Capítulo 004: O Caminho da Imortalidade

Dewa Obat He Wu Hen 2985kata 2026-03-11 14:32:23

Ao contemplar o surgimento abrupto de um desenho em seu peito outrora vazio, semelhante a uma tatuagem, a fisionomia de Du Feiyun tornou-se um tanto desconfortável. Com efeito, quem, ao ver subitamente tal padrão estranho e enigmático em seu próprio corpo, não se sentiria inquieto?

No entanto, ao baixar os olhos para o desenho em seu peito, Du Feiyun subitamente achou a figura daquele pequeno tripé de três pés singularmente familiar, como se já o tivesse visto antes. Sim, não era exatamente aquele pequeno tripé que ele trocara por ervas no sonho, na loja do Pavilhão dos Imortais?

Pensando nisso, Du Feiyun sentiu-se por um momento confuso. Afinal, havia experimentado aquele sonho estranho duas vezes seguidas naquele dia—seria real ou apenas ilusão?

Se fosse falso, como explicaria o desaparecimento de sua cesta? E como surgiria em seu peito, por tamanha coincidência, um desenho igual ao visto no sonho? Se fosse real, ele mesmo não encontrava razões para crer, pois tudo aquilo se apresentara apenas em sonho e, ao despertar, tudo se dissipara. Como poderia ser verdade?

Por mais que pensasse, continuava sem pistas. Embora possuísse uma alma originalmente alheia àquele mundo, não passava de um homem comum, de horizontes limitados, incapaz de compreender tais eventos místicos e insondáveis.

“Que espécie de artefato é esse pequeno tripé? Por que, ao vê-lo, sinto tamanha familiaridade? Por que ele apareceu em meu corpo?”, murmurou Du Feiyun, massageando a testa, absorto em conjeturas.

Nesse instante, viu o padrão negro em seu peito subitamente desaparecer, transformando-se num pequeno tripé negro que flutuou e pairou diante dele. Du Feiyun ficou atônito, olhando para o objeto como se visse um fantasma, apertando com força a coberta, sem ousar mover-se.

Em lugares ermos e remotos, proliferam lendas sobre deuses, fantasmas e criaturas sobrenaturais. Sejam trágicas histórias de amor ou relatos de horrores tenebrosos, todas circulam amplamente entre o povo, sendo do conhecimento geral, seja em um mundo avançado pela ciência, seja neste de pureza e primitivismo.

Du Feiyun não era exceção. Desde pequeno ouvira histórias de demônios cruéis nas montanhas Langshi, que raptavam crianças para fritá-las em óleo. Ou então, de fantasmas disfarçados de velhas oferecendo pães a meninos, que, ao comerem, morriam de dores abdominais, só para depois descobrirem tratar-se de ossadas e não pães.

Ao relembrar tais histórias de fantasmas em suas múltiplas versões, os cabelos de Du Feiyun se eriçaram; afinal, os estranhos acontecimentos daquele dia assemelhavam-se demasiado às lendas de assombração e possessão.

“Você... o que é, afinal? Não cometi mal algum em vida, por que me persegue?”, perguntou, após longo tempo, vendo que o pequeno tripé pairava imóvel à sua frente, criando coragem para interpelá-lo em voz baixa.

O pequeno tripé, naturalmente, não respondeu, tampouco dissipou as dúvidas que lhe perturbavam o coração. Contudo, mal Du Feiyun terminara de falar, a tampa arredondada do tripé se abriu sozinha, e de seu interior voou uma jade translúcida e cristalina, pousando junto à sua mão.

Ao perceber que aquele insólito tripé não pretendia atacá-lo, nem se transfigurava em nenhum demônio, Du Feiyun acalmou-se consideravelmente. Instintivamente, tomou a jade nas mãos, e sentiu um clarão diante dos olhos; a paisagem ao redor mudou, e ele viu-se diante de um vasto muro de jade, alvo como a neve. Na parede, de largura de dezenas de metros, estavam gravados minúsculos caracteres, dispostos com rigorosa ordem, em número incalculável.

Ainda que a olho nu não pudesse distinguir tais caracteres diminutos, eles se fixaram nítidos em sua mente, impelindo-o a ler.

“O cultivador é aquele que realiza o impossível, detentor de poderes miraculosos, capaz de mover montanhas e reverter mares, de atravessar céus e penetrar a terra...”

“Reúne as forças dos cinco elementos, absorve a energia espiritual do céu e da terra, extrai a essência de cem ervas, para refinar a si mesmo, harmonizar o espírito, fortalecer o corpo, polir a alma...”

Irresistivelmente, Du Feiyun foi se deixando absorver, lendo com crescente fascínio, os lábios murmurando em silêncio o conteúdo. Ainda que muitos caracteres fossem excessivamente complexos, e ele não compreendesse o sentido das frases profundas e obscuras, aquela novidade e o mistério da doutrina o enredavam por completo.

O tempo escoou sem que percebesse; após um ciclo completo, quando sentiu uma pontada aguda na mente e a visão turvar-se, o muro de jade gradualmente se dissipou.

