Capítulo Oito: Uma Mutação Súbita

Para Bangsawan Agung Dinasti Song Sembilan Lubang 2568kata 2026-03-15 14:41:14

        Ao mesmo tempo, Si Luoyi e Guo Wuwei sentiram que, de súbito, as peças de jade Yangri e Yinyue, que traziam ao peito, emanaram uma força de sucção imensa, fazendo com que o verdadeiro qi em seus dantians fosse involuntariamente drenado para os respectivos pingentes de jade.     Então, dos pingentes surgiram, abruptamente, dois feixes de luz — um negro e outro branco — que dispararam em direção ao pingente Tianxing, no peito de Ye Chen.     Imediatamente, Yu Daoxiang sentiu uma força colossal irromper do corpo de Ye Chen. Ela mal teve tempo de soltar um grito delicado antes de ser lançada para trás, atravessando a porta do templo e indo chocar-se contra a estátua do Buda reclinado.

        Ye Chen, em meio a um torpor nebuloso, de repente percebeu que surgiam em seu peito duas forças — uma gélida, outra abrasadora — que, misteriosamente, ocupavam cada qual metade de seu corpo, circulando de formas que ele absolutamente não compreendia.     Em um instante, as duas sensações extremas invadiram-lhe todo o ser: o lado esquerdo era tomado por um frio cortante, como se estivesse completamente congelado, privado de qualquer sensação; o lado direito, por sua vez, ardia em um fogo violento, tão intenso e doloroso que, não fosse sua incapacidade de emitir sons, já teria gritado de agonia. O estranho, porém, é que essas energias extremas pareciam restringir-se apenas ao seu corpo, sem a menor dissipação para o exterior, de modo que suas vestes permaneciam intactas.

        Tal estado perdurou por dois ou três breves instantes; atônitos, Si Luoyi e Guo Wuwei finalmente vislumbraram a causa e apressaram-se em soltar as mãos com que seguravam Ye Chen.     Subjugado por uma dor lancinante, como se punhais finos e gélidos lhe trespassassem o coração, Ye Chen tombou para trás, caindo ao chão.     No exato momento em que tombou, as duas energias extremas converteram todos os seus meridianos em um campo de batalha, travando entre si um embate violento e incessante. A dor era tal qual se milhares de lâminas diminutas lhe dilacerassem os canais de energia e os órgãos internos; não fosse sua mudez forçada, já teria extravasado gritos desesperados.     Agora, porém, todo o seu corpo estremecia incontrolavelmente, subjugado a uma agonia sem par.

        Todos os sentidos de Ye Chen tornaram-se inúteis; não via, não ouvia. Era como se tivesse sido lançado em um vazio absoluto, sem saber onde estava ou o que acontecia, tendo por única companhia ondas sucessivas de dor e tormento cada vez mais intensos.     No abismo dessa desolação, uma tênue sensação de calor despontou, e, embora a dor ainda clamasse pelo alívio da morte, sua consciência começou a recobrar clareza. Percebeu, de maneira sutil, que esse calor nascia no centro do coração, difundindo-se lentamente pelos vasos sanguíneos.

        Era um calor que se situava entre o gelo e o fogo, talvez fruto da fusão ou da mediação dessas duas energias opostas — ou, quem sabe, algo inteiramente novo, nascido do embate extremo.     À beira do desespero, Ye Chen já não tinha tempo para questionar a natureza daquele fenômeno extraordinário; esforçava-se apenas para esquecer a dor cortante e concentrar-se no minúsculo foco de calor que lhe restava no coração.

        A sensação cálida foi-se expandindo, e, através dos canais principais de energia, estendeu-se lentamente por todo o corpo. Os pais de Ye Chen, em sua vida anterior, eram um médico ocidental e outro oriental; por isso, desde a infância, ele tivera algum contato com a medicina tradicional chinesa, e reconhecia que o calor parecia fluir pelos canais Ren e Du, espalhando-se pelos meridianos.     Após alguns instantes, Ye Chen sentiu que a dor começava, pouco a pouco, a se dissipar. Seus sentidos, lentamente, retornaram, e ele passou a perceber outra vez a presença do próprio corpo e dos membros.

        Contudo, levantar-se e fugir ainda lhe era algo completamente inalcançável.

