Capítulo 006: Refinando o Elixir
Durante toda a tarde, Du Feiyun permaneceu recluso em seu quarto, sem dar sinal de vida. Ao recordar o semblante lívido que ele exibira ao proferir aquele grito de surpresa, a senhora Du sentiu-se inquieta durante horas. Somando a isso o fato de Du Wanqing, sua filha, também exibir, naquela mesma tarde, um cenho constantemente franzido e um olhar distraído e ausente, a inquietação da mãe apenas se aprofundou, intuindo que certamente havia algo sendo ocultado por aqueles irmãos.
Felizmente, ao cair da noite, Du Feiyun finalmente emergiu de seu quarto, sentando-se à mesa com o semblante tranquilo para a refeição, esboçando até mesmo um sorriso tênue e enigmático nos lábios, o que aliviou o coração aflito da senhora Du. Mal repousara a tigela de arroz, Du Feiyun deixou a mesa às pressas, correndo até o paiol nos fundos do pátio onde, entre montes de objetos velhos, vasculhou e separou uma quantidade considerável de ervas medicinais previamente secas. Logo em seguida, recolheu-as nos braços e, em atitude misteriosa, tornou a recolher-se ao quarto, fechando a porta atrás de si e de lá não mais saiu. Diante daquela cena, a senhora Du não pôde deixar de arquear delicadamente as sobrancelhas, incapaz de decifrar as intenções do rapaz. Até mesmo Du Wanqing, sempre absorta em seus pensamentos, percebeu o comportamento estranho do irmão. Entreolharam-se, mãe e filha, ambas perplexas e sem compreender o que se passava.
No silêncio e penumbra do quarto, uma pequena lamparina a óleo derramava luz amarelada e trêmula. Sentado em posição de lótus sobre o leito, Du Feiyun mantinha uma das mãos repousada sobre o joelho e, com a outra, sustentava a base do Caldeirão dos Nove Dragões, que flutuava à sua frente. Sobre a mesa baixa ao lado do leito, alinhavam-se pequenas porções de ervas finamente picadas.
O Caldeirão dos Nove Dragões, naquele momento, encontrava-se quase o dobro do tamanho que apresentara ao meio-dia, erguendo-se agora até cerca de um chi de altura. Nove dragões negros, meticulosamente esculpidos em posturas distintas e vívidas ao redor do corpo do caldeirão, pareciam ainda mais claros e animados.
Du Feiyun, concentrando-se profundamente, mantinha os olhos fixos no caldeirão, enquanto de sua mão direita, apoiada sob a base do artefato, fluía incessantemente o poder elemental de seu próprio corpo. Contudo, por estar ainda no quarto nível do treinamento corporal, a energia vital acumulada em seu interior era escassa e, ao ser conduzida para fora, transformava-se num fio tênue que, em meia hora, estaria completamente esgotado. Uma vez consumida, sua vitalidade declinaria drasticamente, sendo necessário ao menos dez dias a meio mês de árduo cultivo para recuperar-se.
Como cultivador, Du Feiyun estava plenamente ciente desses riscos, mas, ainda assim, não hesitou em canalizar cada centelha de sua energia vital para o fundo do Caldeirão dos Nove Dragões. Tudo isso porque ele estava se preparando para refinar um elixir!
Sim, não havia engano: ele pretendia mesmo realizar alquimia!
Em condições normais, apenas cultivadores que atingiram o estágio Xiantian eram aptos a exteriorizar sua energia vital de maneira vigorosa, condensando-a por meio de métodos secretos até transformá-la num fogo verdadeiro de energia, indispensável para o refino dos elixires. Alguém como Du Feiyun, restrito ainda aos estágios iniciais, seria incapaz de tal feito, pois sequer poderia liberar sua energia vital para fora do corpo, muito menos condensá-la em chama alquímica.
No entanto, naquela tarde, ao meditar atentamente sobre as técnicas de alquimia descritas no talismã de jade, ele percebeu um detalhe crucial: se seguisse rigorosamente os métodos secretos registrados no Cânone Medicinal de Lieshan, seria capaz de exteriorizar sua energia vital e, assim, cumprir o requisito fundamental para o refino de elixires.
Agarrou-se a essa tênue esperança e ousou realizar a tentativa. O resultado não poderia ser mais estimulante: ele realmente conseguia mobilizar sua energia interna, canalizando-a pelo braço direito até a base do Caldeirão, onde intricados padrões e veios misteriosos estavam gravados.
Logo após, algo ainda mais surpreendente ocorreu: ao injetar sua energia àquela base do tamanho de uma palma, sentiu o caldeirão reagir. Os nove dragões entalhados ganharam vida, um deles chegou a mover lentamente a cabeça, e a temperatura interna do artefato começou a subir gradativamente!
