Capítulo Quatro: O Louco Huang Weixiang?
Tang Feng mantinha uma expressão serena ao entrar, e logo deparou-se com Huang Weixiang, cujo rosto inchado assemelhava-se ao de um porco.
— Diretor Huang? — exclamou Tang Feng, demonstrando surpresa.
Diretor Huang? Que absurdo é esse?
Os membros da família Song estavam completamente confusos, mas, para amenizar a relação com Huang Weixiang, Song Gui apressou-se em intervir, bradando com raiva:
— Que diretor coisa nenhuma! Este é o senhor Huang Weixiang, o presidente Huang!
— Oh? — Tang Feng arqueou as sobrancelhas. — Então é o senhor Huang... Perdoe-me pelo engano. É que tenho um amigo que se parece muito consigo, também de sobrenome Huang, que se autodenomina diretor. Vive a praticar toda sorte de pilantragens, sempre envolvido em atos mesquinhos e vis.
— No fim, foi pego, espancado quase até a morte e lançado ao mar como alimento para os peixes.
Tang Feng falava pausadamente, e por fim cravou em Huang Weixiang um olhar repleto de significado:
— Não me diga que o senhor é do mesmo tipo?
O semblante de Huang Weixiang tornou-se constrangido, mas logo recobrou a compostura. Fixando Tang Feng com olhos furiosos, vociferou:
— Matem-no! Quero que o espanque até a morte! Se morrer, a culpa é minha!
Ao ouvirem isso, os capangas postados atrás de Huang Weixiang mostraram-se ansiosos por agir.
Nesse momento, Song Ren puxou Tang Feng para trás de si, avançando sozinho e, com voz autoritária, declarou:
— Quero ver se ainda existe lei neste mundo! Quem ousa levantar a mão contra meu genro?
— Seu ingrato! Isso não tem nada a ver consigo, saia já da minha frente! — exclamou Song Zhenhua, indignado, com o rosto rubro, barba tremendo.
Song Ren, porém, não recuou:
— Pai, como não tem a ver comigo? Tang Feng é meu genro, e também o genro de seu neto!
Song Zhenhua, tomado pela fúria, quase desmaiou, e esbravejou:
— Cale-se! Um inútil como Tang Feng não é digno de ser genro da minha neta! O genro da minha neta só pode ser Chen Junkai, um jovem de família ilustre, compreendeu?
Ao lado, Chen Junkai, ao ouvir tais palavras, não pôde deixar de elogiar mentalmente o velho, que mais uma vez o ajudava a parecer um herói diante da bela moça.
Desde que Song Ziwei entrara na sala de reuniões, Song Jiaqi, que antes se aninhava em seus braços e o olhava com admiração, já não parecia tão encantada.
Diante de todo esse espetáculo, Huang Weixiang sentia-se perdido. Lançou um olhar discreto para Chen Junkai, que arqueou as sobrancelhas.
Huang Weixiang, digno de ser chamado de cão fiel, entendeu o sinal e voltou a ordenar em alta voz:
— Continuem! Espancem-no!
Os capangas, já impacientes, avançaram como lobos famintos em direção a Tang Feng.
Li Mei, percebendo o perigo, arrastou Song Ren para o lado, ralhando:
— Velho tolo, se quer morrer, escolha outro dia! Isso é briga de jovens, por que se mete?
Song Ren tentou se desvencilhar, apressando-se a dizer:
— Mulher desmiolada, ligue logo para a polícia! Por pior que seja, Tang Feng ainda é nosso genro!
Tang Feng, altivo, mantinha-se ereto, sem sequer lançar um olhar aos capangas. Sorrindo, voltou-se para Song Ziwei e perguntou:
— Por que não se esquivou?
Song Ziwei estava visivelmente assustada, o corpo trêmulo, mas permaneceu ao lado de Tang Feng, respondendo com firmeza:
— Por que deveria me esquivar?
O coração de Tang Feng aqueceu-se, e um olhar terno pousou sobre Song Ziwei.
Seis anos de separação, agora, o reencontro.
A relação entre ambos era como a de estranhos que se conhecem intimamente.
Os sentimentos que brotaram na juventude já haviam sido ceifados pelo abismo do tempo.
Restaurar o passado exigiria esforço contínuo de Tang Feng.
Chen Junkai assistia a tudo com frieza, decidido: deixaria que Tang Feng fosse espancado, para depois intervir com falsa generosidade e conquistar a simpatia de Song Ziwei.
Com sua linhagem ilustre e aparência elegante, bastava deixar uma impressão marcante em Song Ziwei, e conquistá-la-ia sem dificuldades. Quem sabe, até as duas irmãs Song acabariam a servi-lo juntas...
A excitação dessa ideia fez Chen Junkai reagir fisicamente.
Os capangas mais rápidos já estavam próximos.
Tang Feng permanecia inabalável.
O capanga sorria com crueldade, erguendo o punho para desferir o golpe. Song Ziwei, cerrando os dentes, virou-se e abraçou Tang Feng, tentando proteger com seu frágil corpo as costas do amado.
— Tola... — murmurou Tang Feng, surpreso. Apertou-a contra si e, num instante, ambos desviaram do golpe, deixando todos perplexos.
Os capangas tentaram avançar novamente, mas, de súbito, uma nova turba entrou na sala, interrompendo a agressão.
À frente vinha um homem de meia-idade, envergando um jaleco branco e óculos, inconfundivelmente um médico.
Ignorando o ambiente tenso, ele falou com frieza:
— Quem é Huang Weixiang?
Huang Weixiang, confuso, respondeu:
— Eu... eu sou. De qual hospital o senhor é? Não já recebi alta?
