Por que te desculpas?

Berpelukanlah, anggap saja kita tak pernah benar-benar bersama. Mengirimkan doa bagi kegelisahan. 2478kata 2026-03-14 14:42:02

楚 Ge permanecia sentada ali, os olhos inflamados pela zombaria que sofria. Rong Ze lançou-lhe um olhar; ao vê-la naquele estado de embaraço e impotência, acabou por ser Lu Zaiqing quem, tomado de súbita cólera, se ergueu de um salto. Observando Chu Ge, que mantinha a cabeça baixa, sem saber o que dizer, sentiu que aquela postura humilde e submissa apenas lhe acendia ainda mais o furor.

Uma humildade que beirava o ultraje, despertando uma ira quase incontrolável.

Rong Ze comentou, “Ora, por que se importa tanto com uma senhorita dessas?”

Lu Zaiqing arqueou as sobrancelhas; quando viu Chu Ge levantar o rosto, percebeu a expressão de mágoa estampada em seus traços delicados, o que só fez crescer sua irritação. “O que você está fazendo, afinal?”

Chu Ge disse, “Desculpe, senhor Lu… Fui eu que cantei mal.”

Lu Zaiqing explodiu: “Por que está pedindo desculpas?!”

Chu Ge engoliu em seco. “O senhor… ficou irritado.”

“Se eu estou irritado, por que você não reflete sobre o motivo de me ter enfurecido?”

Quando Lu Zaiqing se irava, seus olhos oblíquos e alongados adquiriam uma expressão quase cruel; sob aquele olhar cortante, Chu Ge estremeceu instintivamente. “Eu refleti, foi minha ignorância… Senhor Lu, diga o que devo aprender, eu voltarei e me empenharei…”

Ela era dócil, obedecia sem titubear, jamais cometia deslizes. E, no entanto, Lu Zaiqing não compreendia por que perdia a calma com uma Chu Ge assim. Afinal, fora ele mesmo quem lhe pedira para cantar; mas, ao fim, era ela quem se desculpava.

Lu Zaiqing deixou cair três palavras, ríspidas: “Pode ir embora.”

Ao menos mantinha o juízo de não lhe atirar, com desprezo, a palavra “suma”.

Talvez porque o pavor estampado no rosto de Chu Ge já o deixasse desconcertado a ponto de não suportar confrontá-la.

Chu Ge olhou para Lu Zaiqing, atônita; após ele repetir a ordem, ela pegou a bolsa, ergueu-se, ajeitou apressadamente os cabelos sobre os ombros. O cabelo, longo até a cintura, negro e lustroso, caía-lhe em ondas enquanto se curvava, lembrando uma deusa do lar — mas, para Lu Zaiqing, tudo aquilo parecia terrivelmente insípido.

De que servia uma aparência bela?

Seu interior era de uma vulgaridade tal que ele não podia suportar.

Lu Zaiqing achava impossível voltar a procurar Chu Ge; a transação terminava ali. Embora corresse à boca miúda que a jovem lhe entregara a sua primeira vez, adquirida sob o rótulo de virgindade.

E de que servia isso? No fim, ela não passava de uma mulher vendida; importaria, para alguém como ela, a tal pureza?

Lu Zaiqing já não sentia nem um resquício de culpa. Observou enquanto Chu Ge, de saltos delicados, se afastava; todos a seguiram com o olhar, absortos, antes de recobrarem o ânimo.

“Corpo esbelto, rosto bonito”, murmurou Rong Ze. “Pena que tanto a inteligência quanto a sensibilidade emocional lhe faltam.”

Outro amigo, Xiao Li, comentou entre risos, “Você foi severo demais com ela.”

Lu Zaiqing respondeu, “E você, se encontrasse uma mulher assim… de raciocínio tão lento, não perderia a paciência?”

Xiao Li riu desordenadamente. “Não, porque eu jamais permitiria que uma mulher dessas sequer se aproximasse.”

Pois bem, a língua dele era ainda mais ferina.

O ambiente no salão logo retomou o clima de embriaguez de antes, como se a partida de Chu Ge nada tivesse alterado.

Ninguém, jamais, deteve-se diante da mágoa que ela sentira.

Nesta cidade, quem ocupa o topo ignora, como se fosse natural, o sofrimento de todos que ocupam os degraus inferiores da cadeia alimentar.

******

Quando Chu Ge regressou ao seu pequeno apartamento alugado, gastara mais de duzentos no táxi.

Morava numa zona afastada, pois o centro era caro demais; só nos arredores os aluguéis eram vagamente acessíveis para o seu bolso.

