Capítulo 008: As Condições do Procurador

Kota Roh yang Bermunculan Hutan Jeruk 3555kata 2026-03-15 14:32:01

O Corvo não foi o primeiro do terceiro ano, turma oito, a entrar em contato com Zhou Jun, mas sempre o observou atentamente, pois alguém que, ao ser testado pelo Wei Junzhi com uma brisa suave no rosto, não teve sequer um arranhão, nem um fio de roupa rasgado, certamente não era um personagem comum.

Não contou esses detalhes a Xue Linghan porque não queria que um julgamento precipitado de sua parte levasse a um erro; todo julgamento requer tempo, experimentação e tentativas constantes. Por isso, manteve os olhos em Zhou Jun, certificando-se de que este não empregara nenhum truque.

Ao ouvir o Corvo dizer que tinha provas, Xue Linghan perguntou prontamente:
— Que provas você tem?

— Tenho um vídeo no celular que pode provar que Zhou Jun não caluniou He Hehe! — O Corvo jogou o aparelho sobre a mesa, e Xue Linghan agarrou-o, analisando com atenção o trecho gravado.

— Uau, Corvo, quando foi que você comprou um iPhone 50? — Jiao Hougeng não se conteve e aproximou-se para ver o celular, mas recebeu de Xue Linghan um olhar gélido, que o fez recuar:
— Isso não vem ao caso!

— Desculpa, desculpa! — Jiao Hougeng riu, constrangido, afastando-se.

Xue Linghan fixou os olhos no vídeo. A gravação focava apenas Zhou Jun e, desde o momento em que Hua Lei colidiu com He Hehe, Zhou Jun permaneceu com os braços cruzados, sem alterar o gesto nem ao se levantar. Só quando correu para apanhar a garrafa de “Sonho Diurno” é que se moveu, sem contudo qualquer ação suspeita.

— Hmph, esse vídeo não é necessariamente a verdade. Se ele pode nos enganar, também pode enganar a câmera! — murmurou Jiao Hougeng.

O Corvo, indiferente, respondeu:
— Está duvidando da minha habilidade? Mas este é um iPhone 50! Pode-se desacelerar quadro a quadro. Se não forem capazes de analisar, entreguem à polícia!

Xue Linghan ergueu o olhar para Zhou Jun; nos olhos frios, uma agudeza implacável cravou-se nos olhos do rapaz. Se Zhou Jun estivesse mentindo, ela perceberia. No entanto, não viu nada: os olhos dele transbordavam apenas inocência e nitidez, como os de um menino alheio ao mundo, sem mácula. Pareciam dizer: “Prejudicar alguém? Como eu poderia?”

Xue Linghan sentiu-se frustrada; suspeitava ter acusado Zhou Jun injustamente. Mas, se não fora ele, restava He Hehe — e o que fazer?

— Cof, cof! Irmã Han, pare de encarar, vai acabar descarregando a bateria! — brincou Jiao Hougeng.

Só então Xue Linghan despertou, lançando-lhe um olhar irritado:
— Por que ainda não chamou a polícia?

Nada mais restava senão entregar o caso às autoridades. Primeiro, porque se coubesse a ela julgar, não teria coragem de punir quem quer que fosse o portador da droga; segundo, porque o mundo dos poderes especiais impunha regras: conflitos entre pessoas com habilidades e civis deviam ser resolvidos pela polícia; nem mesmo a Liga da Justiça podia intervir. Se um civil fosse ferido por um portador de habilidades, fosse física ou psicologicamente, ela teria de arcar com grande responsabilidade.

Jiao Hougeng, sentido, murmurou:
— Não foi você quem pediu ao Hua Lei que chamasse a polícia?

— Agora estou pedindo a você! — Xue Linghan sentou-se furiosa, em silêncio.

Diante da cena, todos se entreolharam — alguns censurando Jiao Hougeng pelas palavras, outros nutrindo ainda mais ódio por Zhou Jun, como se de fato ele tivesse incriminado He Hehe.

