Capítulo Quatro: Interrogatórios no Salão, Ambições que Sustentam os Céus (Novo autor, novo livro — peço recomendações)
— Muito bem, muito bem, aproxime-se depressa.
Ying Zhu, a princípio surpreso, logo sorriu amplamente e acenou com a mão: — Zheng’er, venha aqui para que teu avô possa contemplar-te de perto.
— Sim, senhor.
Ying Zheng levantou-se, ajudou primeiro Zhao Ji a sentar-se ao lado de seu pai, Ying Zichu, e só então subiu os degraus.
Os príncipes da casa real e os velhos generais de Qin também puderam ver de perto o semblante de Ying Zheng.
— Que jovem mais formoso!
— Realmente, lembra o Príncipe Herdeiro em sua juventude, há ali uns cinco ou seis traços comuns; além disso, para tão pouca idade, revela uma compostura rara!
— Tantos anos em Handan, e ainda assim conserva o porte nobre e uma presença incomum!
Os membros da linhagem Ying murmuravam entre si, em acordo.
Olhando para o rosto de Ying Zheng, tão semelhante ao de Ying Zichu em sua mocidade, Ying Zhu exibia um semblante satisfeito:
— Nada mal, nada mal! És idêntico a teu pai quando criança, digno representante do sangue da casa Ying.
Com tais palavras, ele declarava inequivocamente a identidade e a linhagem de Ying Zheng.
— Foram anos difíceis para vocês na terra de Zhao — suspirou Ying Zhu, segurando a mão de Ying Zheng, sua voz carregada de emoção.
Apesar da pouca idade — não mais que oito ou nove anos —, a gravidade e o equilíbrio de Ying Zheng enchiam Ying Zhu de regozijo. Já havia nomeado Yiren como príncipe herdeiro, e este possuía apenas dois filhos. Assim, segundo as circunstâncias, o futuro príncipe herdeiro de Qin e, depois, o rei, seria um dos dois. Chengjiao crescera sob seus olhos, o que só fazia Ying Zhu conhecê-lo ainda mais. Embora Chengjiao tivesse apenas cinco ou seis anos, o ditado já alertava: “Aos três se conhece o homem que será velho”. O menino era capaz de manter o que herdasse, mas carecia de ambição, não inspirando grandes esperanças.
Mesmo Ying Zichu, dotado de talento, era alguém de conduta reta e previsível, um rei de transição, e não o grande unificador de que Qin necessitava.
Restava-lhe, pois, esperar que o presságio sonhado por seu pai se revelasse verdadeiro.
E agora, diante de si, o pequeno Ying Zheng, embora com apenas oito ou nove anos, exalava uma altivez e um caráter excepcionais.
Soubera já das agruras vividas pela mãe e o filho em Handan. Qualquer criança comum, submetida a tamanhos sofrimentos e humilhações, tornar-se-ia tímida e retraída, incapaz de feitos grandiosos, ou então, violenta, cruel e amarga.
Contudo, em Ying Zheng, não se via vestígio de brutalidade. Apesar do aparente distanciamento, que o tornava de difícil acesso, sua postura calma e resoluta fazia Ying Zhu vislumbrar, por um instante, a sombra do próprio pai. Essa aura reservada, quase intransponível, era atributo dos reis verdadeiros, a quem os súditos não ousam devassar, facilitando a coesão do reino.
“Foi um sonho concedido pelos céus. Não me espanta que meu pai pressentisse em sua alma. Talvez, sob as mãos deste menino, minha terra de Qin unifique, por fim, o mundo.”
Ying Zhu, absorto, dialogava consigo mesmo. Sentia o vigor esvair-se de seu corpo, ciente de que não resistiria muito mais. Seu maior desejo era que, nos anos que ainda lhe restavam no trono, preparasse melhor o sucessor de Qin. Era preciso atentar, desde já, para o futuro rei, e até para o que viesse depois dele.
— Dize a teu avô, que conhecimentos já adquiriste?
Apesar de considerar o menino fora do comum, Ying Zhu queria pô-lo à prova.
Mas Ying Zheng, mesmo tendo passado a infância refugiado com a mãe, contava com um excelente preceptor — Shen Yue — e lera todo tipo de livros.
Após ouvir algumas respostas, Ying Zhu ficou ainda mais satisfeito.
— Tão jovem, já revela memória prodigiosa e erudição vasta. Shen Yue não traiu a confiança que nele depositei!
Ying Zhu suspirou, recordando que, embora Yiren, no passado, fosse um príncipe obscuro, destituído do afeto paterno e do favor materno, ainda era de estirpe real. Por isso, enviara Shen Yue a Zhao para protegê-lo. Mais tarde, quando Yiren regressou ao reino, Shen Yue permaneceu para velar pela esposa e o filho, e agora, via o fruto desse zelo: um menino tão promissor.
