Capítulo 007 O Primeiro Sopro do Devaneio Diurno

Kota Roh yang Bermunculan Hutan Jeruk 3531kata 2026-03-14 14:30:53

O Qian Gui é um KTV tradicional de Beihai, situado na Avenida Marriott da cidade. Desde que foi introduzido em Beihai nos anos noventa, atravessou décadas de ventos e tempestades, mantendo-se sempre como o líder indiscutível do setor de entretenimento local.

Um Chevrolet Camaro preto estacionou diante da entrada, e imediatamente um jovem manobrista se apressou a abrir a porta para o proprietário. Embora ali abundassem carros de luxo que ultrapassavam milhões, o rapaz tratava o dono do Chevrolet com igual deferência.

Um homem de chapéu preto e vestindo um longo casaco negro desceu do veículo, lançou as chaves ao manobrista com gesto displicente e, apressado, adentrou o KTV, subindo diretamente ao terceiro andar, onde ingressou em um reservado.

O interior era mergulhado em trevas; somente após o homem fechar a porta, uma tênue lâmpada azul foi acesa, iluminando-o com um halo que evocava o mistério e a estranheza das profundezas oceânicas.

— Chegou? — soou então, das sombras, uma voz distorcida por um modulador, turva e grave, impossível de identificar.

— Sim! Tenho novas informações! — respondeu o homem, curvando-se com reverência.

— Fale!

— Recentemente chegou um novo aluno à turma, chamado Zhou Jun. Há algo estranho nele!

— Que tipo de problema?

O homem hesitou, silenciando por um momento, até murmurar timidamente:

— Sua identidade pública é de um filho de milionário, mas suspeito que não seja verdade.

— Apenas suspeita? Pretende que eu investigue por você? — a voz, por um instante, tornou-se cortante, mas logo retomou a serenidade. — E por que suspeita dele?

— Embora não perceba nele nenhum poder de combate, sinto que esconde algo profundo. Além disso, há em seu corpo uma aura diferente de qualquer pessoa comum, algo que me parece perigoso. — O homem esforçou-se para explicar sua impressão.

— De qual magnata ele seria filho?

— Não, não sei. Apenas sei que é muito rico...

— Hmph! — o indivíduo nas sombras interrompeu com desdém. — Você está infiltrado há tanto tempo; não se exponha. Mandarei alguém investigar. Limite-se a cumprir sua missão!

— Sim, chefe!

Após a saída do homem, aquele oculto na penumbra apanhou um telefone via satélite e fez uma ligação.

— Boss, entrou um tal de Zhou Jun no Colégio Sete de Beihai.

— Zhou Jun? Entendi, já sei. — do outro lado, uma voz carregada de sarcasmo respondeu. Após desligar, não pôde deixar de rir friamente: — Zhou Jun? O bebê da eliminação de demônios? Parece que o espetáculo vai começar!

...

Após o almoço, Zhou Jun já se entrosara completamente com os colegas, sendo que seu maior companheiro era um rapaz gordo chamado Hua Lei. Hua Lei também era um filho de milionário, apelidado de Príncipe Hua, embora nada justificasse tal título — até hoje, permanecia virgem.

— Jun, conta aí como conseguiu conquistar a irmã Han? — Hua Lei, animado, se apoiou na mesa de Zhou Jun.

Zhou Jun suspirou.

— Eu não fiz nada. Por quê? Você gosta dela?

— Eu? Hehe... Haha... — Hua Lei riu, visivelmente constrangido. — Não, nem ousaria.

— Não ousa gostar, ou não ousa admitir? — Zhou Jun arqueou as sobrancelhas, observando-o com interesse.

Hua Lei sacudiu a cabeça vigorosamente, a carne do rosto tremendo.

— Não, não, eu... Ai, só respeito a irmã Han... Ei, não era você o assunto? Como virou pra mim?

Zhou Jun fechou os olhos, reclinou-se na cadeira, desfrutando a massagem.

— Pois bem, vou contar à Xue Linghan que há um gordo que a respeita muito. Será que ela vai pensar que você está apaixonado por ela?

— Não, você... Ai, quer me matar? — Hua Lei olhou ao redor com cautela. — Chega, quanto mais falamos, pior fica!

Levantou-se para sair, mas ao virar colidiu com alguém.

Era He Hehe, que o encarava com frieza, desviando depois o olhar para Zhou Jun.

Ao ver He Hehe, Hua Lei estremeceu, raciocínio acelerado, e agarrou o braço dele, implorando com voz trêmula:

— Desculpe, desculpe, não foi de propósito, não reparei, vou prestar atenção da próxima vez!

Ouvindo Hua Lei falar sem sentido, Zhou Jun abriu os olhos, curioso quanto ao que estava acontecendo entre os dois.

He Hehe empurrou Hua Lei, apontando Zhou Jun, mas sem dizer palavra. Vendo isso, Hua Lei precipitou-se a defendê-lo:

— Tudo foi culpa minha, não tem nada a ver com o Jun, não o culpe!

He Hehe virou-se para Hua Lei, e nos olhos reluziu uma raiva jamais vista.

— Afaste-se! — exclamou, empurrando-o novamente. Zhou Jun, incapaz de conter-se, levantou-se abruptamente. Afinal, Hua Lei era seu amigo; He Hehe estava sendo desrespeitoso demais. Será que queria criar um conflito? Zhou Jun concentrou seu qi, pronto para confrontá-lo sem receio.