A polícia chegou em breve, levando He Hehe, Zhou Jun e alguns testemunhas, entre elas Hua Lei, Jiao Hougeng e o Corvo; Xue Linghan não foi — e, surpreendentemente, nem sequer foi chamada. Pelo semblante dos policiais, era claro que não ousavam provocar aquela jovem senhora, o que apenas aguçou a curiosidade de Zhou Jun quanto à sua verdadeira identidade.

Numa sala de interrogatório isolada, Zhou Jun recostava-se na cadeira gelada, defronte a um espelho que ocupava metade da parede. Sabia que, do outro lado, o vidro era transparente e policiais o observavam atentamente.

Era a primeira vez, em toda sua vida, que Zhou Jun entrava numa delegacia. O ambiente era bem diverso do que imaginara. A Liga da Justiça tinha uma Câmara Arbitral, semelhante em função à delegacia, situada na Ilha da Extirpação. Seu pai, Zhou Jianghan, era o chefe da equipe de execução ali, por isso ele já visitara o local algumas vezes. Lá, todos eram frios e taciturnos, fossem demônios ou portadores de habilidades em falta; até os funcionários ostentavam uma severidade glacial.

Mas na delegacia era diferente: os criminosos exibiam um desdém insolente, como se não temessem nem mesmo o Imperador dos Céus; os policiais, de boca suja e ameaças constantes, mostravam-se brutais diante dos meliantes, mas, em presença de policiais femininas bonitas, tornavam-se repulsivamente lascivos, sem esconder a cobiça.

Na Câmara Arbitral, a luz era fria e lúgubre, evocando o próprio inferno e, mesmo Zhou Jun, sentia-se oprimido. Já a delegacia tinha iluminação branca e suave, e o aquecimento central criava uma atmosfera quase aconchegante.

O tempo arrastava-se lentamente, até que Zhou Jun, quase vencido pelo sono, viu finalmente a porta abrir-se. Entraram dois policiais, homem e mulher, rindo; mas, ao fecharem a porta, seus semblantes mudaram: o homem tornou-se arrogante e indiferente, a mulher, fria e hostil — como se Zhou Jun fosse um criminoso. Ele não pôde deixar de admirar a maestria com que ambos mudavam de rosto.

— Nome!
— Zhou Jun!
— Sexo!
— ...Masculino!
— Endereço!
...

Após um longo interrogatório, todas as informações sobre Zhou Jun estavam registradas. O policial bateu a caneca na mesa e recostou-se, perguntando:
— Conte-nos, o que aconteceu? Quem é seu cúmplice?

— Que cúmplice? — Zhou Jun torceu a boca. — Eu denunciei um crime, não cometi um!

— Ora! — O policial riu de leve, virando-se para a colega: — Xiao Wu, você é novata. Observe como lido com esse tipo de criminoso, aprenda!

— Sim! — A policial Wu acenou, olhos brilhando de expectativa. Zhou Jun ironizou em pensamento: o que há de tão interessante nisso? A virilidade masculina não deveria se provar na cama? Que heroísmo é esse, intimidando os outros aqui?

— Garoto, não é a sua primeira vez aqui, certo? Tão tranquilo assim? Sabe quem eu sou? Policial! Basta um olhar para saber quem você é! Confesse logo: onde comprou a droga?

O policial levantou-se, caminhando em círculos até ficar atrás de Zhou Jun, e então desferiu um golpe repentino em sua nuca.

Zhou Jun, atento ao menor ruído, desviou-se com facilidade, fazendo o policial quase tropeçar na mesa.

Ao recompor-se, o policial lançou-lhe um olhar furioso, mas antes que pudesse falar, Zhou Jun exclamou, surpreso:
— Oh, desculpe! Não sabia que pretendia me atacar pelas costas!

— Você... — O policial ficou sem jeito, e a policial Wu conteve o riso, quase gargalhando.

— Sente-se direito! — O policial, envergonhado e irritado, sacou as algemas.

— O que vai fazer? — Zhou Jun saltou, encolhendo-se num canto e protegendo a cabeça. — Vai usar algemas? Preparou também chicote? Cera quente? Aviso logo: sou heterossexual, não tenho esse tipo de inclinação!

