Capítulo Sete: Céu Limpo
Tang Feng soltou o Ruivo, que tropeçou cambaleante, com o rosto tomado de rancor, e correu para dentro da lan house.
Ao lado, os poucos capangas restantes fitavam os dois com olhos ferozes, cercando-os por completo.
Diante daquela cena, o delicado rosto de Song Ziwei transparecia pânico; ela segurou a barra da roupa de Tang Feng e perguntou, hesitante:
— Você... você por que bate assim nas pessoas, sem mais nem menos?
— Você não era assim antes.
— Isso é muito ruim, precisa mudar.
Tang Feng respondeu, com expressão de desalento:
— Senhorita Song, eu já mudei, está bem? Lá fora, tudo é tão caótico... Mesmo trabalhando em minas ou criando porcos, não é nada seguro. Precisei aprender uns golpes para me defender.
— Além disso, só bato em quem me contradiz.
— Se fosse há alguns dias... Eu não só...
Tang Feng ainda não terminara a frase, quando um sujeito de cerca de um metro e oitenta, corpo volumoso, pesando mais de cento e cinquenta quilos, saiu da lan house, ladeado por seus comparsas, com passos arrogantes.
O Ruivo posicionou-se ao lado do gordo, apontando para Tang Feng:
— Fei Long, foi aquele sujeito que te procurou! Ele ainda me machucou!
Fei Long semicerrava os olhos, irradiando ferocidade; ao ver Song Ziwei, passou a língua pelos lábios com repugnância, e só então falou, com voz abafada:
— Cachorro cego, ousando causar problemas aqui no meu território... Está cansado de viver, é?
Tang Feng apenas sorriu, frio e silencioso.
Song Ziwei, ao olhar para Fei Long — um amontoado de carne disforme — esforçou-se para soar firme:
— Se... Senhor Fei Long, não se engane. Não viemos arrumar confusão. Sou Song Ziwei, representante do Grupo Zhenhua... O senhor nos deve trezentos e oitenta mil pelo serviço de reforma. Poderia, por favor, acertar a dívida?
— Grupo Zhenhua? Isso não vale nada! — Fei Long, com desprezo estampado no rosto: — Já faz uns cinco, seis anos que enrolo vocês, como ainda têm coragem de vir cobrar? Querem morrer, é?
— Dinheiro? Nunca vou pagar. Nem nesta vida.
— Mas, se a bela moça quiser me fazer companhia, talvez eu considere pagar parte disso...
O desejo ascendia nos olhos de Fei Long; seu rosto grotesco exibia um sorriso lascivo, e em seus olhos miúdos só havia a silhueta graciosa de Song Ziwei.
Song Ziwei, acostumada desde pequena aos olhares indecentes, já não se surpreendia; porém, a aparência de Fei Long era tão assustadora que ela não pôde deixar de sentir medo.
Tang Feng colocou-se à frente de Song Ziwei, e declarou:
— Porco do outro lado, trate logo de pagar. Se já são cinco, seis anos de atraso, com juros, arredonde para quinhentos mil.
— Não estou pedindo demais, afinal, todos precisam sobreviver.
— Mas só aceito pagamento em dinheiro.
Porco?
Ao ouvir tal termo, o semblante de Fei Long distorceu-se em horror.
Na região oeste da Cidade Portuária, Fei Long era figura de destaque.
Desde o ensino fundamental, ele se metia em confusões; sua coragem para brigar, aliada ao corpo avantajado, fez com que conquistasse respeito em poucos anos.
Hoje, comandava uma lan house de tamanho considerável, mantinha mais de vinte capangas, e com sua fortuna, dominava o bairro, ninguém ousava desafiá-lo.
“Porco” era seu apelido de subordinado, há anos atrás; desde que se tornou chefe, quase ninguém ousava chamá-lo assim.
— O que você me chamou? Tem coragem de repetir?! — Fei Long, com o rosto contorcido.
Tang Feng soltou uma risada:
— Você ficou surdo? Te chamei de Porco! Porco! Porco! Três vezes! Ouviu bem agora?
