Capítulo 005: Cansado ao ponto de não amar

Kota Roh yang Bermunculan Hutan Jeruk 3658kata 2026-03-12 14:32:55

— Você... quem deixou você entrar? — perguntou Xue Linghan, não contendo a curiosidade, avançando um passo. — O que está fazendo aqui?

— Foi você quem abriu a porta para eu entrar! — respondeu Zhou Jun, enquanto observava Xue Linghan com ar despreocupado, ao mesmo tempo em que, com movimentos ágeis, dispunha os pratos do carrinho de comida sobre a mesa da sala. — Venha, vamos comer juntos. Acabei de voltar do supermercado, os ingredientes estão fresquíssimos. Sem perceber, cozinhei demais; sozinho não dou conta de tudo!

Xue Linghan ainda pensou em recusar, mas, ao ver os pratos coloridos e aromáticos, não conseguiu evitar que a boca se enchesse d’água. Justo neste instante, Zhou Jun percebeu o som involuntário, e não pôde deixar de rir consigo mesmo: as mulheres, afinal, são todas gulosas.

— Então... está bem, já que você não consegue comer tudo sozinho... — disse Xue Linghan, corando. Uma desculpa tão pomposa era mesmo insólita, mas, diante de tantas iguarias, era melhor que viver de miojo. Assim, puxou a cadeira com naturalidade e sentou-se.

— Na verdade, há outro motivo! — Zhou Jun foi até a mesinha de centro, pegou o pacotinho de miojo de Xue Linghan e o colocou também sobre a mesa, só que diante dele mesmo.

— Que motivo? — perguntou Xue Linghan, suspeitando que não seria alguma frase melosa de agradecimento por ter salvado sua vida. Se fosse isso, não comeria mais nada — ou melhor, a comida poderia ficar, mas ele que se retirasse imediatamente.

Zhou Jun abriu as mãos e, com expressão de quem se via em apuros, explicou: — Na verdade, preparei também alguns pratos ocidentais, mas não tenho talheres em casa. E o supermercado fica no sexto andar; subir e descer seria um incômodo. Então pensei em pedir a você!

Xue Linghan, ainda uma jovem sem muita experiência de vida, estava agora enredada pelo encanto da comida; não se preocupou em analisar a veracidade das palavras e, tranquila, correu até a cozinha para pegar dois pares de faca e garfo: — Isso quer dizer que, daqui em diante, ninguém deve nada a ninguém?

— Exatamente! — Zhou Jun suspirou, pensando em como a inteligência feminina se anulava diante da boa comida. Na verdade, aquilo tudo mal daria para saciar um rapaz sozinho; se não fosse assim, nem teria trazido o miojo dela para a mesa.

Mas qualquer gesto que pudesse aproximá-los merecia ser celebrado.

A princípio, cada qual comia em silêncio, mas graças ao esforço de Zhou Jun para animar a conversa, aos poucos foram se abrindo. Ele inventou que seu pai trabalhava no ramo de energia, possuía uma mina em Xishan, e agora atuava com gás natural em Beihai; por isso, viera estudar aqui e, ao mesmo tempo, ajudar a supervisionar os negócios da família.

— Então sua família é mesmo abastada. Quem trabalha com energia está sempre bem de vida! Mas, a não ser que seja um grande negócio, cuidar de uma ou duas minas ainda não é nada — comentou Xue Linghan, com um ar profissional. A comida estava realmente deliciosa, e, em agradecimento à habilidade culinária de Zhou Jun, ela ainda se deu ao trabalho de analisar o mercado de energia.

— Não imaginei que você entendesse desse assunto também — admirou-se Zhou Jun.

Xue Linghan, orgulhosa, respondeu: — Claro! Meu pai é físico, minha mãe trabalha com alta tecnologia, ambos pesquisam energia!

— Você também não fica atrás! Mas, diga-me, por que mora sozinha? Não vive com seus pais? — perguntou Zhou Jun, casualmente.

Ao ouvir a pergunta, Xue Linghan ficou subitamente rígida, e a expressão antes amena voltou a ser fria: — Já comi o suficiente. Obrigada pela refeição. Pode ir embora.

— Ah, mas eu também fiz sopa! — Zhou Jun não esperava que uma simples frase provocasse tamanha irritação naquela "senhorita". Tentou mudar de assunto, fingindo descontrair, e retirou uma tigela de sopa da parte inferior do carrinho. — Este carrinho mantém tudo aquecido. Aproveite enquanto está quente!

