Capítulo 7: Ela partiu com um homem!
Em menos de uma hora — para ser exato, desde que alugou a balança eletrônica até agora, transcorreram apenas quarenta minutos — a vasta maioria das frutas já fora vendida, rendendo-lhe trezentos e quarenta e um yuans!
O dinheiro do aluguel da fazenda e do pasto por dois dias já estava recuperado!
Ainda bem que antes não aceitara aqueles três bilhetes vermelhos do arrogante Zhang Shujie; se tivesse aceitado, teria saído no prejuízo!
Humph, que esse filhinho de papai esbanje sua arrogância por mais uns dias; quando meus frutos conquistarem o mercado, veremos, afinal, quem de nós dois será realmente abastado!
Após conferir as notas duas vezes, certificando-se de que nada faltava, Wang Han desceu pelo elevador, satisfeito, trocou dois bilhetes vermelhos com o dono de uma mercearia próxima e, sob o sol ainda impiedosamente abrasador, dirigiu-se, excitado, ao caixa automático do Banco da China fora do campus, depositando mais trezentos yuans em sua conta bancária.
De ânimo leve, Wang Han retornou ao dormitório, lavou o rosto com uma toalha embebida em água fria, afastando o calor do percurso, e deitou-se novamente no leito de madeira, agora bem mais vazio, a mente curiosa a sondar o súbito e enigmático funcionamento daquela fazenda e pasto de pinguins.
Aqueles antigos diamantes dourados e cupons agora haviam se convertido em moedas de ouro que só podiam ser adquiridas mediante recarga. Os antigos itens da loja — fertilizantes, fertilizantes orgânicos, fertilizantes orgânicos por cupons — haviam todos desaparecido; restavam agora apenas três tipos de aditivos.
Um deles aumentava a produção em dez por cento, cada frasco por cem moedas de ouro.
Outro elevava a produção em vinte por cento, cada frasco por duzentas e cinquenta moedas de ouro.
O terceiro proporcionava um acréscimo de trinta por cento, cada frasco por quinhentas moedas de ouro.
Esses três aditivos não podiam ser utilizados cumulativamente, tampouco entre si.
As terras continuavam divididas entre terra amarela, terra vermelha e terra preta, sendo a vermelha reservada ao cultivo de ervas medicinais valiosas, cujo preço crescia com os anos, e a preta, cujo uso... por ora, permanecia oculto.
Tanto a terra vermelha quanto a preta exigiam compra à parte ou aluguel diário; porém, no momento, Wang Han, por não possuir nível suficiente, não podia sequer alugar tais solos.
Felizmente, a irrigação era gratuita, assim como a eliminação de pragas, o capinamento e o armazenamento no depósito...
Na interface da fazenda, havia ainda o ícone do “Restaurante dos Pinguins”, entretanto, este permanecia cinzento, provavelmente à espera do cumprimento de algum pré-requisito para ser ativado.
Ao examinar os alevinos, sementes e filhotes disponíveis na loja, notava-se que o menor período de maturação era de vinte e duas horas, o maior, setenta e duas — ainda assim, bem mais rápido que no mundo real!
Além disso, após o período de maturação, havia o ciclo de produção: a cada seis a oito horas, surgiam novos filhotes ou subprodutos, como peles ou penas.
E tudo aquilo era adquirido por atacado, os preços estavam longe de serem irrisórios, permitindo margens de lucro substanciais!
Mais ainda: era possível sacar os lucros!
Se não fosse pela funcionalidade prodigiosamente realista de materialização dos objetos, Wang Han desconfiaria que aquele “Fazenda dos Pinguins” não passava de uma sofisticada forma de captação de recursos online.
Agora, porém... o aluguel diário da fazenda era, de fato, módico, desde que se estivesse disposto a investir.
Além disso, não havia preocupação com fertilidade do solo, ciclo ecológico, aquisição de sementes ou fertilizantes de qualidade, transporte ou comercialização dos produtos finais...
Seria possível fazer disso uma ocupação para a vida inteira.
Desde que, é claro, o saque dos lucros fosse mesmo possível!
Essa dúvida seria desfeita ao meio-dia do dia seguinte.
Pensando nos trezentos yuans de sua conta bancária, e ao fitar, no canto superior esquerdo da fazenda, as míseras cinco moedas de ouro restantes, o coração de Wang Han titubeou.
