Capítulo Quatro: O Desafio

Bayangan Mata-mata Bajak Laut Air Mawar Herba Shecao 2640kata 2026-03-14 14:47:46

Wade era formidável, extraordinariamente formidável; Louis sabia disso desde muito antes. No campo de treinamento, quando se tratava de combates físicos, Wade sempre ocupava o primeiro lugar, distanciando-se largamente do segundo colocado. A sequência CP costumava empregar um padrão de medição chamado “força do caminho” para estimar o poder; a força de Wade, no campo de treinamento, era incomparável, já superando em muito a marca de mil, um patamar assustador. Em geral, um soldado naval, totalmente armado, teria um valor de força dez; cem vezes esse valor não significa que Wade poderia enfrentar cem soldados simultaneamente, mas, na verdade, com vigor suficiente, enfrentar mil ou até dez mil não estaria fora de questão.

No que concerne ao valor da força, Wade superava o segundo colocado por mais que o dobro; por isso, foi recrutado pelo departamento CP0. Ele tinha talento para tal; todos ali, embora admirados, não se surpreendiam. A insatisfação de Louis, naturalmente, não era dirigida a Wade; mesmo que Wade não tivesse o poder correspondente, Louis não se oporia, pois Wade era seu amigo íntimo. Seu descontentamento era dirigido a outro.

Frank, segundo colocado em força no campo, na última avaliação alcançara 590 – um nível bastante robusto. Convém lembrar que, vinte anos depois, Kalifa, membro oficial do CP9, teria apenas 580. Exceto por dominar apenas um dos seis estilos, Frank já atingira plenamente o limiar para ingressar no CP9.

Era a ele que Louis se opunha; embora Frank fosse de fato qualificado, sua força era de 480, mais de cem abaixo de Frank. A diferença de idade era notável: Louis tinha doze anos, Frank dezoito – seis anos de diferença. Seu corpo recém em desenvolvimento não se comparava ao de Frank, já completamente formado; a disparidade era, portanto, evidente.

Mesmo assim, Louis não se resignava; uma diferença de cem pontos de força não era tudo. A força não decide todas as coisas.

— Louis — disse o instrutor, com o olhar sombrio. Embora o CP não fosse a Marinha, também prezava pela disciplina. A afronta de Louis, tão direta, desagradava-lhe profundamente. — O que exatamente você contesta?

— Ele.

Louis sabia que seu gesto provocaria desaprovação, mas não havia alternativa. Entrar para o CP8, desperdiçar sua juventude e tornar-se mero informante do governo não era o destino que desejava. Não falando em CP0, ao menos o CP9 era seu objetivo, e quanto mais conhecia o mundo, mais compreendia que, para controlar o próprio destino, precisava ascender incessantemente.

— Instrutor, não aceito que ele seja admitido no CP9.

Frank, por sua vez, deixou transparecer um lampejo de fúria, logo substituído por um sorriso de escárnio. Ele sabia bem que, para o instrutor, Louis era o exemplo perfeito para uma punição exemplar.

— Oh?

O instrutor fechou a pasta, prendendo-a sob o braço, e caminhou até Louis, falando suavemente:

— Está questionando minha decisão, a decisão de todos os instrutores?

— Esse garoto está cavando a própria sepultura! — pensou Frank. Ele e Louis nunca se deram, por um lado porque Wade os eclipsava em tudo, por outro, porque Louis, o mais jovem, exibia um talento extraordinário. Seu único ponto fraco era a idade, insuperável. Com os dois por perto, Frank nunca conseguira sorrir no campo de treinamento, sentia-se ameaçado.

Agora, porém, podia finalmente sorrir. Obtendo uma vaga no CP9 e vendo Louis desafiar o instrutor, quase não conteve o riso.

— Não, instrutor. Apenas creio que, comparado a Frank, posso contribuir mais para o governo.

Louis ergueu a voz:

— Sou mais forte que ele.

