Capítulo Sete: O Contra-ataque de Qin Feng, a Ex-Esposa Implora por Misericórdia
Su Mei ficou boquiaberta, sem conseguir acreditar no que via. Só depois de um longo tempo conseguiu reagir, ainda duvidando dos próprios ouvidos. Como poderia uma mulher de tal beleza e elegância se interessar justamente por Qin Feng, aquele inútil?
— Senhorita, me desculpe, mas a pessoa por quem a senhorita se interessou é ele? — perguntou Su Mei, apontando hesitante para Qin Feng.
Xu Yanran sorriu delicadamente; de súbito, inclinou-se e recostou-se sobre Qin Feng, envolvendo-lhe a cintura com os braços num gesto de intimidade reservado apenas aos amantes, carregado de ambiguidade.
— O que você acha? — devolveu a pergunta, erguendo o rosto num desafio sutil.
A resposta era evidente e inquestionável.
O rosto de Su Mei ardia em vergonha, como se tivesse recebido várias bofetadas seguidas. O homem que ela desprezara, de repente, conquistava uma mulher incomparavelmente superior a ela em todos os aspectos. Era uma realidade difícil de aceitar; apontando para Qin Feng, tentou explicar-se apressadamente para Xu Yanran:
— Você sabe quem ele é? Ele não passa de um inútil que ganha alguns trocados por mês, sem dinheiro, sem casa, sem carro. Não se deixe enganar pelas palavras dele.
No íntimo, Su Mei não podia suportar ver Qin Feng com uma mulher melhor do que ela. Na sua visão, Qin Feng só poderia aspirar a alguém muito aquém dela. Devia ter recorrido a algum ardil torpe para enganar aquela outra, pois como uma mulher tão notável se interessaria por alguém tão desprezível?
Para sua surpresa, Xu Yanran não apenas ignorou suas palavras, como ainda lhe lançou um olhar piedoso, dizendo num tom de comiseração:
— Que mulher lamentável você é. Teve um homem tão bom e não soube valorizar, empurrando-o para longe com suas próprias mãos. Espero que não se arrependa depois. Aliás, devo até agradecê-la, pois se não fosse pela sua cegueira, talvez eu jamais tivesse tido a chance de conhecer Qin Feng.
O rosto de Su Mei empalideceu, o peito arfando de raiva. Era uma verdade dura demais para aceitar.
Por quê? Como isso era possível? Qin Feng, um sujeito que mal ganhava para sobreviver, como poderia atrair o interesse de uma herdeira de família rica?
— Qin Feng, decidi: não quero mais o divórcio. — declarou Su Mei, tomada de desespero, olhando furiosa para Xu Yanran, como se desafiasse a rival. Se aquela mulher o desejava tanto, então ela faria questão de não permitir que o tivesse.
Afinal, se ela havia rejeitado Qin Feng, isso queria dizer que ele era um lixo sem valor algum. Como poderia agora ver o mesmo homem, antes descartado, ser tratado como um tesouro por outra mulher? Era insuportável.
Num gesto de provocação, Su Mei ergueu o queixo para Xu Yanran. Esta, jamais tendo visto tamanha desfaçatez, estava prestes a reagir, mas foi contida por Qin Feng ao seu lado.
Su Mei sorriu, triunfante, olhando para Xu Yanran com escárnio:
— Está vendo? O homem que você admira não passa de um cão aos meus pés. Até agora, ainda me protege.
Qin Feng apenas balançou a cabeça para Xu Yanran, indicando que deixasse aquilo consigo. Voltando-se para sua antiga esposa, manteve-se surpreendentemente sereno. Se fosse antes, já teria perdido o controle. Agora, porém, não sentia sequer uma onda de emoção ao vê-la; finalmente, libertara-se daquela mulher, que já não podia afetar-lhe os sentimentos.
— Aconselho que prossiga com o divórcio. E será preciso rever o acordo; caso contrário, quem se arrependerá será você. — disse Qin Feng, num tom glacial que fez Su Mei estranhar-lhe o semblante.
