Capítulo 006: Isto Sim É Ser Homem
Ao perceber que todos os olhares se voltavam para si, Zhou Jun prosseguiu:
— Não tenho outras intenções. Sou alguém que aprecia fazer amizades. Ter a honra de partilhar a convivência escolar com todos é, para mim, um privilégio!
Os colegas mantiveram os olhos fixos em Zhou Jun por menos de meio minuto, antes de, como que combinados, voltarem-se para Xue Linghan. Sendo ela a líder inconteste da turma, era natural que sua palavra tivesse peso absoluto: se ela não permitisse, ninguém ousaria ir; se desse permissão, todos ao menos considerariam a possibilidade; mas, se além de permitir, ela própria se dispusesse a comparecer, então mesmo os que tivessem compromissos inadiáveis dariam um jeito de acompanhar o grupo.
Muitos acreditavam que Xue Linghan jamais aceitaria o convite — mesmo que, naquela manhã, Zhou Jun e ela tivessem demonstrado certa proximidade, era difícil crer que houvesse algo entre os dois.
Ao notar o olhar expectante dos colegas, Xue Linghan entendeu que todos aguardavam sua decisão. Se fosse qualquer outro a convidar, talvez ela se negasse a ir, ou até proibisse o resto da turma de aceitar. Mas, por alguma razão inexplicável, diante de Zhou Jun, não encontrou palavras para recusar.
No palco, Zhou Jun piscou para Xue Linghan, sugerindo-lhe, silenciosamente, que lhe concedesse algum prestígio. Ela, compreendendo perfeitamente a intenção, lançou-lhe um olhar de desdém; mas, ao ver seu semblante suplicante, não conteve um riso leve e cristalino:
— Está bem, eu vou!
Exceto Zhou Jun e Xue Linghan, todos ficaram estupefatos. Nem mesmo He Hehe e Jiao Hougeng compreenderam por que Xue Linghan aceitara — e ainda por cima, sorrindo. O que significava aquele sorriso?
Crescia a admiração por Zhou Jun; parecia que ele, de fato, conseguira domar a grande líder. Em mais de dois anos de ensino médio, nunca antes alguém vira Xue Linghan sorrir. A imagem gélida que dela faziam — aquela beleza inatingível, fria como o gelo — desmoronava; para os rapazes, a musa de suas fantasias noturnas se dissipava, e para as moças, seu ídolo era subitamente conquistado por aquele rapaz ousado.
He Hehe olhava para Xue Linghan, incrédulo. Cresceram juntos desde a infância, e ninguém a conhecia tão bem quanto ele — talvez nem seus próprios pais. Xue Linghan não era pessoa que se submetesse a ninguém, nem mesmo a seus progenitores. E, naquele dia, diante de Zhou Jun, não parecia constrangida ou coagida, mas sim disposta, de livre e espontânea vontade.
Se era voluntário, havia ali alguma questão oculta — e, mais ainda, ela sorrira! He Hehe, em toda sua vida, só a vira sorrir uma única vez, ainda criança, e acreditava jamais presenciar tal cena novamente. Contudo...
Ao recordar a cena da manhã, He Hehe sentiu-se profundamente insatisfeito. Aquilo era algo que deveria pertencer apenas aos dois, e, no entanto, fora um outro homem a adiantar-se. Não, isso era intolerável! Se matar não fosse crime, teria partido para cima de Zhou Jun naquele instante.
Quando soou o sinal do intervalo do almoço, toda a turma se precipitou para fora da sala. Um calouro oferecendo um almoço, e ainda com a presença da grande líder da classe — tal oportunidade não se devia desperdiçar. Além de estreitar laços com ela, ganhariam uma refeição gratuita — não que precisassem, mas aceitar um convite assim era questão de prestígio.
Contudo, mal o primeiro aluno atravessou a porta, deteve-se bruscamente; os que vinham atrás, impedidos de sair, começaram a protestar em voz alta.