Pfft.
Um dos capangas de Fei Long não conteve o riso.
Fei Long lançou-lhe um olhar fulminante e bradou:
— Irmãos, matem esse sujeito!
Ao comando, o Ruivo foi o primeiro a avançar, brandindo uma faca, indo ao ataque com expressão delirante.
— Ah!
Song Ziwei, aterrorizada, soltou um grito estridente; Tang Feng quase saltou:
— Minha querida Senhorita Song, pode gritar para eles, mas poupe-me desse ataque sônico.
— E, por favor, solte meu braço; ainda tenho uma briga para enfrentar.
Song Ziwei, tremendo, finalmente soltou o braço de Tang Feng, preocupada:
— Tang... Tang Feng, tome cuidado.
Tang Feng?
No ensino médio, Song Ziwei adorava chamá-lo assim.
Ao ouvir aquele nome há tanto não pronunciado, Tang Feng sentiu-se animado.
Retirou o cigarro da boca, já pela metade, e entregou a Song Ziwei com solenidade:
— Segure bem para mim, não deixe apagar.
— Caso contrário, quando eu voltar...
— Vou bater em você!
Song Ziwei corou, protestando com delicadeza:
— Delinquente!
Fei Long cruzou os braços, sorrindo friamente; já conseguia imaginar Tang Feng sendo espancado por seus capangas.
Enfim.
Tang Feng se moveu.
Como um raio, em um instante estava diante do Ruivo.
Com um movimento ágil, tomou-lhe a faca.
Antes que ele reagisse, sentiu uma dor no couro cabeludo; Tang Feng, sorrateiro, apareceu atrás dele, segurando com firmeza seus cabelos vermelhos.
Tang Feng, com expressão severa, brandiu a faca, passando-a rente ao couro cabeludo do Ruivo.
Zun!
O Ruivo sentiu apenas um frio na cabeça; o topo ficou completamente calvo, como se tivesse sido raspado por uma máquina.
— Da próxima vez, pinte de amarelo.
— Vermelho é muito chamativo, me incomoda!
Tang Feng deu um chute, lançando o Ruivo ao longe; em seguida, movia-se entre os vinte capangas como um dragão, com leveza e destreza, como se estivesse passeando.
Bam! Bam!
Punhos e pés reluziam!
Os capangas caíam, gritando de dor, tendões rompidos, ossos quebrados.
Fei Long, espantado, abria a boca cada vez mais.
Mas era também um sujeito implacável: urrou e lançou-se contra Tang Feng como um tanque de carne!
Vendo Fei Long avançar com tamanha força, Song Ziwei gritou:
— Tang Feng, cuidado atrás!
O último capanga tombou, e Tang Feng ouviu o alerta de Song Ziwei; sentindo o vento forte vindo por trás, como se tivesse olhos nas costas, saltou no ar, executando um chute giratório perfeito, digno de manual, atingindo violentamente o rosto de Fei Long.
A face de Fei Long deformou-se com o impacto; ele girou no ar e caiu pesadamente ao chão, gemendo de dor, completamente incapacitado.
Tang Feng, sorrindo, aproximou-se; Song Ziwei lembrou-se do acordo entre eles, olhou para a mão, o cigarro estava apagado...
— Tang Feng, não... não se aproxime... — Song Ziwei, apavorada, cruzou os braços sobre o peito.
Tang Feng sorriu, sumindo de vista.
Duas palmadas ressoaram.
Sua mão atrevida cumpriu o prometido.
— Ah, Tang Feng, seu pervertido! — Song Ziwei, ruborizada, pulou, cobrindo o traseiro.
Tang Feng deu de ombros:
— Não é minha culpa! Combinamos, quem apagasse o cigarro levaria duas palmadas.
— Eu disse que seriam duas, não mais.
— Ah, sim...
— Podemos começar?
...
Sala da lan house “Sangue Ardente”.
Tang Feng, com o cigarro entre os lábios e as pernas sobre a mesa, exibia um ar de absoluto relaxamento, como se estivesse em casa.