Xue Linghan quis recusar, mas o aroma intenso da sopa enchia o ambiente e lhe invadia as narinas. Por fim, rendeu-se em silêncio, serviu-se de uma tigela e começou a sorver devagar.

O sabor era denso e profundo, só mesmo muitas horas de cozimento poderiam resultar em tamanha iguaria... Espere, muitas horas? Mas ela só o ajudara a voltar para casa fazia pouco mais de uma hora!

— Esta sopa... quanto tempo levou para preparar? — perguntou Xue Linghan.

Zhou Jun, fazendo-se de enigmático, respondeu: — Hei, não me diga que sentiu gosto de "caldo velho"?

— Caldo velho? — Xue Linghan indagou, com uma ponta de dúvida.

— Sim! Quando vim, trouxe de casa um pote de caldo envelhecido. Sempre que faço sopa, basta uma colher dele: em uma hora, o sabor equivale ao de dezenas de horas de cozimento! — respondeu Zhou Jun, satisfeito.

Xue Linghan, embora não compreendesse de culinária, não era tola. Ao ouvir a explicação, logo entendeu.

Zhou Jun, por sua vez, sorria consigo mesmo: na verdade, um caldo velho perde o sabor após poucas horas longe do fogo; o segredo era sua habilidade especial de aquecimento, capaz de criar um sabor único.

Terminada a refeição, ambos arrumaram a mesa e, juntos, lavaram a louça na cozinha de Xue Linghan, conversando vez ou outra. Zhou Jun percebeu que Xue Linghan nem sempre era tão fria; afinal, até o gelo pode se derreter.

No entanto, nada foi dito sobre o ocorrido naquele dia, tampouco sobre a escola. Zhou Jun queria sondar a respeito do "Sonho Lúcido", mas conteve-se — ainda não era o momento. Apesar de Xue Linghan ter falado bastante, percebia-se que erguera barreiras: evitava certas questões.

Quanto à reação tão intensa diante do assunto dos pais, Zhou Jun não sabia os detalhes, mas podia adivinhar: provavelmente a distância e a ausência de afeto familiar moldaram aquele caráter forte, levando a garota a se tornar um ouriço de espinhos afiados, não permitindo que ninguém se aproximasse, apenas para proteger-se de novos ferimentos.

Pensando nisso, Zhou Jun sentiu para com ela uma inesperada empatia.

Na manhã seguinte, Zhou Jun entrou na escola montado em sua Harley, mas, em comparação com os verdadeiros filhos de magnatas que chegavam em carros de luxo, não causou qualquer sensação.

Ao entrar na sala, Xue Linghan já se encontrava sentada em seu trono. Zhou Jun a cumprimentou casualmente: — Linghan, que cedo!

Na mesma hora, toda a classe silenciou, a ponto de se ouvir o cair de um alfinete. Todos olhavam surpresos para Zhou Jun. Naquela turma, além de He Hehe e da professora Tang Ke, jamais alguém ousara chamar Xue Linghan pelo nome, quanto mais de modo tão íntimo.

Xue Linghan apenas assentiu, sem rejeitá-lo. Zhou Jun, sentindo-se encorajado, aproximou-se do trono e sugeriu: — Que tal fazermos assim? Já que ambos moramos sozinhos, podemos jantar juntos daqui em diante. Eu cozinho e levo até sua casa, você lava a louça. O que acha?

Nesse instante, He Hehe e Jiao Hougeng entraram na sala e, ao verem Zhou Jun junto ao trono de Xue Linghan, ficaram atônitos. Aquela poltrona só a própria Xue Linghan podia ocupar; os demais sequer ousavam tocá-la — nem mesmo He Hehe, muito menos Jiao Hougeng.

Mas agora, Zhou Jun estava ali, tão próximo, e Xue Linghan não parecia se incomodar.

Zhou Jun, é claro, notou o olhar de todos e, satisfeito, pensou: com esse gesto, deixava claro que sua relação com Xue Linghan era especial; dali em diante, não precisaria se preocupar com hostilidades, mesmo sem fazer esforço algum.

— Aliás, me diga o que gosta ou não gosta de comer, para eu não errar nos próximos jantares! — disse em voz alta, de modo que todos no recinto pudessem escutar com clareza.

Sem pensar muito, Xue Linghan respondeu: — Não como nada com pimenta; aquele bife de ontem estava ótimo. Gosto de ketchup e não suporto gengibre fresco. Você também cozinha comida chinesa, não? Gosto de frituras secas. E lembre-se de fazer arroz no vapor à noite!

— Perfeito! Assim será! — respondeu Zhou Jun, de pronto.

