【03】Não me faça passar vergonha
Mas a realidade não permitia a Chu Ge perder-se em pensamentos; Lu Zaiqing não lhe concedeu tempo para resistir, e levou-a diretamente ao Palácio Oriental. Quando Chu Ge desceu do carro, sentiu-se tonta, quase sucumbindo ao impulso de vomitar à beira do caminho.
Lu Zaiqing, indiferente, sorriu friamente: “Não me faça passar vergonha lá dentro, ouviu?”
Chu Ge nada respondeu; ergueu os olhos avermelhados, demorando a recompor-se, até finalmente murmurar, num fio de voz: “Hm.”
Depois, Lu Zaiqing empurrou a porta, adentrando o recinto onde seus camaradas, entregues à embriaguez e ao devaneio, o aguardavam. Alguém, em tom de galhofa, exclamou: “Eu bem que disse! Trouxe mesmo uma garota!”
“Quando foi que Lu Zaiqing esteve acompanhado de outro homem?”
Os amigos riram em alto e bom som, enquanto Chu Ge permanecia ali, constrangida, sem saber aonde mirar.
O lugar era de uma opulência incomum, cada centímetro valendo ouro, com uma decoração de requinte extremo; Chu Ge sentiu-se completamente deslocada naquela mansão singular.
Jamais presenciara tamanho esplendor.
Era como um clube privado de elite — superior até mesmo aos clubes de luxo, de uma riqueza desmedida.
Instintivamente, apertou os dedos, mas, enquanto se mantinha silenciosa, de cabeça baixa, seu rosto pálido exibindo uma pureza cristalina e uma nuance de temor, os homens ao redor assobiaram provocando: “Olha só, isso é raro.”
“É uma virgem?”
“De onde você arranjou essa moça?”
Lu Zaiqing sorriu com um significado profundo: “Com uma garota dessas, que vive de vender-se, quem se importa se é virgem ou não? Fingir inocência é matéria obrigatória, está claro? Quem não sabe fazer cara de pura nem deveria se dizer entregadora.”
“Nosso Lu sabe das coisas.”
Os olhares dos homens sobre Chu Ge mudaram de súbito; ela continuava estática, desconcertada, as roupas um tanto desalinhadas desde que saíra apressada do restaurante japonês, sem se deter para arrumá-las. Com o cabelo preso num rabo de cavalo simples, parecia uma cordeira entregue aos lobos.
“Sabe cantar?” Alguém lhe estendeu um microfone; Chu Ge sobressaltou-se, apressando-se a dizer: “Eu... minha voz não é bonita para cantar...”
“Mas sua voz falando é bem agradável.”
O homem olhou-a com malícia, ignorando Lu Zaiqing, e puxou-a para junto de si — para eles, uma mulher como Chu Ge era objeto de uso comum, e não valia a pena disputá-la; quem quisesse, podia levar.
Sentada em seu colo, Chu Ge tremia de medo, o microfone pressionado entre os dedos por mãos masculinas: “Canta para mim, vai?”
Ela recuou, trêmula e frágil: “Eu... eu realmente não sei cantar...”
Ainda mais porque ele escolhera uma canção em inglês, idioma que ela desconhecia por completo...
O homem irritou-se: “Trabalha nisso e não sabe cantar? Tá de brincadeira? Tá exagerando no teatro, entendeu?”
Chu Ge sobressaltou-se; ele estendeu a mão para agarrá-la, ela tentou esquivar-se, mas a palma grande pegou em seu rabo de cavalo, arrancando o elástico num movimento brusco.
Num segundo, a cabeleira negra se derramou como uma cascata; Chu Ge mal teve tempo de reagir, e o homem que lhe tirara o elástico ficou igualmente surpreso.
Com os olhos arregalados, o rosto ainda marcado pelo susto.
Rong Ze, atônito, recobrou-se e vociferou: “Que diabos de expressão é essa?!”
Lu Zaiqing, segurando o copo de bebida, lançou-lhes um olhar e riu com desprezo: “Artifício velho, não se deixem enganar.”
O olhar de Rong Ze vacilou: “Droga... foi de propósito, não foi?”
Chu Ge encolheu-se num canto do sofá, os cabelos negros caindo desordenados sobre o rosto e os ombros; estendeu a mão para Rong Ze: “Por favor, o meu elástico...”
Rong Ze, como se descartasse lixo, atirou-lhe o elástico no rosto, o impacto fez doer, enquanto Lu Zaiqing, divertido, não conteve o riso: “Desculpe, caipira.”
“Caipira, pra quê você trouxe?”
“Pra vê-la passar vergonha, é divertido.” Lu Zaiqing escancarou um sorriso desdenhoso, agitou a mão como quem chama um cãozinho, e Chu Ge sentiu-se, aos olhos deles, completamente exposta, despida de qualquer dignidade.