— Hahahaha, interessante, garoto — gargalhou o instrutor. — Está dizendo que sabe mais do que eu?

— Os fortes avançam, os fracos recuam; este mundo é simples assim — declarou Louis, em tom grave.

— De fato, o mundo é simples assim — respondeu o instrutor, fitando-o. — Garoto, você me surpreendeu.

O instrutor não negava a excelência de Louis, um talento não inferior ao de Wade. Afinal, tinha apenas doze anos, o mais jovem daquele campo de treinamento, mas já figurava entre os mais poderosos. Contudo, era ainda demasiado jovem, precisava crescer. O CP8 não era um órgão de operações externas; Louis teria tempo para amadurecer, era a intenção inicial do instrutor. Agora percebia porém que o garoto era demasiado impetuoso.

— Instrutor, quero desafiá-lo! — Louis apontou para Frank. — Quem vencer, ascende!

O instrutor soltou um suspiro:

— Você, garoto...

— Está realmente procurando a morte! — exclamou, e ergueu o pé, acertando diretamente o peito de Louis.

Foi como ser atingido por um trem em disparada; Louis só sentiu uma força avassaladora, que o lançou pelo ar. Para ser instrutor-chefe do campo de treinamento do Mar do Sul, aquele homem possuía uma força assustadora.

— Hm? — O instrutor se surpreendeu, e logo sorriu. — Interessante.

— Instrutor! — Dylan, aflito, quase correu para ajudar, mas foi contido por Wade, que pousou a mão sobre seu ombro. Dylan virou o rosto.

— Calma — disse Wade, sorrindo.

— Dói — murmurou Louis, enquanto seus pés marcavam profundas trilhas no solo. Ele permaneceu firme, suportando a dor lancinante no peito, mas era apenas dor; dominando o método do “corpo de ferro”, o golpe casual do instrutor não foi suficiente para penetrar sua defesa.

— Agora está convencido? — perguntou o instrutor, sorrindo.

— Não estou — respondeu Louis, erguendo-se e falando alto.

Frank, ao lado, desta vez quase explodiu em gargalhada; aquele garoto era teimoso até o fim, mesmo diante da adversidade não recuava.

— É mesmo? — O instrutor mostrou os dentes. — E como pretende proceder?

— Quero desafiar Frank! — Louis declarou, sem hesitação. — O vencedor entra para o CP9, o perdedor recua.

— Louis! — O brado de Frank era baixo, mas carregado de raiva. Ele já não queria rir. Aquele garoto o menosprezava? Um valor de força inferior a quinhentos, apenas um menino de doze anos! Como ousava provocá-lo assim, igual ao maldito Wade, sem sequer considerá-lo?

— Hoho — o instrutor sorriu, indiferente. — Você tem coragem, garoto. Muito bem, hoje é a última assembleia de formatura, vamos apimentar um pouco o evento.

— Frank, esse garoto acha que você não merece o CP9. Aceita o desafio?

— Com prazer — respondeu Frank, mostrando dentes brancos em um sorriso, mas olhando para Wade, não para Louis, com olhar provocador. Ele não aceitava Wade; a diferença de poder era clara, mas não significava que deveria admitir derrota. A indocilidade era comum aos homens do mar; incapaz de vencer Wade, buscava recuperar seu orgulho enfrentando o irmão dele.

— Assim será, então — declarou o instrutor, lançando um olhar significativo a Louis. — O ingresso no CP9 será decidido pelo duelo entre Louis e Frank.

— Perfeito — assentiu Louis, satisfeito. Era imprescindível para ele ingressar no CP9.

— Sem problemas — Frank, convencido de sua vitória, sabia que sua força era um quinto superior à de Louis; em combate, tal vantagem era decisiva.

— Não mate ninguém — murmurou Wade ao passar por Louis.

— Claro — respondeu Louis, como se fosse óbvio.

Ele tinha de ensinar àquele tolo que força não é tudo.