He Hehe olhou Zhou Jun com desprezo, apertou o colarinho de Hua Lei e o ergueu do chão.

— He, o que está fazendo? — Xue Linghan entrou correndo pela porta, seguida de Jiao Hougeng, que se adiantou e segurou He Hehe, perguntando em voz baixa:

— O que pretende fazer?

— Saia! — He Hehe empurrou Jiao Hougeng, elevando ainda mais Hua Lei, cujos pés já não tocavam o solo.

Jiao Hougeng, ruborizado, enfrentou He Hehe novamente.

— O que está acontecendo? Nunca vi você perder a calma assim.

Xue Linghan também interveio:

— He, se há um problema, fale. Não precisa recorrer à violência.

A raiva de He Hehe diminuiu; ele soltou Hua Lei, que caiu ao chão, ofegante, enquanto Zhou Jun o observava, perguntando a He Hehe:

— O que significa isso?

He Hehe hesitou, mas ao notar Xue Linghan atrás de si, soltou um resmungo e saiu da sala. Jiao Hougeng rapidamente o deteve:

— He, para onde vai? A aula está prestes a começar!

He Hehe tentou livrar-se, mas Jiao Hougeng não era Hua Lei; era um caminhante dotado de poderes, e He Hehe não conseguiu se desvencilhar. Zhou Jun percebeu algo incomum: será que os poderes de ambos eram equivalentes?

He Hehe também notou a força de Jiao Hougeng, e, mesmo empregando toda sua energia, foi contido. Voltou-se surpreso para analisá-lo, quando Jiao Hougeng pediu ajuda a Xue Linghan:

— Han, não consigo segurá-lo, venha ajudar!

Xue Linghan avançou para intervir, mas He Hehe finalmente se soltou de Jiao Hougeng. Nesse breve instante, um pequeno frasco marrom, do tamanho de um recipiente de xarope, caiu do bolso de He Hehe. Ninguém reparou, exceto Zhou Jun.

— Esperem! — Zhou Jun gritou. He Hehe e Jiao Hougeng interromperam a disputa, Xue Linghan também parou, e todos olharam para Zhou Jun.

Ele contornou a mesa, pegando o frasco marrom diante de todos. Não havia marca alguma, tampado com uma tampa plástica, mas era evidente que já fora aberto.

Dentro, havia comprimidos ovais, mas devido à cor do frasco, era impossível discernir o tom original.

Xue Linghan exclamou, surpresa:

— Sonho de Luz do Dia?

— Sonho de Luz do Dia? — Zhou Jun ficou boquiaberto, a mente girando em alta velocidade. Procurou por esse alucinógeno em vão, e agora ele surgia diante de si, sem esforço algum!

Porém, lembrando seu disfarce, fingiu não entender:

— O quê? Que sonho de luz do dia?

Ninguém se surpreendeu com sua ignorância. Xue Linghan tomou o frasco das mãos dele.

— Isto é uma droga alucinógena. Não precisa saber mais.

Ela abriu o frasco, despejando alguns comprimidos para examinar. Zhou Jun reconheceu de imediato: eram idênticos às imagens em seus arquivos — comprimidos vermelhos que, mesmo triturados, permaneciam vermelhos; nenhuma tecnologia moderna conseguia identificar sua composição.

— De quem é isto? — Xue Linghan olhou estranhamente para Zhou Jun, que apontou para He Hehe.

He Hehe explodiu:

— Você está me acusando!

— Vi claramente cair do seu bolso. Como pode ser acusação? — Zhou Jun abriu as mãos, demonstrando inocência.

Xue Linghan alternou o olhar entre He Hehe e Zhou Jun, começando a suspeitar deste último. Ele acabara de chegar e, repentinamente, surgia o “Sonho de Luz do Dia” em sua sala. Teria vindo ao Terceiro Ano, Turma Oito, com um propósito oculto?

Zhou Jun, ao ver o olhar gélido de Xue Linghan, ficou apreensivo. Ela não estaria pensando que ele era o culpado? Na Turma Oito, o que Xue Linghan dizia era lei; se ela decidisse que a droga era dele, todos concordariam, a menos que tivesse provas...

Zhou Jun sorriu amargamente; não possuía evidências, tampouco havia câmeras no local.

Jiao Hougeng acrescentou, provocando:

— Novato, He só teve um desentendimento com Hua Lei, não precisava incriminá-lo.

— Incriminar? — Zhou Jun respondeu. — Por que o faria? E você, tem provas?

O impasse persistia. Zhou Jun estava só, enfrentando todos, inclusive Xue Linghan, que apoiava He Hehe. Um sentimento de derrota o invadiu. Se fosse expulso ou isolado, como poderia justificar-se ao líder?

Xue Linghan declarou:

— Já repeti: na Turma Oito, é proibido qualquer substância ilegal, especialmente o “Sonho de Luz do Dia”!

Olhou para Zhou Jun.

— Talvez ainda não conheça as regras da turma. Acho que é hora de uma lição.

E, elevando a voz, ordenou:

— Hougeng, ensine-o! Hua Lei, chame a polícia!

— Ah? — Hua Lei murmurou. — Por quê eu?

— E por que não você? — Xue Linghan disse. — Tudo começou por sua causa. Mas quem trouxe a droga, será a polícia quem determinará!

— Tenho provas! — ressoou então uma voz serena. Todos voltaram-se: era o mais enigmático dos alunos — o Corvo!