Capítulo 004 Jantar em Companhia

Kota Roh yang Bermunculan Hutan Jeruk 3410kata 2026-03-11 14:30:57

— N-não, desculpe, eu... eu realmente não imaginei que isso aconteceria! — Zhou Jun se justificava incessantemente.

Xue Linghan permanecia em silêncio, fitando Zhou Jun com um olhar feroz. A cena de instantes atrás fora demasiadamente humilhante; ela, uma lenda entre os quatro melhores, deixara-se assustar por uma motocicleta desgovernada. Não, não fora a motocicleta descontrolada — fora esse sujeito à sua frente, de propósito. Ele certamente possui força de combate. Veio para me prejudicar, é isso. Sua entrada na turma do terceiro ano, classe oito, foi apenas mais um passo para se aproximar e criar problemas!

— Morra! — Xue Linghan resmungou friamente; em sua mão, uma súbita luz rubra se manifestou, condensando-se num instante numa esfera vermelha, que arremessou ferozmente na direção de Zhou Jun.

— Ah! — Zhou Jun pensou em revidar, mas num relance compreendeu as intenções de Xue Linghan: aquilo não era um desabafo irrefletido, mas sim um teste. Diante disso, ele sabia que precisava suportar o golpe.

— Puf! — A esfera atingiu o peito de Zhou Jun, mas o nível de Xue Linghan era insuficiente sequer para arranhar sua pele. Para tornar a cena convincente, Zhou Jun forçou-se a sofrer, expelindo um jato de sangue e, obrigando-se a um transe, deixou-se levar pela inconsciência.

Xue Linghan pretendia apenas testar Zhou Jun, não empregou toda a sua força; jamais imaginou que ele desmaiaria cuspindo sangue. Logo percebeu o tamanho do problema: segundo o tratado da Liga da Justiça, um portador de habilidades especiais que ferisse um civil seria imediatamente caçado em escala mundial, e quem o acobertasse incorreria na mesma culpa.

O que fazer? Hesitante, Xue Linghan aproximou-se de Zhou Jun e verificou-lhe a respiração. Ainda bem, não estava morto — caso contrário, o problema seria ainda maior. Xue Linghan não pertencia à Liga da Justiça, tampouco tinha qualificação para integrar tal entidade, mas as regras impostas pela Liga, análogas às do Conselho de Segurança das Nações Unidas, restringiam cada portador de poderes; o descumprimento era punido com rigor, como se fossem demônios.

— Ei, não morra! Eu sou uma pessoa do bem, não fiz isso de propósito! — Xue Linghan não conteve o desespero. Apesar de ostentar autoridade entre os colegas, era, afinal, apenas uma adolescente que jamais enfrentara situação parecida. Agora, além do medo, sentia-se também estranhamente nervosa.

Sozinha, Xue Linghan uniu as mãos e curvou-se diante de Zhou Jun: — Amituofo, não tenho nada a ver com isso, vou-me embora!

Dito isto, virou-se e saiu rapidamente. Zhou Jun entreabriu os olhos, vendo-a partir aflita, e suspirou aliviado. Contudo, de súbito, viu Xue Linghan estacar e voltar-se de novo. Zhou Jun, apressadamente, fechou os olhos e voltou a fingir-se de morto.

Xue Linghan aproximou-se e vasculhou o corpo de Zhou Jun por algum tempo. Zhou Jun amaldiçoou em silêncio: “Maldita, será que pretende me roubar?”

Após vasculhar sem encontrar nenhum indício de endereço, Xue Linghan resignou-se a levá-lo ao próprio apartamento. Porém, ao olhar para a chave pendurada na motocicleta, deparou-se com um cartão de número de apartamento. Franziu o cenho: 402? Mas não é o apartamento ao lado do meu? Como nunca o vi? Ah, claro, o vizinho anterior mudou-se, então ele deve ter comprado o imóvel agora.

Sem tempo para maiores elucubrações, Xue Linghan apoiou Zhou Jun, deitou-o sobre a motocicleta e partiu rumo ao apartamento 402.

O edifício possuía vagas diante das portas, como um motel de luxo, permitindo que os carros fossem estacionados junto à entrada do lar — embora houvesse também garagem subterrânea. Contudo, ali só moravam abastados, com mais de um veículo; era usual estacionar o carro principal à porta, deixando os demais na garagem.

Xue Linghan largou Zhou Jun na cama e saiu. Assim que ouviu a porta fechar, Zhou Jun abriu discretamente os olhos, certificando-se de que ela realmente havia partido, e murmurou: “Cheguei a pensar que seria seduzido... Mas se fosse por uma beleza dessas, não seria tão ruim assim.”

Sentou-se, avaliando o ambiente. O apartamento era voltado para o sul, inundado de luz, e mesmo ao entardecer, o cenário era arrebatador. O banheiro, digno de um monarca, exalava em cada detalhe um requinte régio.

Enquanto Zhou Jun se deleitava com o luxo do apartamento, subitamente percebeu alguém tentando destrancar a porta. Não era um pressentimento sobrenatural, mas puro ouvido aguçado.

“Droga, é aquela pestinha da Xue Linghan de novo!” Zhou Jun correu para a cama e retomou a posição de antes, fingindo dormir.

Xue Linghan entrou silenciosa, ainda desconfiada, e ao ver Zhou Jun adormecido, relaxou. Sorriu de si para si: estaria ficando paranoica, desconfiando tanto de um simples mortal?

Zhou Jun, de olhos cerrados, escutava atentamente seus passos, atento a qualquer ameaça. Felizmente, ela apenas acendeu a luz e sentou-se ao seu lado.

— Mmm! — Uma pílula foi enfiada à força em sua boca; Xue Linghan deu-lhe um empurrão, e o comprimido deslizou goela adentro.

