando, por meio da pintura, restituir-se após cada ferida.

No entanto, nem mesmo essas telas, impregnadas de sua alma, foram poupadas por Ye Mu.

De súbito, alguém na multidão notou o pseudônimo oculto entre os traços.

Certa feita, Ye Chen, sob o nome de “Jasmin”, participou de um célebre concurso de arte do Reino de Jing, causando comoção e tornando-se célebre de imediato. Naquela época, seus pais depositavam nele grandes expectativas, e por isso abandonou a carreira artística.

Dois anos mais tarde, Ye Mu desenterrou aquelas obras jamais apresentadas ao público.

Era costume de Ye Chen ocultar de maneira engenhosa seu pseudônimo nas pinturas, de modo que alguns admiradores antigos logo reconheceram o estilo inconfundível de suas mãos, embora equivocadamente atribuíssem a autoria a Ye Mu.

O passado veio à tona. Parte do público passou a acusar Ye Chen de se passar por Jasmin, enquanto outra parte não poupava elogios a Ye Mu.

Assim, Ye Mu angariou, aos olhos de todos, fama de jovem prodígio e coração generoso.

O caso logo se alastrou entre o povo, e o nome de Ye Chen era tema de conversas e censuras, acusado de se apropriar da identidade de Jasmin.

Até mesmo as obras de caridade que outrora realizara sob o nome de Jasmin passaram a ser creditadas a Ye Mu.

Diante de sopros e murmúrios, Liu Ruyan deixou transparecer em seus olhos um emaranhado de sentimentos. Embora ignorasse que Jasmin era, na verdade, Ye Chen, conhecia profundamente o estilo de Ye Mu.

— Irmão Mu, estas pinturas são realmente de sua autoria? — indagou Liu Ruyan, incapaz de actar a desconfiança.

Os olhos de Ye Mu encheram-se de lágrimas:

— Cunhada, se não fossem minhas, seriam de quem? Você mesma já elogiou meus desenhos.

— Apenas acho que o estilo difere muito do que você costuma fazer — insistiu Liu Ruyan, tomada de incertezas.

Ye Mu apressou-se em justificar:

— Ninguém está restrito a um só estilo. Sei pintar de muitas formas, cunhada, com o tempo você compreenderá.

Ao terminar, seus dedos deslizaram ousadamente pelo colo de Liu Ruyan, descendo, atrevidos.

Liu Ruyan, temendo que alguém presenciasse tal cena, afastou-lhe a mão de pronto, dizendo:

— O evento está para começar, vamos nos sentar.

A alma de Ye Chen foi forçada a segui-los até o salão da exposição.

Naquele dia, altos dignitários, nobres apreciadores das artes e letrados de fina erudição reuniam-se para contemplar as obras. Muitos vieram de longe, atraídos pela fama das pinturas de Jasmin; o recinto fervilhava de conversas e expectativas.

Liu Ruyan atravessou a multidão, roçando her ombro em um estranho.

— Perdão — disse uma voz rouca, pertencente a um homem encurvado, cujo rosto permanecia oculto.

Quando o homem ergueu a cabeça, seus olhos, vermelhos e cheios de veias, reluziram.

Um trovão pareceu explodir no peito de Ye Chen.

Era o assassino que lhe roubara a vida, surgido ali, inesperadamente!

Embora o semblante diferisse do daquela noite, aqueles olhos Ye Chen jamais confundiria, mesmo que tudo o mais se desfizesse em conducto. O homem era mestre em disfarces: antes, imponente; agora, curvado e de pele enrugada, aparentava ser um velho à beira da morte.

Ver o assassino ali trouxe de volta o terror da morte — aquela dor lancinante, a lâmina mortal que, sem um rumor, trespassara-lhe as costas.

Ye Chen sempre tratara a todos com gentileza, e não conseguia imaginar que inimizade motivaria tamanha brutalidade.

O comportamento do assassino era estranho, o disfarce perfeito; seria, acaso, um matador de aluguel?

Mas, se já o matara, por que estava ali? Estaria atrás de outra vítima?

A primeira reação de Ye Chen foi fugir, até recordar-se, enfim, de sua condição: já não era deste mundo; de que serviria temer?

Liu Ruyan, distraída, deu um tapinha no ombro do estranho, sem fitá-lo, e murmurou:

— Não foi nada.

O olhar do homem, porém, fixou-se em Ye Chen, gélido, cruel, sedento de sangue — idêntico ao do instante final de sua vida.

Mesmo morto, Ye Chen sentiu o corpo paralisar de medo, preso onde estava.

Seria possível que aquele homem pudesse vê-lo?

A voz baixa de Liu Ruyan cortou o ar:

— Tia.

Ye Chen voltou a si, percebendo double que o olhar do homem passava por ele e recaía sobre Liu Ruoxin.

Os nervos, antes tensos, começaram enfim a relaxar.

