Capítulo Seis: A Suprema Bomba Nuclear, Pronta para o Despertar
As ogivas nucleares de alto rendimento do Reino do Urso Polar são famosas no mundo inteiro; se alguém deseja destruir um meteorito, provavelmente só lá encontraria o necessário.
Su Yu deixou o Centro de Lançamento da Montanha Melancia, onde permanecera por dez anos.
Ali, ele transformou-se num verdadeiro expoente da humanidade. Afinal, as capacidades físicas, o conhecimento, a inteligência e a psique de um astronauta representam o ápice da espécie humana.
No entanto, Su Yu estranhava algo: ao longo desses dez anos, ele percebeu que não envelhecera nem um pouco, e seu vigor físico continuava a crescer, sem jamais atingir um limite.
“Se fôssemos dividir os estágios do ser humano, seriam: criança, adulto, ápice humano e limite humano.”
Antes, Su Yu mal se situava entre criança e adulto. Anos de trabalho exaustivo e ausência de exercícios físicos o deixaram em estado subsaudável, seu corpo aquém até da média dos adultos.
Agora, após uma década de disciplina, Su Yu atingira o ápice humano!
O mais crucial é: Su Yu não envelhecia, e a forma física conquistada com esforço não se esvaía.
No esporte, quem não avança, regride; mas Su Yu era diferente—o que conquistava permanecia, acumulava-se.
Assim, mesmo que fizesse cem flexões, cem abdominais e cem agachamentos por dia, ao final de cem dias teria feito dez mil de cada exercício.
E Su Yu já treinava intensamente há dez anos!
Foram esses anos de acúmulo que lhe permitiram tornar-se astronauta tão rapidamente.
De outro modo, como poderia um homem comum alcançar tal patamar em apenas uma década?
Este é Su Yu, no estado de suspensão temporal.
Ele chegou a cogitar: já que não envelhecia, por que não treinar por séculos e, enfim, destruir o meteorito com um só soco?
Mas sabia bem que isto era um devaneio, pois o ser humano possui limites. “O ser humano possui limites, Su Yu!”, disse a si mesmo.
Acima do ápice está o limite humano, e Su Yu ainda não o tocara.
Ninguém jamais o atingiu, nem mesmo o veloz Bolt.
Bolt começou a envelhecer; se não o fizesse, talvez tocasse o limite da velocidade.
Mas Su Yu não envelhecia, e nisto residia sua vantagem.
Por isso, desta vez, ao ir para o Reino do Urso Polar, sequer pilotou um helicóptero: avançou correndo.
Foi uma ultramaratona de 2.854 quilômetros—uma provação para corpo e mente!
Maratonistas mantêm média de 20 km/h; a esse ritmo, seriam necessários ao menos seis dias ininterruptos para completar a distância.
Se contarmos o tempo de descanso, o total dobra: doze dias.
Somando alimentação e necessidades, ao menos quinze dias.
Mas não devemos esquecer: 2.854 quilômetros é a distância em linha reta.
Su Yu ora seguia estradas, ora embrenhava-se pelo mato—e nessas jornadas, era difícil encontrar repouso ou alimento.
Ainda assim, para forjar corpo e espírito, optou por alternar estrada e trilha, praticando sobrevivência selvagem.
Por sorte, no tempo suspenso, não havia risco de ataques de animais, e caçar era tarefa simples.
Assim, após vinte e cinco dias de esforço físico e mental, Su Yu chegou ao Reino do Urso Polar.
Mas acabara apenas de cruzar a fronteira—havia ainda um longo caminho até seu destino.
Seu objetivo era claro: a capital do Reino do Urso Polar.
Chegando ao país, o clima tornou-se gélido, pois Su Yu rumava ao norte.
Por avançar ao norte, o sol mantinha-se sempre no horizonte, recém-nascido, eternamente suspenso—jamais declinava.
Esta era a melhor das condições: juventude perpétua, vitalidade incessante.
Su Yu vestiu um pesado casaco polar; os casacos do Reino do Urso Polar são quentíssimos, sua vodca poderosa, suas salsichas repletas de carne.
Viajando do sul ao norte, Su Yu sentiu os costumes locais: a princípio, arroz e pimenta; depois, arroz com doces; em seguida, massas com cebolinha; por fim, peixe congelado e vodca do Reino do Urso Polar.
Pensou consigo: não fosse a suspensão temporal, jamais teria oportunidade de experimentar tais vivências.
Mas, nessa jornada, estava só.
Sozinho, não via sentido em visitar pontos turísticos ou parques de diversão.
Atravessando montes e rios, após longa jornada, Su Yu enfim chegou à capital do Reino do Urso Polar.
Embora suas roupas estivessem gastas, nem a barba nem os cabelos haviam crescido.
O tempo não lhe deixara marca alguma.
Era como se não apenas o universo estivesse suspenso, mas o próprio fluxo do tempo.
Su Yu adentrou a capital e logo avistou uma multidão de cidadãos alarmados.
Eram altos, robustos, de pele alva, trajando roupas espessas e caminhando apressados pelas ruas.
Naturalmente, naquele instante, todos estavam paralisados.
Su Yu entrou no gabinete presidencial e viu o presidente sentado, rosto grave, enquanto a secretária telefonava aflita.
Aproximou-se e notou sobre a mesa um documento urgente.
Mas não entendia o idioma.
Felizmente, trouxera consigo um sistema de tradução.
Após traduzir, compreendeu o conteúdo:
“Em 23 de julho de 2023, às 5h39, o Observatório Astronômico Modis detectou um asteroide de aproximadamente 321 quilômetros de diâmetro em rota de colisão com a Terra.”
Havia ainda uma anotação:
“Relatório do Centro de Segurança Nacional do Reino do Urso Polar.”
O presidente despachara imediatamente: “Acionar mísseis nucleares, destruir o meteorito, Ura!”
Como suspeitara, qualquer nação com tecnologia de lançamento de foguetes, ao detectar tal ameaça, optaria por enviar ogivas nucleares para interceptar o asteroide.
E, de fato, assim se concretizava.
Contudo, ogivas de baixo rendimento não bastariam—eram necessárias as de maior potência!
Su Yu dirigiu-se ao arquivo secreto da capital, abrindo-o com a digital dos funcionários de segurança.
Após horas de busca, encontrou o depósito das ogivas de alto rendimento do Reino do Urso Polar.
“Num momento de crise existencial da humanidade, certamente não se oporiam a me ceder algumas ogivas”, pensou.
Dirigiu-se às forças especiais do país e, na base secreta, encontrou várias ogivas de cinquenta megatons ou mais, de proporções e peso colossais.
Com um guindaste, carregou-as sobre caminhões pesados.
Verificou os dispositivos de segurança: os detonadores eram extremamente confiáveis, sem risco de disparo acidental.
Afinal, ogivas nucleares não explodem com marteladas; só com detonadores específicos.
Su Yu subiu ao caminhão e deixou a base secreta.
Eram ogivas de mais de cinquenta megatons—verdadeiras ogivas supremas!
Se nem mesmo essas se mostrassem eficazes, Su Yu teria de buscar outro caminho.