Capítulo 4: O arrogante jovem rico e belo?
No entanto, Zhang Shujie não seguiu o roteiro que Wang Han imaginara...
Ao ouvir tais palavras, suas sobrancelhas marcantes se franziram de imediato, demonstrando certo desagrado; avaliou Wang Han de cima a baixo e, com desprezo, declarou:
— Pelo que vejo, você tampouco é um daqueles belos inigualáveis, como Song Yu ou Pan An!
O sorriso de Wang Han congelou-se no rosto.
Ora, eu nunca disse que era um espécime raro de beleza!
Além disso, por que esse tom me soa tão ácido?
Mas, considerando que Zhang Shujie aparentemente possui algum dinheiro, e que eu de fato preciso dele no momento — sem contar o calor escaldante lá fora —, Wang Han decidiu engolir o insulto.
Vendo que Wang Han ainda mantinha o sorriso submisso, Zhang Shujie lançou mais um olhar de desdém ao quarto pobre e vazio e prosseguiu, diminuindo-o ainda mais:
— Além do mais, sua família é comum, seu desempenho acadêmico também; com essas frutas banais, você realmente acha que pode conquistar Si Jia?
Ao dizer isso, Zhang Shujie apontou de maneira exagerada para a pilha de frutas sobre o catre de madeira:
— Ou será que, depois de conquistar Si Jia, pretende levá-la para vender frutas com você no mercado?
O sarcasmo e o desprezo exalavam de sua voz, fazendo com que o sorriso forçado de Wang Han se desvanecesse pouco a pouco.
Si Jia era sua amada, Yao Si Jia, a flor do quarto ano do curso de Administração Pública daquela universidade.
O maior orgulho de Wang Han durante seus quatro anos de faculdade fora ter conquistado o coração de Yao Si Jia logo no primeiro ano, ainda que até agora o relacionamento deles permanecesse oculto.
A razão desse segredo era desejo de Si Jia — evitar que muitos se sentissem tentados a desafiar Wang Han e interferissem em seus estudos. Além disso, ambos apreciavam essa atmosfera de ternura com um leve toque de cumplicidade.
Naturalmente, durante esse tempo, inúmeros pretendentes cortejaram Yao Si Jia, mas todos foram rejeitados. Wang Han jamais imaginaria que, às vésperas da formatura, quando já se preparava para deixar a universidade, alguém viesse a descobrir seu romance clandestino e aparecesse para arranjar confusão.
O rosto de Zhang Shujie era o típico semblante arrogante do jovem rico e bonito!
Wang Han rapidamente endureceu a expressão:
— Isso é um assunto entre mim e Si Jia, não cabe a estranhos interferirem!
Negar o relacionamento, nesse momento, soaria como fraqueza, uma rendição; por isso, Wang Han não hesitou em admitir.
— Estranho? — Zhang Shujie sorriu novamente, com desprezo. — Não, de modo algum sou um estranho! Claro que, agora, também não tenho motivos para discutir com você — seria rebaixar-me demais.
Tirou do bolso da calça um cartão requintado, de dourado escuro, e, com um gesto displicente, lançou-o sobre a mesa de madeira atrás de Wang Han:
— Vim apenas para avisar: antes do meio-dia de amanhã, vá ao endereço indicado neste cartão e encontre-se com alguém chamado Oportunidade. Claro, você pode escolher não ir — mas garanto que, caso não vá, nunca mais verá Si Jia!
Percebendo aquela confiança inabalável que emanava de Zhang Shujie, Wang Han franziu a testa:
— O que você quer dizer com isso?
Esse roteiro de provocação também destoava do habitual.
— Não quero dizer nada, é apenas um aviso! — respondeu Zhang Shujie com indiferença, virando-se para sair. Contudo, logo parou, tirou mais três notas vermelhas do bolso e as lançou:
— Considere isso o pagamento pelas frutas! Compre uma camisa decente, não envergonhe tanto a Universidade Lianzhong!
— Fora daqui! — Wang Han explodiu de raiva, apanhou uma toranja e atirou com força contra Zhang Shujie: — Eu posso vender frutas para qualquer um, menos para você!
Só pela antipatia desse tal Zhang, ele não era digno de provar os frutos da sua fazenda!
— Você... — Zhang Shujie, pego de surpresa pela fúria súbita de Wang Han, esquivou-se desajeitadamente; seu rosto pálido tingiu-se de vergonha e ira enquanto o insultava: — Você... como ousa atacar assim, de repente?!
— Fora! — bradou Wang Han, os olhos faiscando, arremessando outra toranja. Afinal, ali as toranjas tinham casca grossa, não havia risco de estragá-las!