— O que é essa gritaria?! — Uma voz severa soou do corredor, impondo silêncio imediato. Todos reconheceram o tom: era a professora Tang Ke!
— Por que tanta pressa hoje? Isso nunca aconteceu antes! — Tang Ke olhou, intrigada, para a multidão de alunos quase arrombando a porta, não conseguindo evitar um tom irado.
Zhou Jun, aproveitando a ocasião, abriu caminho até ela e, sorridente, disse:
— Professora Tang Ke, que coincidência! Eu estava justamente a caminho da sala dos professores para procurá-la!
O tratamento de Tang Ke para com Zhou Jun era visivelmente diferenciado. Embora contrariada, ela perguntou com gentileza:
— Procurar-me para quê?
— Ora, acabei de chegar à escola, e gostaria de convidar os colegas e a senhora para um almoço. Eu mesmo pretendia convidá-la pessoalmente, mas, vejam só, acabei de encontrá-la aqui!
Tang Ke não pôde evitar um sorriso; todos os outros alunos, atônitos, perguntavam-se se Zhou Jun era algum tipo de prodígio. Afinal, não só a deusa gélida, Xue Linghan, sorrira para ele, como agora a própria Tang Ke — a temida professora, objeto de fantasias de apenas uns poucos rapazes de gosto peculiar — parecia ceder-lhe.
— Você vai oferecer o almoço? — Tang Ke perguntou, em tom leve, mas de súbito sua voz tornou-se cortante: — Seus pais lhe dão dinheiro para estudar, e você gasta com festas? Que exemplo é esse? Se eles soubessem, o que pensariam? Por acaso acham que dinheiro nasce em árvore?
Muitos alunos se assustaram. Alguns até recuaram para dentro da sala, certos de que aquele almoço estava perdido. Era o destino, pensaram, resignados.
Mas Tang Ke, após uma pausa, suavizou a voz:
— Contudo, já que o motivo é promover a harmonia entre colegas e professores, e eu própria estava à procura de uma ocasião assim, proponho o seguinte: eu pago metade do almoço, e todos vamos juntos!
— Oba! — O brado de alegria ecoou pela sala. Quem poderia prever tamanha reviravolta?
Ao ver os alunos jubilosos, Tang Ke sorriu novamente. Sempre fora rigorosa com a turma do terceiro ano, oitava classe — um grupo especial, que, em dois anos sob sua tutela exclusiva, jamais lhe dera problemas, motivo de orgulho e satisfação. Outros professores haviam tentado conduzir aquela classe, mas quase enlouqueceram; só com sua chegada tudo se acalmara.
Sempre desejara uma oportunidade assim: conviver em harmonia com os alunos, sem as barreiras entre professor e estudante, todos amigos, como numa sessão de estudo livre, cheios de risos e descontração.
Fulu Shou era um dos hotéis mais luxuosos nas imediações da Escola Sete de Beihai, oferecendo acomodações e entretenimento além da gastronomia. Ao todo, cinquenta e dois pessoas — incluindo a turma e Tang Ke — adentraram o local, guiados por colegas habituados à casa, que logo os conduziram a um salão reservado no segundo andar.
Os funcionários do hotel, ao verem tal comitiva, primeiro demonstraram estranhamento, depois espanto; só se acalmaram quando o gerente apareceu.
Zhou Jun vinha por último. Ao entrar, o gerente já estava a postos. Zhou Jun foi direto:
— É você o gerente?
— Sou, sim! — Wu Qifa, que já se preparava para indagar sobre o grupo, respondeu prontamente, percebendo que Zhou Jun era o responsável.
— Ótimo. Prepare cinco mesas no segundo andar. Vocês têm menu fechado?
— Temos! — Wu Qifa, percebendo que Zhou Jun comandava, levou-o ao balcão e perguntou: — Quantas pessoas são?
— Uns cinquenta e poucos! — Zhou Jun pegou o cardápio de menus fechados, com preços variados, indo de oitocentos para cima, sem limite máximo.