Todos ouviram o diálogo. Muitos começaram a desconfiar: teria o chefe da turma, a grande Xue Linghan, sido conquistada por aquele rapaz? Todos sabiam da boa relação entre He Hehe e Xue Linghan, e muitos acreditavam que um dia ambos ficariam juntos. Ninguém esperava a chegada de Zhou Jun — e agora, parecia que os dois jantavam juntos... Não estariam, por acaso, morando sob o mesmo teto?

Muitos rapazes sentiram o coração despedaçar. Imaginaram que a deusa, cuja silhueta sedutora povoava seus sonhos, agora pertencia a Zhou Jun... Céus, era demais; sentiam que jamais voltariam a amar.

Xue Linghan, ao ouvir Zhou Jun, achou-o parecido com um subordinado seu e não pôde evitar o riso; o canto dos lábios curvou-se suavemente, deixando todos os rapazes à beira do desmaio.

De repente, Xue Linghan percebeu algo estranho: ao levantar o olhar, viu He Hehe, Jiao Hougeng e os demais colegas com expressões de surpresa, tristeza e desilusão. Caiu em si: será que todos haviam ouvido seu diálogo com Zhou Jun? Como poderia continuar sendo a líder da turma?

Zhou Jun, por sua vez, já retornara ao seu lugar, ativando a função vibratória da cadeira de massagem — o rosto estampando puro deleite. A raiva de Xue Linghan era tanta que seu corpo tremia; pensara que Zhou Jun fosse melhor do que isso, mas em poucos minutos ele já mostrava sua verdadeira face.

A mente de Xue Linghan estava confusa, mas ela era a chefe, afinal. Recobrou a postura e, com voz firme, ordenou aos colegas: — O que estão olhando? Vamos logo, a aula vai começar!

Diante da repreensão, todos voltaram apressados aos seus lugares. He Hehe olhou para Zhou Jun, depois para Xue Linghan; no olhar, um misto de desagrado e dúvida. Quis perguntar algo, mas Jiao Hougeng o puxou, sinalizando que esperasse — pois a professora Tang Ke acabava de entrar na sala.

No púlpito, Tang Ke começou a aula de literatura. A classe aparentava escutar com atenção, mas a maioria dos alunos viajava em pensamentos distantes; até Xue Linghan, recostada em sua poltrona, quase adormecia.

Zhou Jun, embora mantivesse o olhar fixo no quadro-negro, traçava planos em seu íntimo: como deveria abordar o caso do "Sonho Lúcido"? Não era um investigador, não possuía experiência policial; antes, sua missão era apenas combater demônios — e sempre de modo direto. Agora, sozinho, teria de lidar com um caso complexo. Pensou que talvez fosse melhor solicitar ao superior alguém com experiência investigativa para auxiliá-lo.

Ainda que não tivesse pistas concretas, Zhou Jun delineou dois planos: o primeiro, agir ativamente, disfarçando-se de comprador do "Sonho Lúcido" para investigar e seguir as pistas até o verdadeiro responsável. O segundo, esperar o próximo incidente e investigar ao redor das vítimas — mas este era mais lento e, pior, poderia custar vidas, o que Zhou Jun não desejava.

Após muito refletir, decidiu-se pelo primeiro plano. Para isso, precisaria fortalecer sua relação com os colegas de classe, pois todos os que possuíam habilidades especiais estavam na turma 8 do terceiro ano. O "Sonho Lúcido" não era procurado por pessoas comuns, pois, para elas, o efeito era apenas um aumento de força por duas horas — seguido de morte súbita.

Com os dotados, no entanto, a droga ampliava instantaneamente as habilidades, e, terminado o efeito, o poder retornava ao normal. Era um estimulante temporário; apesar de não causar danos físicos, obscurecia o juízo dos usuários, tornando-os propensos a atos de crueldade e violência.

Quando soou o sinal do intervalo, os alunos se estenderam preguiçosamente sobre as mesas ou se recostaram nas cadeiras, sem vontade de se mexer. Zhou Jun subiu à plataforma e proclamou em voz alta:

— Colegas, sou recém-chegado e agradeço a todos pela acolhida. Não é fácil convivermos como companheiros de classe; conto com a ajuda de todos nos próximos dias. Hoje ao meio-dia, o almoço é por minha conta! No restaurante Fulushou, em frente à escola! Espero que todos me deem essa honra!

Mal terminou de falar, a sala mergulhou em silêncio absoluto; todos ergueram os olhos e fitavam Zhou Jun.