“Não! O que essa maluca me deu? Não será veneno? Devo confrontá-la agora?” Zhou Jun pensava, indignado. “Tigre caído em planície, até cão se atreve a morder... Então acham que sou hello kitty?”

Enquanto se perdia nesses pensamentos, sentiu subitamente um calor brotar no dantian, que se espalhou pelos meridianos do corpo, reparando, um a um, os ferimentos internos. Maravilhado, Zhou Jun reconheceu que, apesar de ter algum poder de regeneração, não conseguia curar todos os danos sofridos em missões arriscadas; aquela pílula, todavia, restaurara até as mais antigas lesões.

“Por que ele não acorda?” Xue Linghan observava cada reação de Zhou Jun; até um franzir de sobrancelhas a fazia estremecer. A pílula que lhe dera era um remédio ancestral da família Xue, capaz de curar feridas internas e externas, seja em mortais ou portadores de poderes, em questão de instantes.

O custo do medicamento era altíssimo; Xue Linghan só carregava duas consigo. Agora, para reparar seu erro, sacrificara uma delas, torcendo para que Zhou Jun despertasse logo.

— Huf! — Zhou Jun ouviu o murmúrio de Xue Linghan e percebeu que era o momento de acordar. Assim, quando todo o efeito do remédio se dissipou, abriu lentamente os olhos.

— Você acordou! Que alívio! — exclamou Xue Linghan, mas seu rosto não demonstrava alegria, apenas alívio.

— O que houve? O que aconteceu comigo? — Zhou Jun apalpou o corpo, simulando confusão típica de alguém comum; ao reconhecer Xue Linghan, fingiu surpresa: — Você... Você está aqui? Não me fez nada, fez?

Xue Linghan, que antes temia por sua vida, encheu-se de fúria ao ouvir tais palavras. Mas não podia agredir um civil; controlando a ira, respondeu friamente:

— Não!

Zhou Jun fitou-a e disse:

— Não, não... Se alguém realmente não tivesse feito nada, ao ouvir essa pergunta, reagiria irado, protestando: “Ajudar os outros só traz problemas!” Mas você não, você ficou hesitante, mudou de expressão várias vezes... Isso é sinal de culpa! Fale logo... Eu não vou me importar, embora...

— Embora o quê? — Xue Linghan bufou, o olhar gélido fulminando Zhou Jun.

— N-não, nada, nada...

— Vai dizer ou não? — Xue Linghan agarrou a gola de Zhou Jun; se não podia bater, que ao menos o intimidasse.

— Ai, ai! Dói! — Zhou Jun gemeu, levando as mãos ao peito. — Senhora heroína, tenha piedade... Faça o que quiser, só não use chicote, cordas, velas ou óleo, por favor!

Xue Linghan enrubescera, tomada por um misto de raiva e embaraço. Não esperava que aquele sujeito conhecesse tais coisas. Ainda que ela própria soubesse, jamais seria capaz de dizê-las com tamanha naturalidade.

— Hmpf! — largou Zhou Jun e se levantou abruptamente. Agora que ele estava curado, não havia mais motivo para temer; apressou-se em deixar aquele lugar de encrenca.

Zhou Jun observou-a sair, um leve sorriso surgindo nos lábios. Aquela mulher, apesar do temperamento difícil, tinha mesmo seu encanto.

O edifício dispunha de supermercado, piscina, cinema e, na cobertura, um parque, que à noite se transformava num bar ao ar livre. Zhou Jun comprou uma porção de alimentos no mercado; ao voltar para casa, percebeu que havia esquecido as chaves, tendo que destrancar a porta com a senha.

Após longa busca pela chave, lembrou-se subitamente de Xue Linghan ter entrado em seu apartamento — será que ela a pegou?

“Essa peste, preciso recuperar a chave...” Foi até a porta, hesitou, depois retornou à cozinha, onde preparou uma variedade de pratos. Encontrou um carrinho de serviço num canto e, depois de arrumar tudo, empurrou-o até a porta.

Só então bateu-lhe a dúvida: “Mas onde ela mora?” Não fazia ideia do apartamento de Xue Linghan.

Para Zhou Jun, porém, esses detalhes não representavam obstáculo. Pegou o telefone fixo e ligou para a administração do condomínio, dizendo ser novo morador e que uma vizinha, cujo nome sabia, havia ajudado a carregar suas coisas; agora queria agradecer, mas não sabia o número do apartamento.

O segurança do condomínio, acostumado à sofisticação do edifício, desconfiou: poderia ser um ladrão. Perguntou:

— Senhor, qual seu sobrenome?

— Zhou, apartamento 402. A vizinha chama-se Xue Linghan.

O segurança conferiu rapidamente os dados do apartamento 402, fez algumas perguntas a Zhou Jun e, após confirmar tudo, forneceu o número do apartamento de Xue Linghan.

— 403? Muito obrigado! — Zhou Jun desligou, empurrou o carrinho e saiu; o segurança, ainda cauteloso, checou as câmeras e, vendo tratar-se mesmo do morador de 402, sossegou.

Zhou Jun bateu à porta de Xue Linghan, assumindo o papel de um garçom à espera de ser recebido. Dentro do apartamento, Xue Linghan acabara de preparar um miojo; ao ouvir a campainha, pensou tratar-se de He Hehe, o que talvez significasse jantar fora novamente. Largou o copo de noodles e foi abrir.

— Olá, preparei alguns pratos, venha jantar comigo! — Assim que a porta se abriu, Zhou Jun entrou empurrando o carrinho, sem esperar convite.

Xue Linghan ficou boquiaberta. Quis mandá-lo embora, mas o aroma que se desprendia dos pratos a impediu de recusar.