Capítulo Oito Primeira Saída da Nave: Uma Sensação Plena
Era a primeira vez que Su Yu pilotava uma nave espacial. O veículo era um cilindro dividido em três compartimentos: a cabine de comando, o módulo de descanso e o depósito. Contudo, para acomodar o maior número possível de ogivas nucleares de alto rendimento, Su Yu desmontara o módulo de descanso, transformando-o em espaço adicional para armazenamento.
Muitos suprimentos indispensáveis também haviam sido deixados para trás; afinal, ele não viajara ao espaço a passeio, mas sim para obliterar um asteroide. Os painéis solares foram abertos e começaram a operar; a situação interna da nave era excelente. Su Yu não pretendia perder tempo: imediatamente iniciou a manobra, dirigindo a nave em direção ao asteroide.
Pilotar uma nave espacial era cem vezes mais complexo do que controlar um helicóptero, mas Su Yu passara por treinamento rigoroso. Além disso, o espaço era vasto e livre de obstáculos, de modo que a condução não era especialmente difícil. Ainda assim, agia com extrema cautela, pois sabia que aquele modesto veículo carregava as esperanças de toda a humanidade.
A nave se aproximava gradualmente do asteroide, um processo extremamente demorado. Su Yu só podia observar a posição do corpo celeste por uma pequena janela de vidro. O silêncio absoluto do espaço fazia com que percebesse nitidamente o próprio batimento cardíaco; a nave girava lentamente, mas ele não o notava.
Helicópteros possuem nível, mas aquela espaçonave não, nem precisava; não havia gravidade ali. Por fim, após quatro horas de aproximação constante, Su Yu finalmente chegou junto ao asteroide de trezentos quilômetros de diâmetro. Aquele colosso era descomunal; comparado a ele, a nave parecia uma folha solta num grande rio.
Su Yu começou a orbitar o asteroide, procurando um ponto adequado para a detonação. Destruir um corpo tão imenso com poucas ogivas nucleares de alto rendimento era impossível; a única alternativa era encontrar o ângulo correto e detonar todas simultaneamente, utilizando a força da explosão para alterar a trajetória do asteroide.
Assim, faria com que o asteroide passasse de raspão pela Terra. Quando ainda estava em solo, Su Yu realizara cálculos rigorosos: se detonasse quatro ou mais ogivas nucleares de alto rendimento a oitenta e cinco graus da direção do movimento do asteroide, seria suficiente para desviá-lo, fazendo com que passasse próximo à órbita terrestre, riscasse uma linha sobre o céu do País da Beleza e, por fim, sumisse nas profundezas do universo.
Mas tudo isso era teoria — e a teoria está repleta de incertezas; somente a prática revelaria o resultado.
Por isso, nessa missão, Su Yu trouxera nada menos que seis ogivas nucleares de alto rendimento, para minimizar os erros e buscar, ao máximo, a concretização do resultado teórico. Convém lembrar: cada uma dessas seis ogivas poderia facilmente destruir uma cidade de porte provincial, sendo mais de setecentas vezes mais poderosa que a primeira bomba nuclear, "Little Boy".
Se não fosse um asteroide de ferro meteórico, Su Yu acreditava que poderia mesmo destruí-lo por completo. Mas, por ser de ferro meteórico, restava apenas o plano de alterar sua rota — o mais seguro, sem dúvida.
Ao aproximar-se do asteroide, Su Yu percebeu que o caderno e a caneta dentro da nave se moviam levemente em direção ao corpo celeste, sinal de que este já começava a exercer gravidade própria — uma prova eloquente de sua massa colossal.
Por isso, Su Yu não podia garantir que a detonação das seis ogivas seria suficiente para o êxito imediato. Mas, independentemente disso, precisava tentar.
A nave atingiu a posição determinada e, então, parou lentamente. Su Yu dirigiu-se ao compartimento de descompressão; vestiu o traje espacial, removeu todo o ar da câmara e abriu a escotilha.
No instante seguinte, o vasto e infinito cosmos se descortinou diante de Su Yu: o firmamento sem fim, a escuridão abissal do universo. Uma solidão e um temor ilimitados o envolveram, fazendo seu ritmo cardíaco despencar.
Contudo, Su Yu dominou as emoções; sabia que não podia desmaiar em sua primeira incursão no espaço. Rapidamente, saiu da câmara, prendeu o cabo de segurança ao corrimão da nave e evitou olhar para o abismo estrelado, concentrando-se em mover-se até a porta do depósito, que abriu em seguida.
As seis ogivas nucleares flutuavam silenciosas, fixadas no espaço. Era um depósito de porte médio, adaptado a partir do módulo de descanso e do compartimento de cargas — só assim seria possível acomodar as seis ogivas.
Su Yu entrou no depósito e começou a retirar, uma a uma, as ogivas nucleares, deslocando-as lentamente para as posições designadas. No ambiente sem gravidade, não precisava de guindastes. Enquanto trabalhava, o cabo de segurança enroscou-se em seu pé, mas ele não se apavorou e continuou.
Era uma tarefa repetitiva, sem maiores dificuldades ou interferências. O único cuidado era jamais tocar o asteroide — pois, caso o tocasse, o tempo suspenso se desfaria e o corpo celeste retomaria sua rota rumo à Terra.
Por isso, não se podia instalar as ogivas diretamente sobre o asteroide.
Depois de posicionar as seis ogivas, Su Yu retornou à câmara, restabeleceu a pressão e só então percebeu que estava coberto de suor, as costas encharcadas. Tamanha era sua concentração que nem notara o detalhe, nem mesmo o fato de que o oxigênio do traje espacial restava apenas cinco por cento.
O pânico o assaltou: segundo as regras, deveria retornar à câmara assim que restassem vinte por cento de oxigênio. Mas Su Yu buscava realizar tudo de uma vez, para economizar tempo. Não é de admirar que o cinema retrate tantos episódios assim — é o típico pensamento de sorte, comum a todos.
Mas esse modo de pensar é perigoso. Com o tempo suspenso, por que economizar tempo?
Su Yu voltou ao cockpit e retirou o controle remoto das ogivas nucleares, guardado num estojo de ferro. O procedimento era complexo: além da senha, eram necessárias duas chaves giradas simultaneamente, e só então o botão de detonação poderia ser pressionado.
Para evitar interferências no sinal, Su Yu acionou o detonador imediatamente após retornar à cabine e apertou o botão. Contudo, nada aconteceu — as ogivas estavam paralisadas no tempo. Apenas quando o tempo fosse restaurado e três segundos transcorridos, explodiriam.
“É hora de voltar.” Su Yu guardou o estojo de ferro, girou a nave e sabia que, se o plano desse certo, quando escapasse do raio da explosão, o tempo suspenso seria desfeito.
Todavia, ao regressar, Su Yu percebeu algo estranho: atrás do asteroide, havia um rastro azul flamejante. Antes, tenso ao sair da nave, não notara tal detalhe; agora, porém, via claramente.
Su Yu, intrigado, pilotou até lá e descobriu, para seu assombro, um gigantesco propulsor instalado na traseira do asteroide, expelindo chamas azuis e impulsionando o corpo celeste contra a Terra.
Su Yu ficou atônito.
“Este asteroide não está vindo em direção à Terra por acaso — alguém, algum ser extraterrestre, mexeu os pauzinhos!”