Capítulo 5: Quero que vocês sejam enterrados comigo
“Ele já está morto!”
Ye Xuan ficou imóvel, atônito, como se as palavras de Chen Pi fossem um trovão que explodisse em sua mente, deixando-a num vácuo absoluto.
“Impossível, impossível”, Ye Xuan esqueceu repentinamente a dor, replicando instintivamente.
Chen Pi parecia deleitar-se intensamente com a sensação de dominar a vida e a morte, semicerrando os olhos num êxtase perverso, sua expressão causando repulsa.
“Tsc, tsc, realmente um inútil, não é? Não dizem que a vingança por um pai assassinado é irreconciliável com o algoz? Mas por que, então, você ainda se arrasta aos meus pés como um cão?”
Ye Xuan já não encontrava palavras; o nariz partido, os olhos inchados, o rosto marcado por likenças, e os lábios, que pareciam nunca mais poder se abrir. Quis chorar, mas nem lágrimas lhe vinham; permanecia imóvel, como se já estivesse morto.
Chen Pi, por fim, mostrou-se entediado. Retirou o pé que mantinha sobre a cabeça de Ye Xuan, curvou-se e, segurando-o pelo pescoço, ergueu-o com brutalidade. Ao contemplar o rosto desfigurado de Ye Xuan, fez uma careta de asco, cuspiu-lhe na face, e então comentou: “Já era feio, agora mais ainda, como alguém conseguiria olhar para isso?”
Ye Xuan deixou que o escarro lhe escorresse pelo rosto, sem qualquer reação, inerte como um cadáver.
Vendo que Ye Xuan não lhe dava atenção, uma fúria sem nome reacendeu em Chen Pi: “Muito bem, não vai me responder? Pois então, vou levá-lo para ver seu pai.”
Ditas tais palavras, arrastou Ye Xuan consigo para o interior do recinto. Ao ouvir isso, Ye Xuan pareceu reviver, debatendo-se desesperadamente.
“Heh, agora sim reage? Não tema, vou levá-lo para ver seu pai. Afinal, não era isso que você queria? Você mesmo dizia que ele não morreria, não é? Pois bem, permita-me realizar seu desejo.”
Chen Pi sorriu cruelmente, apertando ainda mais o aperto em Ye Xuan, que se viu completamente indefeso.
Ye Xuan sentiu medo—ele, que outrora nada temia, agora se acovardava diante da iminência de rever o pai, aquele que já partira. Temia encarar o corpo ensanguentado, temia aceitar o fato consumado, temia que a única razão que lhe restava para viver se dissipasse para sempre.
Todavia, o que mais temia concretizou-se. Carregado como um trapo, Ye Xuan logo divisou, sem qualquer esforço, um círculo de pessoas — todos membros da família Chen — que cercavam um homem tombado numa poça de sangue, o corpo inteiro coberto de pipeline.
Ye Xuan começou a tremer. Apesar do corpo deformado, do rosto irreconhecível, os laços de treze anos de sangue e afeto permitiram-lhe identificar: era Ye Tian, o pai que sempre o encorajara, que jurara protegê-lo das injustiças, o único ente querido ao longo de toda a vida, aquele a quem chamava de “papai”.
Não havia palavras para descrever o que sentia — talvez a morte fosse, naquele instante, seu destino mais doce.
Ye Xuan não soube dizer quando Chen Pi o largou junto ao corpo de Ye Tian, nem quando se reencontrou, tão próximo, com o pai. Ao contemplar o corpo dilacerado, voltou a tremer incontrolavelmente.
“Tsc, tsc, tsc, esse rapaz enlouqueceu?” Ouviu uma voz, sem reconhecer o dono.
“Esse inútil dizia que viria salvá-lo, mas assim que chegou, murchou”, desta vez era a voz de Chen Pi.
“Quem tenta tomar algo da família Chen está fadado à morte”, disse outra voz, desconhecida.
“Pelo menos matei esse lixo”, voltou a se ouvir Chen Pi.
“E quanto a esse bastardo?”, perguntou novamente o desconhecido.
Após longo silêncio, uma voz idosa se fez ouvir: “Que ele vá fazer companhia ao e pai.”
O patriarca da