Chegando em casa, desfez a maquiagem e deitou-se. Lembrou-se então de ligar para a mãe. Assim que a ligação foi atendida, uma estridente sequência de choros atravessou o fio.

“Ah, Chu Ge, por que só agora resolve ligar?”

A mãe, Deng Shuixian, queixou-se, “O arroz de casa está acabando, mande logo um saco desses daí da cidade grande; e Xiaobao precisa trocar de leite…”

Ela ouviu Xiaobao choramingar ao fundo: “Mana, mana…”

“Mana está aqui”, Deng Shuixian levou o telefone até Xiaobao, “Ela está do outro lado, trabalhando para ganhar dinheiro. Quando nosso Xiaobao crescer, não terá dificuldade para arranjar esposa.”

Chu Ge ouviu as lamúrias da mãe e, com doçura, disse, “Mamãe, que arroz querem comer? Não tem aí na aldeia?”

“Mas que pergunta é essa? O mesmo arroz tailandês perfumado que você comprou da última vez! Agora o pessoal da aldeia vive vindo aqui comer, dizendo que nossa filha foi trabalhar na cidade grande e querem todos aproveitar; até a filha do velho Liu quer ir até Baicheng atrás de você. Chu Ge, estou avisando, aquela moça não presta, só pensa em tomar seu lugar, não a deixe chegar perto.”

Deng Shuixian tagarelou por longo tempo, até que Xiaobao, que antes não chorava, voltou a berrar. Ele tinha cinco anos, era irmão de Chu Ge, nomeado Chu Wei; assemelhava-se a ela, ambos de olhos grandes e expressivos.

Chu Ge ouviu pacientemente todas as recomendações da mãe; pediam dinheiro, pediam coisas, como se, tendo ela obtido algum sucesso, se tornara o derradeiro esteio da família. Sempre que havia um problema, recorriam à filha distante, pois o dinheiro dela era o dinheiro da casa.

Segundo Deng Shuixian, criara a filha para, agora, ser sustentada por ela; do contrário, para que tê-la posto no mundo?

Chu Ge não sabia como rebater; em sua aldeia, todos pensavam assim.

Mas o “sucesso” de Chu Ge… estava longe de ser aquilo que imaginavam.

Após desligar, pensou que teria de ir ao banco no dia seguinte para enviar dinheiro à família. Cogitou se não seria hora de abrir uma conta bancária; usar só a caderneta estava, de fato, se tornando inconveniente.

Encolheu-se na pequena casa e adormeceu. Sonhou, mais uma vez, com as repreensões de Lu Zaiqing; acordou sobressaltada e, ao olhar o celular, era oito da manhã.

Preparou-se para sair, mas, ao abrir a porta, uma silhueta atirou-se sobre ela.

“Quem é você—?” Chu Ge gritou, mas alguém sussurrou, “Sou eu, Chu Ge!”

A voz lhe parecia familiar.

Recobrando o sentido, estacou, assustada. “Wang Yan? É você?”

Wang Yan costumava ajudar a família de Chu Ge nos afazeres; era alto e forte, Chu Ge lembrava-se bem dele.

Enfim, ele largou a mão que tapava a boca dela e, vendo-a, sorriu com simplicidade. “Não falei pra você? Ouvi dizer que estava na cidade grande… Pedi à sua mãe o endereço pra vir te ver. Ela disse que você está por cima, manda cinco mil por mês pra casa, ganha mais que nós, homens!”

“Irmão Wang Yan, por que não avisou que vinha?” Chu Ge surpreendeu-se. “Eu estava de saída… Preciso ir ao banco. Queria falar comigo?”

Wang Yan esfregou as mãos, demonstrando certa ansiedade. “Não, só… só senti saudade. Você saiu faz três meses, e não há moça mais bonita que você na aldeia. Senti falta.”

Chu Ge sorriu, um rubor suave tingindo o rosto alvo. “Obrigada, irmão Wang Yan. Que tal, depois do banco, irmos comer algo? Veio de ônibus? Está cansado?”

“Chu Ge, você é mesmo especial.”

Wang Yan agarrou-lhe a mão, sem querer soltar. “Você é tão boa, pensa nos outros. Vim de ônibus, não estou cansado, não.”

Chu Ge, um tanto constrangida, retirou a mão suavemente. “Então, vamos juntos ao banco; preciso abrir uma conta.”

“O quê? Você vai abrir conta! Isso sim é progresso, esse cartão fininho… Só vi nas mãos do Wu Jun.”

Wu Jun, o filho do chefe da aldeia.