Recobrando-se, Su Mei disparou:
— Ha! Nem morta me arrependerei!
Agarrou sua bolsa LV, lançou um olhar feroz a Qin Feng e Xu Yanran e saiu apressada.
Tac, tac, tac!
O som dos saltos altos de Su Mei afastava-se, mas Qin Feng permaneceu impassível, sorvendo calmamente o café diante de si, como uma montanha inabalável.
— Vai deixá-la sair assim? — Xu Yanran, aflita, não podia disfarçar a ansiedade. Se Su Mei insistisse em não divorciar-se, quanto tempo mais teriam de esperar? Ela própria não podia se dar ao luxo de esperar: a poderosa família Zhang, de Qingcheng, podia forçá-la a casar-se a qualquer momento com o primogênito, um homem à beira da morte.
— Conte até cinco; ela voltará. — Qin Feng pousou suavemente a xícara sobre a mesa e falou com indiferença. Durante todo esse tempo, sequer lançara um olhar para Su Mei.
— Tem certeza de que não está brincando? — Xu Yanran, irritada com a autoconfiança de Qin Feng, virou o rosto, recusando-se a responder. Não podia acreditar que Su Mei realmente voltaria. Qin Feng não era um adivinho; como poderia prever isso?
E, no entanto, uma esperança tênue brotou em seu peito e, baixinho, começou a contar: cinco, quatro, três, dois, um.
Quando chegou ao um, arregalou os olhos, surpresa ao ver Su Mei realmente regressando.
Mas a Su Mei que retornou já não era a mesma de antes. Agora, gotas de suor perlavam-lhe a testa, a expressão contorcida de dor, o rosto pálido como se enfrentasse um sofrimento atroz.
— Qin Feng, você… o que fez comigo? — gritou, tomada de pânico e furor.
Até pouco antes, sentia-se perfeitamente bem, mas bastou encontrar Qin Feng para que uma dor lancinante lhe atravessasse o coração e o baixo-ventre, como se agulhas de prata a perfurassem incessantemente.
Qin Feng, sereno, sorriu:
— Não é nada demais. Apenas aproveitei um descuido seu e coloquei veneno no café que você tomou.
— O quê?!
Su Mei empalideceu e ficou paralisada, demorando-se a assimilar o que ouvira. Assustada, perguntou gaguejando:
— Está falando sério?
Havia um fio de esperança em seus olhos, ansiando que Qin Feng negasse. Mas ele não o fez.
— É claro que sim. — Qin Feng ergueu o olhar, fitando a mulher já quase em choque. — Você tomou minha casa, meus bens, deixou-me na rua. Não acha que eu deveria odiá-la profundamente? E, se a odeio tanto, não seria natural envenená-la?
Falava como se discursasse sobre trivialidades, mas Su Mei sentiu as pernas fraquejarem, quase sem conseguir se sustentar. As palavras dele faziam sentido. Qin Feng sempre a odiara desde então, e, sendo ele dono de uma clínica, conhecedor de remédios, não seria difícil envenenar-lhe a bebida.
Xu Yanran também se mostrou surpresa. Agora compreendia por que Qin Feng tinha tanta certeza de que Su Mei voltaria: tudo fora premeditado. Mas, conhecendo o caráter de Qin Feng, seria ele capaz de envenenar, mesmo que fosse sua esposa, responsável pela sua ruína?
Foi então que Qin Feng, com um suspiro, olhou para Su Mei, já quase sem cor no rosto, e disse:
— Em consideração ao que já fomos, posso ajudá-la a se livrar do veneno.
Su Mei, ao ouvir tais palavras, sentiu um lampejo de esperança. Haveria solução?
Mas, logo em seguida, Qin Feng acrescentou, em tom grave:
— Mas eu tenho uma condição. Para que eu te salve, você deve assinar o acordo de divórcio, devolver minha casa, meu dinheiro, e divorciar-se imediatamente.