A dama Huayang, ajoelhada a um canto, ao perceber o apreço do esposo pelo recém-chegado, não conteve um leve franzir de cenho. Lançou um olhar frio a Zhao Ji, vendo-a trocar olhares ternos com Ying Zichu, o que a fez considerar Zhao Ji leviana e desprezível. Incomodada, estava prestes a se manifestar, mas Ying Zhu antecipou-se, perguntando:
— Muito bem, muito bem. E tu, Zheng’er, que aspiras para o futuro? Fala de tua ambição a teu avô e aos velhos generais aqui reunidos.
Diante de tal atenção, todos os presentes voltaram-se para o menino. Até Ying Zichu e Zhao Ji, que trocavam olhares afetuosos, suspenderam seu diálogo.
— Atrevo-me a responder! — Ying Zheng, ao ouvir a pergunta, ergueu o rosto de repente, seu olhar tornou-se profundo, o semblante, solene. Girou o corpo, fitou além do salão, para o vasto mundo, e sua voz juvenil ecoou pelo palácio de Xianyang:
— Há setecentos anos, o mundo permanece cindido em quatro, os reinos divididos, cada qual com sua língua, sua escrita, seus costumes e crenças.
— Por isso, guerras irrompem a qualquer pretexto, e já são setecentos anos ininterruptos de lutas. Desejo, pois, que um dia eu possa varrer os seis reinos, unificar o mundo, dissipar as barreiras, e permitir que todos vivam em harmonia nesta terra, tornando este mundo um verdadeiro paraíso.
A pequena figura ereta no alto do grande salão irradiava uma frieza altiva, tornando-a quase inalcançável.
Ying Zhu contemplava, absorto, aquele vulto frágil, e por um momento, ele se confundiu com a grandiosidade de seu próprio pai, tornando-se maior ainda, a ponto de suplantar todos os antigos reis.
— I-isso... — Os velhos generais, como Meng Ao, ficaram momentaneamente boquiabertos, mas, sem razão aparente, um fervor começou a arder em seus corações.
Os homens de Qin não devem jamais esquecer de avançar para o leste!
— Eis aí o espírito dos reis Wu e Xiang! — exclamou Meng Ao, septuagenário, conhecedor dos feitos de Wu e Xiang. Naquele pequeno corpo, vislumbrava a herança dos grandes soberanos, sentindo-se tomado de admiração.
Atrás deles, os irmãos Meng Tian e Meng Yi, bem como Wang Ben, filho de Wang Jian, não podiam deixar de olhar continuamente para aquela criança — tão próxima de sua idade, talvez mais jovem — cujo corpo franzino era capaz de proferir palavras tão grandiosas, despertando um entusiasmo que os fazia desejar, ali mesmo, servir de vanguarda para o futuro rei.
— Quanta ousadia! — resmungou a dama Huayang, recobrando-se, num tom de reprimenda, o rosto carregado de desagrado. Não apenas porque as palavras de Ying Zheng eram audaciosas, mas também porque ela própria era de Chu. O discurso do menino parecia ignorar por completo o reino de Chu, o que não podia senão irritá-la. Embora, no fundo, não se importasse tanto com Chu, sua origem a tornava representante da facção Chu em Qin, o que elevava seu status e não a permitia silenciar.
Além disso, havia um motivo mais íntimo: não simpatizava com Zhao Ji, que considerava leviana — uma intuição feminina que, mesmo após um único encontro, bastava para gerar antipatia. Por extensão, isso enfraquecia sua estima por Ying Zheng.
Zhao Ji, percebendo o constrangimento, apressou-se a ajoelhar-se diante do rei de Qin:
— Majestade, perdoe o menino! Zheng’er é apenas uma criança, rogo que não leve em conta suas palavras impensadas.
— Pai, Zheng’er acaba de retornar a Qin, ele ainda...
Ying Zichu ia interceder, mas Ying Zhu explodiu em gargalhadas, não apenas sem sinal de cólera, mas com júbilo explícito:
— Fui eu quem lhe pedi que falasse; que culpa pode haver nisso?
— Certa vez, o duque Xiao deixou um testamento para os filhos da casa Ying, advertindo-os de geração em geração: “Homens de Qin, jamais esqueçam de avançar para o leste!”
— Zheng’er é digno herdeiro de nossa linhagem, e com tamanho espírito, o mundo há de pertencer a Qin!
— O mundo pertencerá a Qin!
— Ter um tal descendente é a grande ventura de nosso reino! — exclamaram, em uníssono, os demais generais, numa onda de elogios.