Desta vez, o fruto acertou em cheio o abdômen de Zhang Shujie.
— Você... você vai se arrepender! Selvagem! Não sabe reconhecer generosidade! — Agora sim, Zhang Shujie estava verdadeiramente assustado; recuou apressado até a porta, lançou uma bravata para salvar as aparências e fugiu, porta afora.
Wang Han correu até a entrada e, vendo-o bater em retirada rumo ao elevador, fechou a porta do dormitório com um estrondo, ainda fervendo de indignação:
— Maldito! Que sujeito desprezível!
Ele não fazia ideia de que, enquanto descia ao térreo tomado de "vergonha e fúria", Zhang Shujie sacou um reluzente telefone dourado do bolso ao sair do prédio e discou:
— Tia, já encontrei o rapaz e transmiti o recado; missão cumprida!... Ah, muito obrigado, tia! Estou a caminho agora!
Ao desligar, Zhang Shujie olhou de relance para a janela do quarto 521 e murmurou:
— Até que é asseado, sabe se virar sozinho, tem um pouco de esperteza e certa dignidade. O olhar de Si Jia não é dos piores. Será que ele irá amanhã? Não importa, vá ou não, não me diz respeito!
...
Despachando o autossatisfeito Zhang Shujie, a raiva de Wang Han logo se dissipou. Desceu às pressas à mercearia próxima do dormitório, gastou três yuans em uma dúzia de sacolas plásticas médias e deixou vinte yuans de caução para alugar uma balança eletrônica portátil. Retornou ao quarto.
Consultou os preços de frutas nas grandes lojas online — tb, jd, tm —, lavou novamente todas as frutas que pretendia vender, separou-as em sacolas diferentes e as acomodou na mochila de lona, que lhe chegava à cintura, até não caber mais nada.
Restava ainda metade sobre o catre, mas Wang Han não se apressou; colocou a balança e o restante das sacolas no compartimento externo da mochila, pôs a mochila nas costas e saiu, apertando o botão do elevador.
Logo o elevador chegou. Wang Han entrou e pressionou o botão do oitavo andar.
O oitavo — tal como o décimo segundo — era conhecido como "andar dos endinheirados", onde se alojavam, em sua maioria, os estudantes de Administração e Finanças.
— Espero que eu tenha sorte, que não haja ninguém em aula agora! — Wang Han murmurou para si. Por orgulho masculino, acabara de abrir mão de três notas vermelhas; então, à tarde, teria de recuperar ao menos esse valor!
Logo o elevador chegou ao oitavo. Wang Han saiu, olhou em volta e seus olhos brilharam. Era verão, afinal — todos deixavam as portas abertas para ventilar, e, vejam só, havia dois quartos com as portas escancaradas.
— Frutas frescas à venda! Uvas Giant Bee, dez yuans o jin! Mamão suculento, vinte yuans a unidade! — Wang Han ia gritando, marchando em direção ao quarto mais próximo, à esquerda.
Nos últimos dois verões, ajudara o tio no pomar vendendo frutas; portanto, gritar ofertas não o intimidava em nada.
Logo chegou à entrada do quarto aberto, espiou e viu quatro rapazes jogando cartas, um deles com fatias de melancia vermelha ao lado da cama. Wang Han sentiu um frio na espinha.
Se nem haviam terminado a melancia, provavelmente não teriam interesse em suas frutas!
Mesmo assim, arriscou:
— Ei, camaradas, querem comprar frutas?
— Tem noz de areca? — perguntou um dos rapazes, virando-se. Ao ver Wang Han balançar a cabeça, fez um gesto de recusa: — Então, não quero!
Tudo bem, pensou Wang Han, poderei voltar em duas horas.
Sem insistir, virou-se, gritando suas ofertas, e se dirigiu ao outro quarto de porta aberta, na direção oposta.
Nem precisou chegar até lá: um rapaz de camiseta e cabelos cacheados espiou pela porta, olhou-o de cima a baixo e perguntou, cauteloso:
— Ei, você está vendendo uvas Giant Bee?
Wang Han alegrou-se, aproximou-se depressa tirando a mochila das costas:
— Irmão, sou do quarto 521 do curso de Agricultura Ecológica, recém-formado. Estou vendendo frutas frescas para juntar o dinheiro da passagem de volta pra casa. Dá uma força, compra um pouco — são deliciosas e bem baratas!
Enquanto falava, aproximou-se da porta, mas atrás do rapaz de cabelos cacheados apareceu uma bela moça, com olhos amendoados e rosto de pêssego:
— É mesmo? Está juntando para a passagem? Sua família não manda dinheiro?