O médico ajustou os óculos, sacou uma foto do bolso e comparou-a a Huang Weixiang. Depois, acenou com a mão, em tom irrefutável:
— É ele. Levem-no!
Um grupo imobilizou Huang Weixiang.
Huang Weixiang ficou atônito.
Ninguém compreendia o que se passava.
O médico pigarreou:
— Sou do Hospital Psiquiátrico da Cidade de Hong Kong. O senhor Huang padece de depressão grave, transtorno psicótico intermitente, delírios persecutórios e outros inúmeros distúrbios mentais. Seu estado é tão grave que ameaça a ordem pública. Por isso, devemos levá-lo de volta para tratamento compulsório. Pedimos a compreensão dos familiares.
Todos ficaram perplexos.
Huang Weixiang era louco?
— Não estou doente! Doente é a sua mãe! — gritou Huang Weixiang, debatendo-se. Gritou para os capangas, que pareciam atordoados: — O que estão esperando? Ajudem-me a acabar com esses canalhas!
Os capangas, recobrando-se, preparavam-se para agir, mas o médico sacou rapidamente um documento, falando com firmeza:
— O senhor Huang sofre realmente de transtorno mental. Se o ajudarem, estarão cometendo crime. Eis aqui seu prontuário!
O documento circulou entre os presentes, que, ao lerem, alternavam olhares de compaixão, escárnio e temor para Huang Weixiang.
Era, de fato, um prontuário, com nome e carimbo oficiais.
Huang Weixiang, tomado de instinto de sobrevivência, tentou gritar por socorro, mas logo teve a boca tapada. Preparavam-se para levá-lo quando Chen Junkai, impaciente, levantou-se e bradou:
— Soltem-no!
— Huang Weixiang come, bebe, dorme e nos fala normalmente; como podem dizer que é louco?
— Na verdade, creio que vocês é que são loucos!
— Sou Chen Junkai, herdeiro do Grupo Hengtong. Se prezam por suas vidas, soltem-no imediatamente! Caso contrário, as consequências serão gravíssimas!
Chen Junkai brandiu seu status, suas palavras firmes e retumbantes.
Ninguém ousava contrariar.
Por alguma razão, ele queria proteger Huang Weixiang, precisava bancar o importante — e, acima de tudo, não suportava ver o sorriso sarcástico de Tang Feng. Queria vê-lo prostrado, suplicando por clemência.
Com sua fala, a sala mergulhou no mais absoluto silêncio.
O nome da família Chen era conhecido por toda a cidade de Hong Kong. Ninguém ousava desagradar aquele clã.
De repente, do lado de fora, ouviu-se uma salva de palmas, seguida de uma voz carregada de escárnio:
— O grande herdeiro da família Chen? Que imponência! Não sei se eu, Xiao Sa, serviria sequer para lhe engraxar os sapatos...
E assim que cessou a fala, um jovem de aparência singular — belo, cabelo descolorido, roupas rasgadas, correntes tilintando pelo corpo, exalando uma aura alternativa — entrou escoltado por dois guarda-costas de negro.
Ao adentrar, Xiao Sa avistou Tang Feng, eufórico, quase gritou “Gran...”, mas, ao notar o cenho franzido de Tang Feng, conteve-se e, em tom displicente, saudou:
— Bom dia a todos.
Ninguém ousou responder. Ninguém sabia quem era aquele excêntrico de postura altiva e presença insólita.
Poucos perceberam que, ao ver Xiao Sa, Chen Junkai ficou paralisado, tomado de pânico.
Tremendo, deixou cair o cigarro que tinha na boca.
— Hum? — Xiao Sa arqueou a sobrancelha, caminhou até Chen Junkai e, sem aviso, desferiu-lhe dois tabefes.
Pegando-o desprevenido, atirou Chen Junkai ao chão; este, contudo, não esboçou reação, apenas suplicou, adulador:
— Irmão Xiao Sa, eu... eu não lhe fiz nada, por que me bateu...?
— Não me provocou? — Xiao Sa chutou-o repetidas vezes, vociferando: — Veio ao meu território bancar o importante, ousa dizer que não me provocou?
— Hein?
— E ainda joga bituca de cigarro no meu chão? Sabe o quanto isso é falta de educação?
— Hein?
Chen Junkai não ousou revidar, gritando de dor, até que, sem se importar com o vexame, saiu rastejando em direção à porta.
Song Jiaqi, hesitante, acabou por segui-lo.
Xiao Sa, vendo-os fugir, não se importou. Sem mais delongas, o médico autorizou a remoção de Huang Weixiang, e seus capangas, assustados, já haviam desaparecido.
Huang Weixiang, agora oficialmente “louco”, jazia na maca, o rosto tomado pelo desespero, lágrimas de arrependimento escorrendo ao ver a porta da sala afastar-se.
Jamais compreenderia contra que tipo de gente poderosa havia se insurgido...
O episódio chegava ao fim. Xiao Sa lançou o olhar pela sala, notando que todos o fitavam com temor.
— Ora, não precisam ter medo de mim, não sou louco — declarou, sorrindo, aproximando-se de Song Zhenhua. Apertou-lhe a mão, mostrando-se afável:
— O senhor deve ser o patriarca Song. Chamo-me Xiao Sa. Peço desculpas pelo susto de hoje.
— Esta velha construção tem uma segurança deplorável, qualquer um entra aqui...
— Farei assim: de agora em diante, eu, Xiao Sa, decido que este edifício passa a ser seu, como compensação... Se concordar, peço apenas que assine o contrato de transferência que meu advogado trará em breve.
Como?
A família Song permanecia atônita.
Que espécie de extravagância era aquela?