O aluguel do dia seguinte já estava garantido, e ainda sobrava algum. Restavam seis lotes de terra desocupados, e o pasto ainda não possuía animais; quem sabe, descontando o aluguel, o restante do dinheiro poderia ser convertido em moedas para adquirir mais mudas?
Assim, os lucros viriam ainda mais rapidamente!
Se a materialização era real, o saque, provavelmente, também seria. Por que não tentar?
Neste mundo, os audazes se empanturram, enquanto os tímidos perecem de fome!
De outro modo, como poderia conquistar a adorada Sijia?
Wang Han não era homem de hesitações e, em poucos segundos, tomou a decisão: transferiu cento e quarenta yuans para o pasto.
Comprou seis gansinhos para alojamento, mais dez yuans de pasto. Quanto ao curral, nem cogitou, pois uma única ovelha custava, no mínimo, trezentos yuans — inviável.
Em seguida, Wang Han visitou as fazendas e pastos dos amigos, ajudando-os com rega e eliminação de pragas para ganhar experiência, e, ao sair da interface, começou a limpar o dormitório, que se encontrava um tanto desarrumado após a venda das frutas, preparando tudo para o romântico encontro daquela noite.
Enquanto limpava, sua mente revisitava cada pequeno momento vivido ao lado de Yao Sijia nesses dois anos, e um leve sorriso de felicidade despontava em seus lábios.
Sob a nefasta maldição que pairava sobre casais universitários — a de separarem-se ao se formarem — muitos viviam três anos de doce paixão, mas, ao chegar o quarto ano, diante do ingresso no mercado de trabalho, dos desafios da vida adulta e das ponderações sobre as famílias de ambos, o afeto invariavelmente se transformava.
Sem o amparo sólido das finanças, até o mais belo dos sentimentos não passava de flor enevoada, causa de inquietude.
Contudo, Wang Han jamais conhecera tal aflição, pois sua amada lhe dissera, sem rodeios, que pretendia cursar o mestrado; quanto a ele, poderia fazer o que quisesse, ir para onde bem entendesse — desde que, em três anos, estivesse disposto a buscá-la.
Casa? Carro? Ora, isso era assunto para depois de três anos!
Onde mais se encontraria jovem tão compreensiva e sensata?
E, além disso, ela era bela!
Em meio à lida, as horas escorreram silenciosas até as cinco da tarde. O sol poente, antes altivo, agora exibia um sorriso rubro no horizonte.
As moças já podiam sair sem receio de se queimarem ao sol.
Entretanto, ainda não era hora de telefonar e apressar ninguém, então Wang Han, seguindo o plano, foi ao refeitório, encomendou alguns pratos para viagem e retornou ao dormitório. Trocou rapidamente a camiseta por outra mais fresca; vendo que o relógio marcava cinco e quarenta, discou o número de Yao Sijia.
Chamou sete vezes, ninguém atendeu.
“Pequena preguiçosa, ainda não acordou!”, Wang Han xingou-a com ternura em pensamento, organizou as cadeiras e a mesa, assegurou-se de que o quarto estava apresentável, e tentou novamente o número dela.
Desta vez, embora a ligação completasse, continuava sem resposta.
Wang Han franziu levemente o cenho. Ainda dormindo? Improvável — ela jamais dormia mais que três horas à tarde.
Melhor esperar um pouco mais.
Abriu no celular um romance online recém-atualizado, e, entretido na leitura dos seus urbanos e fantásticos favoritos, só percebeu o tempo passar ao terminar todos eles. Olhou o relógio: dezoito e quinze.
Estranho, Sijia não retornara a ligação?
Ligou de novo.
Ainda ninguém atendeu.
As sobrancelhas de Wang Han se cerraram ainda mais. Após refletir, decidiu ir ao dormitório feminino.
Afinal, já estavam formados — que se expusesse, se fosse preciso!
Quando Wang Han chegou ao prédio do alojamento feminino, mostrou a carteira de estudante e pediu à zeladora que chamasse por ela, a boa senhora o fitou com um olhar de comiseração:
— Você fala da Yao Sijia do sexto andar? Ah, conheço sim, mas hoje à tarde ela saiu acompanhada de um rapaz, num Mercedes.
Quanto ao fato de também haver uma mulher de meia-idade no carro, a zeladora preferiu não comentar.
Bastava olhar para Wang Han, com suas roupas simples, recém-formado, para saber: um namoro à distância dificilmente vingaria.