        No entanto, Ye Chen não sentia qualquer alegria. Embora não compreendesse artes marciais ou taoístas, podia intuir que aquela tênue energia cálida apenas prolongaria sua vida por algum tempo. Seu corpo, devastado pelas energias extremas, estava ou congelado como carne morta, ou queimado como carne assada; quase todas as funções haviam-se deteriorado. Ele era, agora, um moribundo paralisado, à beira da morte.     E aquela pequena parcela de energia gentil apenas o condenava a prolongar o suplício.     Nesse momento, Yu Luosha, Si Luoyi e Guo Wuwei formavam um triângulo ao redor de Ye Chen, observando-o com assombro e incerteza enquanto ele suportava dores atrozes, sem jamais perder a consciência. Após a experiência anterior, nenhum dos três ousava tocá-lo, tampouco entre si prosseguiam em conflito.

        Foi então que algo ainda mais extraordinário ocorreu.     Após o contato cessar, o brilho do pingente Tianxing ao peito de Ye Chen havia-se extinguido, porém, subitamente, voltou a fulgurar como estrelas no firmamento.     Ye Chen, já desalentado, desejava apenas morrer para pôr fim ao seu sofrimento, quando sentiu, inesperadamente, uma brisa fresca e suave irradiar-se do peito, propagando-se por todo o corpo a uma velocidade vertiginosa.

        “Boom!”     Ye Chen sentiu como se, em seu interior, um vulcão entrasse em erupção ao mesmo tempo em que avalanches e fraturas gélidas o assolassem; seus olhos se encheram de pontos dourados, mas ele não perdeu a consciência. Fluxos frios e quentes explodiram a partir de seu corpo, e, ao longe, ele ouviu três vozes exclamarem em espanto.

        No instante seguinte, Ye Chen percebeu-se subitamente erguido do chão, seu corpo completamente fora de controle; soltando um brado selvagem, pôs-se a correr desvairado, como se tomado por loucura.

        Estrondo...

        Ye Chen atravessou a parede de encontro, deixando nela uma silhueta humana, e partiu veloz, mais rápido que qualquer cavalo em disparada.     Saiu do templo, embrenhou-se na floresta, chocou-se contra inúmeras árvores e, então, adentrou uma vasta pradaria.

        Ye Chen galopava pela relva, sem rumo ou consciência do que fazia. Não sabia que corria; sua mente, após o embate extremo entre gelo e fogo, parecia desligada do corpo, agora palco de lembranças que se sucediam tumultuadas, como se a alma já não tivesse vínculo algum com a carne. Tudo se tornara disperso, sem objetivo.

        Quando o calor predominava, o frio recuava, permitindo que o fogo lhe consumisse o coração; exalava hálito abrasador, seu corpo inteiro ardia, tudo ao redor tremulava, e o ar que inspirava era feito de chamas, o suor evaporando tão logo brotava dos poros. Sua vida, nesse ínterim, esvaía-se, e ele pensava apenas em encontrar as águas geladas de um rio — razão pela qual continuava a correr, em busca de uma nascente.

        Porém o frio, sem aviso, voltava a emergir, substituindo o fogo; seus pulsos retardavam, o sangue quase se solidificava. Então, só lhe restava correr, temendo que o gelo lhe paralisasse o fluxo vital, e ansiando pelo retorno do calor.

        Após incontáveis alternâncias entre calor e frio, seu corpo adormeceu, insensível a tudo.     Uma torrente de recordações irrompeu-lhe à mente.     Fora capitão de um pelotão de atiradores de elite, campeão de tiro em toda a corporação, e, durante o cumprimento de uma missão, o pingente ancestral da família brilhou subitamente — e ele, de modo inexplicável, veio parar neste mundo, ou melhor, nesta era.

        Agora, ao evocar tal lembrança, Ye Chen sentia apenas vontade de chorar; mas as lágrimas, se não evaporavam, congelavam antes de rolar. Tinha, outrora, uma noiva amada, com quem já estava noivo e cujo casamento, marcado para dali a três meses, seria o início de uma vida feliz.     No entanto, ao ser lançado misteriosamente a este tempo, tudo isso se tornou irremediavelmente distante. Restava-lhe apenas suportar dor extrema e, enfim, morrer.

        Não se sabe quanto tempo transcorreu, quando, subitamente, a alma de Ye Chen pareceu regressar ao corpo como quem retorna de uma noite escura; cessaram por completo as sensações de frio e calor, e ele sentia-se flutuar, leve como pluma.     Só então percebeu que corria pela estepe, a uma velocidade muito superior a qualquer esforço outrora realizado; a terra fugia sob seus pés, e as nuvens do céu pareciam desabar sobre sua cabeça.

        Por fim, um cansaço avassalador apoderou-se de todo o seu ser; na mente, um trovão ribombou como se o céu desabasse, e ele tombou adiante, rolando por mais de uma dezena de vezes até, finalmente, precipitar-se no leito de um grande rio, onde perdeu os sentidos.

        Esse rio de águas turvas era o maior do Norte, o lendário Rio Amarelo.

        …

        …