No espaço à frente, os vinte capangas, exceto alguns com ossos quebrados enviados ao hospital, estavam ali, tensos, sem ousar respirar.
Alguns minutos depois, Fei Long entrou, trêmulo, aproximou-se da mesa e depositou uma maleta.
— Tang... Tang Feng... Os quinhentos mil estão todos aqui, não falta nada. Quer conferir?
Tang Feng abriu a maleta, lançou um olhar: uma caixa cheia de notas vermelhas. Pegou um maço, conferiu, era autêntico; só então levantou-se.
— Se tivesse entregue logo, teria evitado tudo isso.
— Precisa passar por surras para entender?
Fei Long, suando frio, sorriu constrangido:
— Tem razão, nunca mais vou atrasar pagamentos.
Tang Feng acenou com a cabeça, pegou a maleta e saiu com passos largos.
Com a saída do demônio, Fei Long e seus homens finalmente respiraram aliviados, alguns capangas caíram ao chão, exaustos.
Mas Tang Feng ainda pôs a cabeça para dentro, ameaçando:
— Ruivo, lembre-se! Se em três dias não pintar o cabelo de amarelo, corto sua cabeça fora para jogar futebol!
— Hmpf! Agora sim, estou indo!
Ruivo, apavorado, desabou; um odor pútrido tomou conta do ambiente.
Ele havia se urinado de medo...
No caminho de volta, Tang Feng assumiu o volante.
Song Ziwei sentou-se no banco do passageiro, com expressão austera.
— Senhorita Song, vencemos juntos, poderia ao menos sorrir.
— Foram só duas palmadas.
— Não, espera... depois mais duas.
Song Ziwei, com tom de reprovação:
— Se não calar a boca, vai descer do carro e voltar andando!
Vendo que ela estava prestes a explodir, Tang Feng calou-se de imediato e acionou o botão do rádio.
A música começou: era “Dia Claro” de Jay Chou.
...
No dia em que faltei à aula por você
No dia em que as flores caíram
Naquela sala de aula
Por que não consigo ver
O dia chuvoso que desapareceu
Gostaria de me molhar mais uma vez
...
Tang Feng acompanhava a melodia, murmurando:
— Não esperava ainda guardar a coragem perdida.
Queria perguntar de novo
Você vai esperar ou partir?
Song Ziwei, com os olhos úmidos, voltou o rosto para a janela.
Lá fora, o céu, antes nublado, agora brilhava.
...
Condomínio Jardim.
Li Mei olhava para a mesa repleta de dinheiro, sorrindo de alegria.
— Minha filha, conte à mamãe: como foi tão fácil recuperar quinhentos mil? Eu e seu pai jamais juntamos tanto.
Fácil?
Um homem derrubou vinte capangas e um Fei Long monstruoso; isso é fácil?
Song Ziwei olhou para Tang Feng, deitado no sofá, rindo diante da televisão, e sentiu uma pontada no coração.
Aquele dinheiro...
Tang Feng conquistou arriscando a vida.
— Mamãe, tivemos sorte e encontramos um patrão generoso. Ao saber que íamos cobrar, pagou tudo, até os juros. — Song Ziwei cortava frutas, servindo-as diante de Tang Feng, indicando com o queixo: — Coma, é sua recompensa.
Tang Feng riu, pegando sem cerimônia, e sussurrou:
— Não contou nada, né? Não diga que briguei. Senão, seus pais vão se preocupar.
Song Ziwei, cabisbaixa:
— Nunca menti antes.
— Decidi, amanhã vou admitir a derrota ao avô.
— Se perder as ações, paciência.
— Mas não quero que você se machuque.
Tang Feng sentiu-se aquecido, desconversou:
— Conseguimos uma vitória, temos que perseverar! E nem toda cobrança será tão difícil assim.
Song Ziwei queria dizer algo, mas o telefone tocou.
Depois de atender, trouxe uma sacola de compras do quarto e pôs diante de Tang Feng:
— A Ye Ling ligou, lembrando do encontro de ex-alunos hoje à noite. Trouxe roupas novas para você, vá experimentar.