Capítulo Oito: Divórcio

Tabib Ilahi Pertama Keluarga Zhai 1833kata 2026-03-15 14:45:05

As palavras de Qin Feng, num instante, instilaram desconfiança no coração de Su Mei, que passou a encará-lo com redobrada cautela.

— Qin Feng, não venha com alarmismos! No pior dos casos, irei ao hospital agora mesmo. Não acredito que dependa unicamente de você — retrucou Su Mei, fitando os olhos de Qin Feng com firmeza, antes de indagar: — Ou será que, na verdade, você não envenenou coisa alguma e está apenas a me amedrontar?

Xu Yanran também voltou o olhar para Qin Feng, partilhando da suspeita. Conhecendo o caráter de Qin Feng, parecia-lhe inconcebível que ele recorresse ao veneno.

Su Mei esforçava-se por discernir, no olhar de Qin Feng, algum sinal de inquietação, por mais fugaz que fosse.

Em vão. Os olhos de Qin Feng mantinham-se serenos como águas profundas, sem qualquer vestígio da reação que Su Mei aguardava.

Seria possível que fosse verdade?

Enquanto sua mente se debatia em turbilhão, Qin Feng apenas balançou a cabeça e disse:

— Se duvidas, olhe para o pulso direito. Verás uma linha vermelha, que se alastra sem cessar. Quando essa linha alcançar teu coração, nem mesmo os deuses poderão salvar-te.

— Restam-te dez minutos. Se desejas que eu te salve, ou preferes o hospital, decide por ti mesma.

— O quê?! — exclamou Su Mei, tomada de súbito assombro. Sem hesitar, ergueu a manga do braço direito. Bastou um olhar para sentir o couro cabeludo formigar.

De fato, tal como Qin Feng dissera, uma linha vermelha marcava seu pulso, subindo incessantemente. Em poucos segundos, já alcançava a altura da axila.

Seu coração afundou num abismo; os olhos vidraram-se, o rosto empalideceu como a morte.

Não fosse pelo encosto do assento, já teria desabado ao chão.

Aquela velocidade significava que, antes mesmo de chegar ao hospital, estaria perdida.

— Qin Feng, salva-me... salva-me, por favor — suplicou Su Mei, caindo de joelhos diante de Qin Feng, agarrando-se desesperadamente à sua perna, qual náufraga a uma tábua de salvação.

Seus olhos exibiam apenas o pavor absoluto diante da morte.

Qin Feng voltou-se e contemplou, impassível, a mulher prostrada ante si, sem a menor sombra de compaixão.

— Posso salvar-te, sim, mas o acordo de divórcio será alterado conforme minhas exigências. E o divórcio deve ser consumado.

O olhar de Qin Feng era de uma frieza cortante.

— Qin Feng, eu errei, quero reatar contigo. Salva-me, e poderemos viver juntos em harmonia, pode ser? — As lágrimas corriam ininterruptas pelo rosto de Su Mei, que se mostrava dócil e vulnerável.

Su Mei supunha que Qin Feng ainda nutria sentimentos por ela, mas ele permaneceu indiferente, limitando-se a dizer friamente:

— Já desperdiçaste dois minutos. Restam oito.

Ciente de que suas artimanhas já não surtiriam efeito, Su Mei abandonou a máscara de fragilidade; seu semblante tornou-se sombrio, e o olhar, dirigido a Qin Feng, adquiriu a frieza de uma serpente. Por fim, entre dentes cerrados, murmurou:

— Está bem!

...

Diante do cartório, Qin Feng contemplava o certificado de divórcio assinado com Su Mei, soltando um longo suspiro.

Finalmente, divorciara-se de Su Mei e recuperara sua casa e suas economias.

Enfim, tudo entre ele e Su Mei chegara ao fim.

— E então, como se sente? — indagou uma voz melodiosa ao lado. Ao voltar-se, Qin Feng viu Xu Yanran sorrindo para ele.

— Sinto-me livre — Qin Feng sorriu, leve como a brisa.

— A propósito — Xu Yanran perguntou de súbito —, você realmente envenenou sua mulher... não, sua ex-mulher?

— Não, apenas a assustei — Qin Feng sorriu e balançou a cabeça. — Alterei a circulação do qi em seu corpo, de modo a simular um envenenamento.

— Na verdade, lá no café, se ela resistisse mais um pouco, teria percebido o truque.

— Pena que ela preza demasiado a própria vida, e o medo da morte a faz perder o discernimento.

Qin Feng soltou um sorriso frio; conhecia Su Mei como poucos.

— És mesmo cruel! — gracejou Xu Yanran, certa de suas suspeitas.

Desde que Qin Feng mencionara a palavra “veneno”, ela já pressentira aquela possibilidade.

Afinal, Qin Feng fora capaz de curá-la de uma doença terminal; criar a ilusão de um envenenamento era trivial para ele.

E, mais importante, Xu Yanran confiava que o caráter de Qin Feng jamais permitiria tal ato.

— Qin Feng, não acredito que ousaste me enganar! — Nesse instante, uma voz furiosa ecoou. Qin Feng voltou-se e viu Su Mei parada à porta do cartório, os olhos flamejantes, como se quisesse devorá-lo.

Su Mei avançou num ímpeto, erguendo a mão para esbofetear Qin Feng.

Era um hábito cultivado em anos de casamento: aplacar a própria ira às custas dele.

Contudo, ao levantar a mão, esta foi firmemente retida por outra.

Era Xu Yanran quem intervinha.

— Faça o favor de compreender: agora que estão divorciados, que direito tem de agredi-lo? — Xu Yanran resmungou, soltando a mão de Su Mei, que cambaleou para trás, tentando recompor-se.

O peito arfava de raiva, e seus olhos, ao fitar Xu Yanran e Qin Feng, transbordavam veneno.

— Se soubesse que terminaria assim, não teria agido desse modo. Apenas recuperei o que era meu por direito. Cuide-se — disse Qin Feng, frio, sem lançar-lhe sequer um olhar, afastando-se.

Xu Yanran lançou um olhar de advertência a Su Mei e partiu, acompanhando Qin Feng.

— Qin Feng, desejo-te a mais amarga das mortes! — bradou Su Mei, cerrando os dentes, enquanto fitava os dois se afastando, dando voz a um grito longo e impregnado de fúria.