Qiao Jin empurrava a cadeira de rodas de Liu Ruoxin, detendo-se diante de Liu Ruyan.

O olhar de Liu Ruoxin, frio e cortante, fez Liu Ruyan estremecer.

— Pelo que sei, desde o casamento Ye Chen está desaparecido. E você ainda encontra ânimo para vir à exposição? — questionou ela.

Quem se preocupava com o paradeiro de Ye Chen não era a família, nem a esposa, mas sim esta mulher, de laços tão distantes.

— Ye Chen não é mais uma criança, vai onde quer. Sempre foi obstinado; quando se cansar, voltará — respondeu Liu Ruyan, indiferente, em contraste com a severidade de Liu Ruoxin.

— E se lhe aconteceu algo?

O rosto de Liu Ruyan empalideceu, mas antes que pudesse responder, Ye Mu interveio:

— Tia, como meu irmão poderia se meter em problemas? Já foi para Nanyang há tempos.

— O que disse? — questionou Liu Ruyan.

— Cunhada, só soube hoje, por parentes de Nanyang: meu irmão pediu-lhes ajuda para encontrar morada.

De fato, Ye Chen mencionara várias vezes o desejo de viver entre as montanhas e neves de Nanyang, ansiando por paz.

Após o casamento, com o intuito de livrar-se definitivamente do sofrimento causado por Liu Ruyan e Ye Mu, reservou uma passagem de barco para Nanyang.

Pretendia, originalmente, expor no altar as vergonhas e ambiguidade entre Liu Ruyan e Ye Mu, mas, temendo romper os laços entre as famílias Ye e Liu, decidiu vingar-se e partir.

Ye Mu continuou:

— Para ter certeza, investiguei; ele realmente comprou a passagem.

O rosto de Liu Ruyan transformou-se, da preocupação à cólera:

— Não me surpreende que não o encontremos; foi embora sem dizer palavra!

— Não se zangue, cunhada. Meu irmão nunca se importou muito com os sentimentos dos outros; já estamos acostumados.

Na verdade, bastaria uma simples averiguação para constatar que, embora Ye Chen tivesse adquirido o bilhete, jamais embarcara.

Contudo, Liu Ruyan sequer se dignou a investigar, aceitando sem questionar as palavras de Ye Mu.

Ye Chen esboçou um sorriso amargo e percebeu, então, o leve sorriso de escárnio no canto dos lábios de Liu Ruoxin — idêntico ao seu.

Era como se Liu Ruoxin enxergasse tudo.

Deixou cair, fria, uma frase:

— Espero que não se arrependa.

Os olhos de Ye Chen se arregalaram: que significavam aquelas palavras? Acaso, ela sabia de algo?

Liu Ruyan também pressentiu o duplo sentido, mas antes que pudesse perguntar, Qiao Jin já levava Liu Ruoxin para longe.

Ye Mu tomou o braço de Liu Ruyan:

— Cunhada, a exposição vai começar, vamos nos sentar.

Ye Chen, inquieto, vasculhava o salão em busca do assassino. Encontrou-o, enfim, oculto nas sombras, como uma criatura indesejada, os olhos cravados em Liu Ruyan.

Por mais que se esforçasse, Ye Chen não conseguia recordar onde já vira antes aquele olhar.

Quem seria? Por que, após matá-lo, voltara ali?

Mais inquietante: se estava morto, onde estava seu corpo?

Observou o assassino e Ye Mu, não notando qualquer sinal de cumplicidade entre eles.

Seria possível que não fora Ye Mu quem o contratara?

— Mil taéis! — a voz de Liu Ruyan ecoou, crendo tratar-se de uma obra de Ye Mu, e desejando, assim, demonstrar seu afeto.

Ye Mu, enternecido, acomodou-se ao seu lado, despertando a inveja dos presentes, que teciam elogios à harmonia entre os dois.

Ouvindo tais palavras, Ye Chen só podia rir amargamente.

Se todos soubessem das torpezas ocultas e transgressoras entre eles, que diriam?

— Dois mil taéis!

Uma voz gélida soou no salão, atraindo a atenção de Ye Chen.

Era Liu Ruoxin quem aumentava o lance.

Por que ela desejava aquela pintura? O ar parecia denso de rivalidade.

Aos olhos de Liu Ruyan, Liu Ruoxin não buscava apenas arrematar o quadro.

— Quatro mil taéis — Liu Ruyan elevou a oferta.

— Oito mil taéis — respondeu Liu Ruoxin, impassível.

Um sussurro de espanto percorreu o salão; o valor era exorbitante.

Liu Ruyan, que ainda não controlava a fortuna da família Liu, não podia arcar com soma tão vultosa; o gesto de Liu Ruoxin feria-lhe o orgulho.

— Tia, tem algum mal-entendido comigo? — perguntou Liu Ruyan.

Liu Ruoxin fitou-a demoradamente.

— Liu Ruyan, desta vez não recuarei.

Ceder? Ceder o quê?