Ao recobrar os sentidos, Du Feiyun trazia no rosto um sorriso entusiasmado. Com uma mão sustentava o pequeno tripé à sua frente, com a outra massageava a testa dolorida, mas seu coração não podia conter a euforia.

Ainda que houvesse decorrido apenas um breve instante, e ele tivesse lido menos de um décimo dos caracteres gravados na parede de jade, aquelas poucas milhares de palavras já lhe haviam esclarecido muito.

Graças ao conteúdo da jade, compreendeu que aquele tripé negro de três pés era um recipiente para o refino de pílulas.

Embora a cidade de Baishi fosse remota, alguns de seus moradores conheciam os caminhos do cultivo — como certos anciãos das três grandes famílias e alguns jovens descendentes. A maioria dos cultivadores, porém, detinha apenas o poder do estágio de refinamento corporal, mas sabiam que existiam praticantes ainda mais poderosos.

O caminho do cultivo começava pelo refinamento do corpo, absorvendo a energia do mundo para fortalecer a carne, avançando ao estágio de manipulação da energia vital, até atingir o estágio inato, quando se condensava o poder em essência líquida no dantian.

Até onde sabia Du Feiyun, apenas cultivadores do estágio inato podiam, mediante técnicas secretas, utilizar um tripé alquímico para refinar pílulas. Nem mesmo os chefes das três grandes famílias de Baishi possuíam tal poder, quanto mais falar de alquimia.

A maioria dos cultivadores de Baishi estavam no estágio de refinamento corporal; o próprio Du Feiyun encontrava-se nesse nível. Os poucos que atingiam o estágio seguinte, de manipulação do qi, pertenciam às três grandes famílias. Quanto a praticantes do estágio inato, jamais ouvira falar.

No entanto, a jade continha informações que ele jamais conhecera — não apenas técnicas profundas e misteriosas, mas também um método alquímico chamado “Clássico de Ervas de Lieshan”.

O que mais assombrou Du Feiyun foi a descrição, na jade, dos cultivadores poderosos, dotados de habilidades para mover montanhas, encher mares, voar pelos céus e desaparecer sob a terra, portadores de poderes inimagináveis! Não apenas podiam prolongar a vida, mas também alcançar a imortalidade, e até mesmo romper os limites do mundo e ascender como imortais!

Antes, tudo o que Du Feiyun sabia sobre cultivo resumia-se aos métodos do refinamento corporal: tomar tônicos, submeter-se a árduos treinamentos para fortalecer o corpo, usar a energia vital para polir músculos, ossos e órgãos, e praticar respiração para acumular energia.

Tendo sofrido uma morte inesperada, e renascido naquele mundo, também passou por hesitação, confusão e tristeza. Porém, ao descobrir que ali existiam técnicas marciais poderosas, energias misteriosas e tantos cultivadores, seu ânimo se encheu de otimismo. Pelo menos, acreditava que aquele mundo lhe reservaria experiências singulares.

Devido à sua origem humilde e à escassez de informações, só tivera contato com notícias sobre cultivadores de baixo nível, que podiam apenas fortalecer o corpo e adquirir uma força além do comum.

Jamais imaginara que, ao atingir certo grau de poder, o cultivador seria capaz de maravilhas como voar, mover montanhas, prolongar a vida, tornar-se imortal!

Imortalidade, mover montanhas, voar pelos céus e sumir na terra...

Quão sedutoras, quão familiares e ao mesmo tempo estranhas lhe soavam tais palavras!

Crescido entre mitos, filmes e romances, acostumara-se a tais imagens e, em sua infância, sonhara intensamente com elas. Embora, ao amadurecer, deixasse de se perder em devaneios, nunca deixara de acalentar tal anseio no fundo da alma. Até aquele dia, não sabia que existiam cultivadores capazes de tais prodígios, e jamais ousara sequer desejar tal destino — queria apenas ganhar mais moedas de prata, melhorar a vida familiar, viver dias melhores.

Mas, ao deparar-se com a descrição contida na jade, ao compreender que, neste mundo, cultivadores suficientemente poderosos podiam realizar feitos tão miraculosos, seu coração inflamou-se de ardor e aspiração!

Quem não desejaria a imortalidade? Quem não sonharia vagar livremente entre céus e terra, voar, sumir, realizar o impossível?

E agora, ele, um mero cultivador no estágio de refinamento corporal, de forma inexplicável obtivera um tripé alquímico que apenas um praticante inato poderia utilizar — que sorte extraordinária! Ademais, a própria jade continha técnicas profundas e misteriosas, inclusive o enigmático Clássico de Ervas de Lieshan, repleto de métodos e segredos alquímicos!

Embora ainda fosse apenas um aprendiz, Du Feiyun agora possuía dois tesouros raros — não significava isso que ele também tinha a chance de tornar-se um grande cultivador? De trilhar o caminho da imortalidade? De alcançar poderes prodigiosos?