— Bem, recomendo o de mil e quinhentos por mesa. Vocês são estudantes, não devem ter muito dinheiro. O hotel ainda oferece bebidas...
— Cinco mesas do menu de três mil. Quero serviço rápido, estamos com pressa! — Zhou Jun interrompeu, impaciente.
Wu Qifa ficou atônito por dois segundos, mas logo recuperou a postura: — Perfeitamente, mas será necessário o pagamento antecipado.
Zhou Jun, sem dar importância, tirou do bolso um cartão bancário preto cravejado de diamantes e o pousou sobre o balcão.
Ao ver o cartão, Wu Qifa ficou paralisado. Era um cartão VIP super exclusivo do Banco Mundial, restrito a poucos indivíduos misteriosos cujas identidades permaneciam desconhecidas. Sentiu-se verdadeiramente arrependido, quase desejando punir-se por não ter reconhecido alguém tão importante.
Zhou Jun, percebendo seus pensamentos, acenou displicente:
— Não faça essa cara. Apenas agilize o serviço! Como funcionário, você agiu corretamente.
Wu Qifa não pôde senão admirar: ali estava um verdadeiro homem de destaque, generoso e magnânimo!
Ao saber que almoçariam no Fulu Shou, Tang Ke ficou inquieta. Se soubesse, teria perguntado antes o local; afinal, aquele restaurante era de altíssimo padrão — uma única refeição para tantas pessoas equivaleria a anos de seu salário.
Antes que servissem os pratos, Tang Ke chamou Zhou Jun de lado e falou em voz baixa:
— Zhou Jun, não deveríamos escolher outro lugar?
— Por quê? Todos já estão aqui, a comida já vai ser servida! — Zhou Jun retrucou, sem entender.
Constrangida, Tang Ke murmurou:
— Mas é caro demais...
Zhou Jun, com um gesto generoso, respondeu:
— Não se preocupe, professora, eu faço questão de pagar!
— Fico sem jeito... — Tang Ke corou, mas logo aceitou, satisfeita.
Muitos alunos aguardavam ansiosos pela oportunidade de pedir pratos de sua preferência, mas logo a comida começou a chegar. Para os estudantes comuns, isso pouco importava; já alguns filhos de famílias abastadas sentiram-se contrariados — Zhou Jun decidira tudo sem consultá-los, privando-os de exibir gostos ou influência.
Contudo, à medida que os pratos eram servidos, toda insatisfação se dissipou. O menu agradava a todos, superando expectativas e surpreendendo até os mais refinados paladares.
Ao final do banquete, Zhou Jun já se mostrava íntimo da maioria, com muitos tratando-o como irmão. Xue Linghan, observando-o, sentia-se intrigada: embora aparentemente comum, havia nele uma aura de liderança que a encantava, tornando-a, sem perceber, mais dócil.
Ainda assim, Xue Linghan não percebia em Zhou Jun qualquer ameaça; pelo contrário, transmitia-lhe uma confiança sólida e reconfortante. Raros homens a impressionavam — acostumada ao comando, ela intuía que só alguém como Zhou Jun poderia ser chamado, de fato, de homem.
Assustada ao perceber tais pensamentos, Xue Linghan repreendeu-se em silêncio: como poderia atribuir tão alto valor a alguém que mal conhecia? Rainha por natureza, jamais se submeteria a ninguém! Esforçou-se para manter a postura de líder, tentando não deixar-se influenciar, mas, ao olhar para Zhou Jun, não pôde evitar o rubor que lhe subiu às faces.
He Hehe sentava-se ao lado de Xue Linghan. Embora Zhou Jun só tenha cumprimentado a mesa sem muito conversar com ela, He Hehe sentia-se incomodado: contou mentalmente quantas vezes Xue Linghan lançava olhares furtivos a Zhou Jun — a cada poucos segundos, ela o fitava, e por fim, corou! Reservado e de poucas palavras, He Hehe não sabia como desviar a atenção de Xue Linghan. A presença de Zhou Jun o deixava, pela primeira vez na vida, nervoso e apreensivo.