— Maldição! Que besteira é essa? Fique de pé! — O policial, sentindo-se humilhado, especialmente porque costumava brincar de algemar com garotas do app Momo — e a policial Wu, objeto de sua recente cobiça, estava ali. As palavras de Zhou Jun soaram como se houvesse sido desmascarado.

A policial Wu levantou-se, ordenando com voz ríspida:
— Levante-se! Está ouvindo?

— Não vou! — Zhou Jun manteve-se obstinado. — Não venham me intimidar! Se continuarem, denuncio vocês. O governo já aboliu as casas de detenção; se têm provas, me processem! Eu não vou ficar aqui por muito tempo!

— Você... — O policial avançou, pronto para chutar Zhou Jun, mas nesse instante, alguém bateu à porta.

Toque, toque!

A policial Wu abriu-a, e alguém do lado de fora, empurrando a porta com força, bradou:
— O que estão fazendo? Acham que o espelho na parede é de enfeite? Que a câmera é de mentira?

— D-diretor... — balbuciou a policial Wu, enquanto o policial, pálido, forçou um sorriso:
— Diretor, não fizemos nada, tem câmera aqui, pode conferir...

— Basta! — O diretor, furioso, brandiu o punho para o policial, depois voltou-se e, mudando para um tom afável, disse:
— Senhor Wang, perdoe-nos pelo episódio!

— Não tem problema! — O senhor Wang entrou, sorriso forçado, com seu metro e oitenta de altura, corpo esguio, cabelo milimetricamente penteado, terno profissional, camisa branca, óculos de aro dourado — poderia passar por uma autoridade nacional sem causar estranheza.

— Zhou Jun, pode ir embora! — O diretor aproximou-se, ajudando-o a se levantar com um sorriso cordial.

Zhou Jun permaneceu alerta: quem era aquele homem? Veio para tirá-lo dali, a mando de quem?

Uma enxurrada de perguntas assolava sua mente. Só ao sair da delegacia, o senhor Wang estendeu-lhe a mão e disse:
— Prazer, sou Wang Hai, promotor do Ministério Público da cidade de Beihai.

— Promotor? — Zhou Jun parou e olhou para Wang Hai. — Por que me tirou da delegacia? Qual o seu objetivo?

Wang Hai deu um passo à frente, inclinando a cabeça:
— Sua identidade tem várias lacunas, ao menos nos registros oficiais.

— Investigou-me? — Zhou Jun não conteve a indignação.

Wang Hai fez um gesto despreocupado:
— Foi apenas uma verificação de rotina. Apesar das dúvidas, sei que você não tem nada a ver com o “Sonho Diurno”.

Zhou Jun respirou aliviado:
— Como pode ter certeza?

— Monitoramento! — Wang Hai deu alguns passos, virou-se e disse: — Não sabia que havia câmeras em sua sala de aula?

— Eu... — Zhou Jun sorriu amargamente, balançando a cabeça. — Sou novato. Se soubesse, teria pedido para ver as imagens na hora e evitado tudo isso.

— De fato. Mesmo veteranos não sabem. — Wang Hai esperou, e como Zhou Jun não perguntou mais nada, explicou: — Foi o diretor quem mandou instalar, para monitorar discretamente a turma oito do terceiro ano. Não imaginei que um dia isso seria útil.

Zhou Jun suspirou:
— Neste mundo, armadilhas por toda parte... — Ao mesmo tempo, sua cautela em relação ao diretor, de aparência tão comum, cresceu: aquele velho era astuto e dissimulado. Certamente tinha motivos inconfessáveis para instalar câmeras. Era melhor manter-se atento.

— Mas, deixando isso de lado — disse Wang Hai —, quero que me ajude.

— De que forma? — Zhou Jun sorriu.

— Ajude-me a investigar o caso do “Sonho Diurno”. Em troca, se tiver problemas no futuro, posso resolvê-los para você. — Wang Hai declarou, confiante: — Que tal esse acordo?

Zhou Jun sentiu-se tentado; era uma oferta sedutora, que facilitaria seus caminhos na sociedade dali por diante.