Diante de tal transformação, Du Feiyun sentiu uma alegria indescritível. Refinar elixires era privilégio dos cultivadores Xiantian, e, mesmo estando apenas no início de sua jornada, ele lograva realizar tal façanha. Sua excitação era imensa.
Segundo o talismã de jade, elixires eram capazes de conferir iluminação e longevidade, e, para quem os consumisse com frequência, a imortalidade. Embora não ousasse sonhar com tais prodígios, compreendia perfeitamente que, ao refinar um elixir e ingeri-lo, poderia elevar rapidamente sua força. Com poder suficiente, não temeria mais a vingança da família Qin, podendo finalmente proteger a si mesmo e aos seus entes queridos.
Constava também no talismã que o caminho do cultivo deveria ser trilhado com paciência e disciplina, absorvendo diariamente o qi do céu e da terra para, assim, fortalecer o corpo de forma sólida e constante. O uso indiscriminado de elixires, embora acelerasse o progresso, podia fragilizar as fundações do cultivador e, em casos extremos, conduzi-lo à ruína. Contudo, para Du Feiyun, a mais premente necessidade era justamente fortalecer-se rapidamente, pois só assim teria chance de sobreviver à iminente represália dos Qin.
Não compreendia como, na condição de aprendiz, conseguia realizar alquimia, mas intuía que aquele pequeno caldeirão ocultava poderes singulares, permitindo-lhe realizar feitos reservados a mestres consagrados.
Tendo comprovado a viabilidade do refino, mal podia esperar para pôr em prática a experiência. Seu desejo urgente era forjar um elixir, ingeri-lo e, assim, aumentar suas forças antes que a tempestade desabasse sobre si.
Voltou, então, a consultar minuciosamente o Cânone Medicinal de Lieshan, em busca de uma fórmula adequada ao seu nível e à sua constituição. Os elixires ali registrados destinavam-se a cultivadores avançados, sendo proibidos ou mesmo fatais para aprendizes ou iniciantes. Em geral, cultivadores nos estágios de treinamento físico ou qi recorriam a potentes ervas ou raros tesouros naturais, como o polygonum de décadas ou ginseng centenário, para acelerar seu progresso.
Porém, a perseverança sempre recompensa os diligentes: após longa busca entre milhares de fórmulas, Du Feiyun finalmente deparou-se com um elixir apropriado para si.
A Pílula da Transmutação Corporal!
Dentre as miríades de receitas do Cânone Medicinal de Lieshan, esta era a mais elementar, indicada para todos os cultivadores abaixo do estágio Xiantian, e até mesmo para mortais que jamais haviam trilhado o caminho do cultivo, sem risco de dano.
A eficácia do elixir fazia jus ao nome: ao ser ingerido por um mortal ou cultivador, promovia a purificação dos meridianos, o fortalecimento dos tendões e ossos, e o aprimoramento das membranas musculares e da medula. Aos que não podiam cultivar, abria-se a senda do refinamento; aos que já cultivavam, conferia vigor redobrado aos ossos e meridianos, acelerando o progresso.
De fato, havia no Cânone outras fórmulas prodigiosas, capazes de fazer a força explodir em questão de dias, mas tais elixires só podiam ser preparados e consumidos por mestres de altíssimo nível. Para Du Feiyun, restava apenas a Pílula da Transmutação Corporal como escolha sensata.
À medida que continuava a infundir energia no caldeirão, a temperatura interna atingiu o ponto ideal. Era chegada a hora de iniciar o refino. Com a mão direita colada à base do caldeirão, continuou a transmitir energia vital, enquanto, com a esquerda, num movimento ágil, levantou a tampa octogonal do artefato. De seu interior, subiu uma onda de calor intenso, porém controlado.
Embora fosse sua primeira tentativa, Du Feiyun já havia gravado em mente cada etapa do método secreto de alquimia do Cânone de Lieshan, e, em voz baixa, recitava o procedimento enquanto executava, com máxima atenção, cada movimento.
Sua mão esquerda, ágil como um raio, passou a depositar, uma a uma, as porções de ervas previamente preparadas, na ordem exata prescrita:
— Um qian de cogumelos-dourados, dois qian de flor das sete cores, um qian de fruto da lua prateada, um qian de cálamo de cinco folhas...
Murmurando as quantidades e a sequência de cada ingrediente, Du Feiyun logo terminou de adicionar à mistura todos os componentes necessários à Pílula da Transmutação Corporal. Em seguida, recolocou a tampa do caldeirão, mantendo o fluxo constante de energia vital.